Eliana Alves Cruz
| Eliana Alves Cruz | |
|---|---|
| Nascimento | 1966 (60 anos) |
| Nacionalidade | brasileira |
| Alma mater | Faculdade da Cidade |
| Ocupação | Escritora e jornalista |
| Prémios | Prêmio Oliveira Silveira (2015) |
| Gênero literário | Ficção e não ficção |
| Magnum opus | Água de Barrela (2016) |
Eliana Alves dos Santos Cruz (Rio de Janeiro, 1966) é uma jornalista e escritora brasileira.[1][2][3] Suas obras focam principalmente em ficção e contos, com ênfase em perspectivas afro-brasileiras.[4] Mais recentemente, ela publicou Meridiana no dia 14 de outubro, 2025.[5] Suas obras têm ganhado reconhecimento nacional e vários prêmios literários.[6]
Biografia
Eliana nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 1966.[7] Graduou-se em Comunicação Social pela Faculdade da Cidade em 1989. Fez pós-graduação em Comunicação Empresarial na Universidade Cândido Mendes. Trabalhou como gerente de imprensa da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos e cobriu 15 campeonatos mundiais, seis Jogos Pan-Americanos e seis Jogos Olímpicos.[8][9]
Ela publicou seu primeiro romance Água de Barrela, em 2016, contando a história da jornada da sua família desde o século XIX, quando saíram da África. Foi a vencedora da primeira edição do Prêmio Literário Oliveira Silveira, oferecido pela Fundação Cultural Palmares em 2015.[8][10][11]
Em 2016, ela também publicou textos nas coletâneas Cadernos Negros (Quilombhoje); Perdidas: Histórias para Crianças que Não Tem Vez (Imã Editorial).[12]
Em 2018, começou a escrever para a edição portuguesa de The Intercept, abordando temas relacionados ao racismo e à escravidão.[13]
De 2014 a 2019, escreveu para o blog, Flor da Cor, focando na promoção da mulheres negras e suas conquistas de diversas áreas de estudo.[14]
Em 2022, a autora publicou A Vestida: Contos, que ganhou o prêmio Jabuti na categoria de contos.[15]
Em 2025, publicou um livro intitulado Milena e o Pássaro Antigo.[16]
Ela mantém uma voz ativa em conversas relacionadas a raça e gênero por meio do seu Instagram pessoal e como escritora por várias plataformas jornalísticas.[17] Ela também tem sido uma palestrante convidada por conferências focadas em literatura negra para promover seus livros e falar sobre problemas sociais.[18]
Alves Cruz possui ascendência beninense, nigeriana, marfinense, serra-leonina, ugandense, gambiana e norte-africana.[19]
Foco temático literário
Numa entrevista com Le Monde Diplomatique, Cruz compartilhou que a sua literatura é impulsionada por perguntas sobre identidade, história brasileira e experiências de pessoas afro-brasileiras. Ela enfatizou sua meta de recuperar narrativas silenciadas que expõem desigualdade racial como um resultado de escravidão, visando suas obras como um lugar de reflexão social e exploração de memória, ancestralidade e a experiência negra.[20]
Numa entrevista publicada com Medium, Cruz explicou que seu romance, O Crime do Cais do Valongo, destaca como as suas experiências e observações de racismo e injustiça social no Brasil informam a narrativa. Ela compartilhou que o romance reflete seu interesse em examinar as dinâmicas raciais modernas do país através de lentes de desigualdade racial. Cruz também descreveu seu compromisso literário geral de abordar problemas raciais através da ficção, dando visibilidade às experiências afro-brasileiras.[8]
Suas obras são reconhecidas pelo uso de múltiplos pontos de vista narrativos, conhecido como narrativa polifônica, deixando que personagens diferentes possam representar classes sociais distintas, experiências vividas e raças e personificar a complexidade da história brasileira e identidade nacional. Os trabalhos de Cruz trazem história afro-brasileira de volta ao mundo contemporâneo onde os efeitos duradouros podem ser analisados e entendidos pelo público, não sendo escondidos ou esquecidos.[21][8]
Como notado pela Cruz, “A gente vive um apartheid na literatura brasileira. Precisamos contar a nossa história e ousar imaginar um futuro. Temos que olhar para trás, entender como as coisas aconteceram e ousar pensar no amanhã”[22][23]
Obras notáveis
O Crime do Cais do Valongo
Publicado no ano 2018, O Crime do Cais do Valongo é um romance de ficção histórica, usando uma misteriosa para explorar os efeitos duradouros da escravidão no Brasil. A narrativa começa em Moçambique e continua no Rio de Janeiro, visto pelo lente de dois personagens, o livro Nuno Alcântara Moutinho e a Muana Lomué, uma mulher moçambicana escravizada. O livro usa o assasinato de um comerciante para explorar o legado brutal da escravidão no Brasil, principalmente ambientado no Cais do Valongo, que é o porto de desembarque mais significativo de africanos escravizados nas Américas[24]. Tal ambiente simboliza as memórias apagadas, violência e estruturas sociais que impactam o Brasil até hoje.[21] Contextualiza história como algo mais que fatos, mas como algo que tem efeitos duradouros na sociedade brasileira. O Crime do Cais do Valongo foi reconhecido como um “Melhor do ano 2018” por O Globo e é notável na literatura afro-brasileira como uma personificação de vozes diversas e historicamente marginalizadas.
Nada digo de ti, que em ti não veja
Publicado no ano de 2020, Nada digo de ti, que em ti não veja é ambientada no Rio de Janeiro no ano 1732 e aborda temas de milícia, racismo, notícias falsas, denúncia, fanatismo religioso e questões LGBTQ.[25] O livro discute segredos e hipocrisias de duas famílias ricas coloniais, com uma ameaça de revelar alguns de seus segredos guardados. Cruz introduz um foco na transexualidade de uma mulher escravizada, Vitória. Cruz também conecta o passado da propriedade de escravos do Brasil com os problemas sociais atuais, chamando a obra de “amor impossível, forte e verdadeiro”[22]
Publicações
Obra individual
- Água de Barrela. Fundação Cultural Palmares, 2016. 2. ed. Rio de Janeiro: Malê Editora, 2018. (romance).
- O Crime do Cais do Valongo. Editora Malê, 2018. (romance).
- Nada Digo de Ti, Que Em Ti Não Veja. Pallas Editora, 2020. (romance).
- Solitária. Companhia de Letras, 2022 (romance)
- Milena e o Pássaro Antigo (conto)
Antologias
- Cadernos Negros 39. Organização de Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. São Paulo: Quilombhoje, 2016. (poemas).
- Cadernos Negros 40. Organização de Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. São Paulo: Quilombhoje, 2017. (contos).
- Novos poetas. Prêmio Sarau Brasil 2017.
- Ciclo Contínuo Editorial. São Paulo: Ciclo Contínuo, 2018. (contos).
- A Vestida. Editora Malê, 2022. (contos).[26]
Prêmios
- Prêmio Jabuti 2022[27]
- Prêmio Sarau Brasil 2017
Referências
- ↑ «Memória viva de antepassados é marca da obra Água de Barrela». Ministério da Cultura. Consultado em 19 de novembro de 2019
- ↑ «Água de barrela, de Eliana Alves Cruz: a saga de uma família negra no Brasil em três séculos de história». Literafro. Consultado em 19 de novembro de 2019
- ↑ «Crítica: 'O crime do Cais do Valongo' é literatura da melhor qualidade». Jornal O Globo. Consultado em 19 de novembro de 2019
- ↑ «Eliana Alves Cruz - Literatura Afro-Brasileira». www.letras.ufmg.br. Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ «Vencedora do Prêmio Jabuti de 2022 lança novo livro». Agência Brasil. 30 de novembro de 2025. Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ Comunicação (9 de novembro de 2023). «Esperançando o futuro da literatura e da inclusão racial no Brasil: Entrevista com Eliana Alves Cruz». Observatório de Favelas. Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ «Eliana Alves Cruz - Literatura Afro-Brasileira». www.letras.ufmg.br. Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ a b c d «Entrevista com a escritora Eliana Alves Cruz». Blooks Livraria. Consultado em 19 de novembro de 2019
- ↑ «Eliana Alves Cruz - Literatura Afro-Brasileira». www.letras.ufmg.br. Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ «MOÇÃO Nº 30098/2016». Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Consultado em 19 de novembro de 2019
- ↑ Luis (13 de fevereiro de 2023). «Brazilian Authors Series: Jabuti Award Special – Eliana Alvez Cruz». Brazilian Publishers (em inglês). Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ «Eliana Alves Cruz». LER Festival do Leitor. Consultado em 19 de novembro de 2019
- ↑ Eliana Alves Cruz (ed.). «A emoção de descobrir a origem da minha família negra em um país que ignora suas raízes africanas». The Intercept. Consultado em 19 de novembro de 2019
- ↑ «Flor da Cor». flordacor.blogspot.com. Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ «Premiados do Ano | Prêmio Jabuti». www.premiojabuti.com.br. Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ «Primeira menina negra de destaque da Turma da Mônica, Milena ganha livro escrito por Eliana Alves Cruz: 'Ela é uma personagem da vitória'». O Globo. 12 de agosto de 2025. Consultado em 20 de novembro de 2025
- ↑ «Instagram». www.instagram.com. Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ «Instagram». www.instagram.com. Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ «Origens | Eliana Alves Cruz faz teste de DNA e descobre de onde veio». www.uol.com.br. Consultado em 12 de março de 2023
- ↑ Oliveira, Maira (25 de julho de 2024). «Eliana Alves Cruz: 'a minha literatura se baseia em perguntas'». Le Monde Diplomatique. Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ a b Matias, José Luiz (2019). «O crime do Cais do Valongo: quando a saga da diversidade negra se projeta para a contemporaneidade». Fórum de Literatura Brasileira Contemporânea (22). ISSN 1984-7556. doi:10.35520/flbc.2019.v11n22a31043. Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ a b «Eliana Alves Cruz - Nada digo de ti, que em ti não veja - Literatura Afro-Brasileira». www.letras.ufmg.br. Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ «Eliana Alves Cruz - Nada digo de ti, que em ti não veja - Literatura Afro-Brasileira». www.letras.ufmg.br. Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ Centre, UNESCO World Heritage. «Washing of the Valongo Wharf, Rio de Janeiro (Brazil)». UNESCO World Heritage Centre (em inglês). Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ «Eliana Alves Cruz - Nada digo de ti, que em ti não veja - Literatura Afro-Brasileira». www.letras.ufmg.br. Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ PublishNews. «Eliana Alves Cruz, vencedora do Jabuti 2022, participa de seminário com Tom Farias». PublishNews. Consultado em 27 de maio de 2023
- ↑ «Premiados do Ano | 65º Prêmio Jabuti». www.premiojabuti.com.br. Consultado em 27 de maio de 2023
Ligações externas
- Flor da Cor - Blog da escritora
- Textos de Eliana Alves Cruz - The Intercept Brasil