Elza Furtado Gomide
| Elza Furtado Gomide | |
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![]() Elza Furtado é a terceira da esquerda da segunda fileira. | |
| Conhecido(a) por | Segunda mulher a obter um doutorado em Matemática no Brasil |
| Nascimento | 20 de agosto de 1925 |
| Morte | 26 de outubro de 2013 (88 anos) |
| Residência | Brasil |
| Nacionalidade | brasileira |
| Alma mater | Universidade de São Paulo |
| Carreira científica | |
| Orientador(es)(as) | Omar Catunda, Jean Delsarte |
| Instituições | Universidade de São Paulo |
| Campo(s) | matemática |
| Tese | Sobre o teorema de Artin-Weil |
Elza Furtado Gomide (São Paulo, 20 de agosto de 1925 - São Paulo, 26 de outubro de 2013) foi uma matemática brasileira,[1][2] primeira doutora em matemática pela Universidade de São Paulo em 1950, e a segunda no Brasil.
Gomide foi membro fundadora das associações Sociedade de Matemática de São Paulo, Sociedade Brasileira de Matemática e do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, além de ser uma figura importante por seu envolvimento nas questões da educação matemática e dos cursos de licenciatura no Brasil.
Biografia
Família de Elza Gomide
Elza Gomide foi a segunda filha de Cândido Gonçalves Gomide e de Sofia Furtado Gomide. Sua irmã mais velha era Clotilde Isabel Furtado Gomide.[3]
Elza Gomide apresentava forte ligação com a matemática, uma vez que tanto seu pai quanto seu avô materno eram professores da disciplina.[3][4]
Seu pai estudou engenharia na França. Ele não gostava de engenharia, mas não tinha curso de matemática. Além disso, como seu avô paterno tinha um tio chamado Cândido que era engenheiro, então incentivava seu próprio filho Cândido a se tornar um.[4] Cândido Gomide se tornou professor de aritmética e álgebra no Ginásio da Capital do Estado de São Paulo, foi professor de Elza e incentivou seus estudos.[3]
Já seu avô materno, Godofredo José Furtado, foi professor de matemática na Escola Normal de São Paulo.[3]
Sua mãe, Sofia, foi para França e para Suíça para estudar piano. Mais tarde, tornou-se pianista e professora de piano.[3]
Anos iniciais
Elza Gomide nasceu e cresceu em uma casa da Rua Augusta, em uma esquina com a Rua Antônio de Queirós. Dos 5 aos 12 anos, nadou no Rio Pinheiros e chegou a ganhar uma competição.[3]
Seus pais tinham muita influência francesa e ela aprendeu a falar francês.[3]
Pela forte influência católica, os pais de Elza temiam que ela fosse discriminada por não seguir a religião, então ela foi educada em casa até os 11 anos de idade. Sua mãe a ensinou português, francês, alemão, história e a tocar piano, enquanto seu pai a ensinou matemática, física e química.[5][3]
Carreira
Formação acadêmica
A partir de 1937, Gomide estudou no Ginásio da Capital do Estado de São Paulo, atual Escola Estadual São Paulo, no Parque Dom Pedro II. Era o único ginásio estadual na época, localizado na Rua do Carmoque.[6][7] Ela relata que, ao estudar com seu pai, ele era mais rígido com ela, mas reconhecia que ele era um bom e famoso professor. Ele a ensinou, durante o ginásio, a teoria dos limites, derivadas e demonstrações. Gomide concluiu o secundário em 1941.[7][3]
Elza ingressou no curso de física da Universidade de São Paulo.[nota 1]. Entretanto, já na metade do curso, percebeu que gostava mais de matemática. Ao se formar no bacharelado em física, foi convidada a ser assistente do professor Omar Catunda, do Departamento de Matemática. Realizou mais um ano de matemática e iniciou sua carreira de professora e pesquisadora, na qual gostava muito de atuar. No ramo de suas pesquisas, passou a trabalhar em Análise Matemática e a escrever artigos, além de exercer sua atividade como docente.[7]
Elza Gomide foi a segunda brasileira a doutorar-se em matemática numa instituição brasileira e a primeira na USP. Sua tese, Sobre o teorema de Artin-Weil[8], orientada por Jean Delsart e sobre a a conjetura de Weil, tema dado por André Weil, foi defendida em 27 de novembro de 1950.[9]
A tese da doutora Elza Gomide foi defendida um ano depois da pernambucana Maria Laura Mouzinho Leite Lopes ter defendido sua tese em matemática em 1949 na Universidade do Brasil (atual UFRJ). Assim, enquanto Maria Laura Lopes foi a primeira brasileira a obter o título de doutora em matemática (ciências matemáticas), na área de geometria, Elza Gomide se tornou a primeira mulher a obter o doutorado em matemática em uma instituição brasileira.[9][10]
Gomide afirma que não sofreu preconceito por ser mulher em uma área dominada por homens, mas reconhece que foi uma exceção.[6]
Impacto no curso de Licenciatura
Ao trabalhar no Instituto de Matemática e Estatística da USP, atualmente Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação, sua sala no instituto estava sempre aberta. Elza se dedicou a pesquisa até a década de 1960. No ano de 1968, passou a se envolver e a atuar, em pleno regime militar, nas questões ligadas ao ensino e foi eleita Chefe do Departamento de Matemática. Envolveu-se, sobretudo, quando o Ministério da Educação impôs a Licenciatura em Ciência, o que ela considerava como extremamente prejudicial, principalmente à matemática.[11]
Apesar de deixar de realizar pesquisas na área da matemática, ela ainda se envolvia em processos de tradução de obras e trabalhos.[5]
Elza considera que o estímulo que ela mesmo deu para vários estudantes, não anulando sua participação do Fórum das Licenciaturas como um fato de extrema importância, em 1990, afinal, este Fórum promoveu um debate sobre a profissão do professor e o papel da Universidade na formação de profissionais qualificados. Juntamente com Lole de Freitas Druck, Elza apresentou uma proposta de estrutura curricular para o curso de Licenciatura em Matemática que, aprovada pelo Fórum com a participação de muitos professores, permanece praticamente a mesma desde sua implementação em 1994.[11]
A ideia de ser professora mudou para Gomide. Antes, ela exaltava uma escola tradicional e uma análise rigorosa da matemática. Ao longo de sua carreira, ela passou a acreditar que é vital oferecer contextos e apresentar a história da matemática, incentivando os alunos a refletirem sobre o desenvolvimento das técnicas.[3]
Ela teve um amor enorme pelo ensino, o que a levou a total dedicação ás atividades didáticas, dentro e fora da sala de aula. Ela se envolveu fortemente em lutas para melhorar o ensino da matemática. Trabalhou na USP até sua aposentadoria compulsória em 1995. Mas manteve suas atividades de professora, participando de bancas de teses e se envolvendo em problemáticas do ensino da matemática.[11]
Legado nas associações
Gomide foi membro fundadora da Sociedade de Matemática de São Paulo, Sociedade Brasileira de Matemática e do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas.[3]
Morte
Gomide faleceu em 2013, aos 88 anos de idade.[3]
Notas
- ↑ Algumas biografias sugerem que Gomide foi influenciada pelo sucesso e popularidade devido aos estudos amplamente divulgados de César Lattes para percorrer uma carreira na Física. Contudo, o sucesso de Lattes se deu em 1947, após Gomide ingressar no bacharel.
Referências
- ↑ Elza Furtado Gomide (1925-2013) - Primeira doutora em matemática formada pela USP. Folha de S.Paulo, 7 de novembro de 2013
- ↑ Elza Furtado Gomide Arquivado em 21 de junho de 2015, no Wayback Machine.. CNPQ - Pioneiras da ciência no Brasil
- ↑ a b c d e f g h i j k l «Elza Furtado Gomide - Biography». Maths History (em inglês). Consultado em 27 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 5 de maio de 2024
- ↑ a b Alvarez, Tana Giannasi (20 de agosto de 2004). «A matemática da reforma Francisco Campos em ação no cotidiano escolar». Consultado em 27 de novembro de 2025
- ↑ a b Vianna, Carlos Roberto; Miguel, Antonio (2000). «Vidas e circunstâncias na educação matemática». Consultado em 27 de novembro de 2025
- ↑ a b «Cientistas Brasileiras». publica.ciar.ufg.br. Consultado em 27 de novembro de 2025
- ↑ a b c CNPq (ed.). «Pioneiras da Ciência». CNPq. Consultado em 27 de novembro de 2016
- ↑ Gomide, Elza (1950). «Sobre o teorema de Artin-Weil». Universidade de São Paulo. Sobre o teorema de Artin-Weil
- ↑ a b «pioneiras-view - Portal Memória». memoria.cnpq.br. Consultado em 1 de outubro de 2025
- ↑ Leda Sampson e Iolanda Galvêas. «Notáveis: Maria Laura Mouzinho Leite Lopes». Canal Ciência do IBICT. Consultado em 15 de julho de 2022
- ↑ a b c Silva, Clóvis Pereira da (2003). A Matemática no Brasil: História de seu Desenvolvimento. [S.l.]: Blucher. ISBN 978-8521203254
