Elena Garro

Elena Garro
Nascimento
Morte
22 de agosto de 1998 (81 anos)

Nacionalidademexicana
CônjugeOctavio Paz (1937-1959)
Alma materUniversidade Nacional Autônoma do México (UNAM)
OcupaçãoEscritora
PrêmiosPrêmio Sor Juana Inés de la Cruz (1996)
Gênero literárioRealismo Mágico
Magnum opusLa semana de colores (1964)

Elena Garro (Puebla, 11 de dezembro de 1916Cuernavaca, 22 de agosto de 1998) foi uma escritora mexicana que também atuou como dramaturga, roteirista e jornalista.

Garro costuma ser descrita como uma das pioneiras e uma das primeiras figuras de destaque do movimento do Realismo Mágico, embora rejeitasse essa associação. Ao lado das obras de Juan Rulfo, seus três primeiros livros, Un hogar sólido (1958), Los recuerdos del porvenir (1963) e La semana de colores (1964), são considerados alguns dos exemplos mais antigos do Realismo Mágico na literatura latino-americana.[1][2]

A escrita de Garro, apesar de ser em sua maior parte prosa de ficção, dialogava intensamente com a poesia e seus recursos literários. A autora e biógrafa Patricia Rosas Lopategui descreveu seu estilo como “uma tentativa de resgatar o uso da linguagem cotidiana na forma de poesia”. Seu estilo também foi comparado ao de escritores franceses como Georges Schehadé e Jean Genet, além do dramaturgo romeno-francês Eugène Ionesco, devido ao caráter surreal de suas narrativas. Amiga próxima de Albert Camus, Garro teve sua obra profundamente influenciada pelo estilo e pela filosofia do escritor francês. Em 1996, recebeu o Prêmio Sor Juana Inés de la Cruz.[3]

Seu casamento conturbado com o escritor Octavio Paz, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1990, foi alvo de grande escrutínio. A própria Garro descreveu a relação como “cheia de proibições, ressentimentos e amargura por não termos conseguido nos fazer felizes”. Apesar dos conflitos, os dois são considerados um dos casais de escritores mais talentosos surgidos durante o boom literário latino-americano do século XX.[4]

Garro é vista como uma das figuras menos reconhecidas desse período. Seu legado foi influenciado, em parte, por sua rejeição ao rótulo de Realismo Mágico, que ela considerava “uma etiqueta barata de marketing”. Historiadores contemporâneos e biógrafos literários consideram sua obra fundamental e a veem como tão importante quanto a de nomes como Juan Rulfo, Gabriel García Márquez, Julio Cortázar e outros.[5]

Biografia

Elena Garro nasceu em Puebla de Zaragoza em 11 de dezembro de 1916. Era filha de José Antonio Garro Melendreras, de origem espanhola, e de Esperanza Navarro Benítez, mexicana natural do estado de Chihuahua. Foi criada em Iguala, no estado de Guerrero, sendo a terceira de cinco irmãos.[5]

Durante a adolescência, entre os 12 e 13 anos, retornou à Cidade do México para cursar o ensino primário e secundário. Posteriormente, estudou no nível preparatório no Antiguo Colegio de San Ildefonso, da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM). Mais tarde, ingressou no curso de Letras Espanholas da mesma universidade, mas não o concluiu, pois acabou se casando.[5]

Garro também se dedicou às áreas da dança, da coreografia e do teatro. Participou do Teatro Universitário na montagem da peça Las troyanas, dirigida por Julio Bracho, na qual trabalhou ao lado de Isabela Corona, Deva Garro e Rodolfo Landa. Atuou ainda em peças de Rodolfo Usigli e no curta-metragem Humanidad (1933), de Adolfo Best Maugard. Algum tempo depois, realizou estudos de pós-graduação na Universidade da Califórnia em Berkeley, e na Sorbonne, na França.[5]

Viagem à Espanha

Durante a Guerra Civil Espanhola (1936–1939), aos 21 anos, Elena viajou para a Espanha junto com Octavio Paz, então seu marido, para participar do II Congresso Internacional de Escritores em Defesa da Cultura, realizado em Valência. Também estiveram presentes José Mancisidor, Juan de la Cabada, José Chávez Morado, Silvestre Revueltas, Carlos Pellicer, María Luisa Vera e Susana Gamboa, integrantes da Liga de Escritores e Artistas Revolucionários (LEAR).[6]

O resultado dessa viagem foi o relato de sua experiência no livro Memorias de España 1937, publicado em 1992, no qual Garro descreve de forma crítica, e por vezes até cômica, as personalidades e atitudes dos intelectuais que participaram do congresso.[5]

Obra

A literatura de Elena Garro “exige do leitor um pensamento flexível, tanto pela presença de temas feministas quanto pela necessidade de compreender a dessacralização da violência revolucionária”.[5]

Ao longo de sua carreira literária, sua produção pode ser dividida cronologicamente em etapas. A primeira corresponde a um conjunto de peças teatrais em um único ato, consideradas excelentes pela crítica e constantemente estudadas e encenadas. Desse período também fazem parte sua grande novela Los recuerdos del porvenir (1963) e o livro de contos La semana de colores (1964). Três anos depois, publicou a peça teatral Felipe Ángeles.[5]

Após o divórcio de Octavio Paz, em 1959, Garro passou um período em constante deslocamento entre a Cidade do México e um autoexílio em Madri e Paris, na Europa, até retornar a Cuernavaca, no México, em 1994. Como aliada próxima do político Carlos Madrazo, também se tornou alvo de uma campanha contra dissidentes políticos em 1968 e, apesar de suas posições anticomunistas e de direita, acabou sendo objeto de uma campanha de difamação após o Massacre de Tlatelolco.[5][7]

Sua produção literária foi interrompida por um silêncio de mais de dez anos, em razão de seu autoexílio na Europa, motivado por supostas acusações feitas pela própria escritora contra intelectuais, apontados como instigadores do Movimento de 1968 no México. Como consequência, as alegadas publicações na imprensa provocaram sua rejeição pela comunidade intelectual mexicana da época, levando-a a um longo período de autoexílio, primeiro nos Estados Unidos e depois na França, que durou cerca de vinte anos.[3]

A segunda etapa de sua atividade literária desenvolveu-se após seu retorno à Cidade do México, entre 1973 e 1992, quando escreveu, entre outras obras:

  • Reencuentro de personajes (1982);
  • Memorias de España 1937 (1992).

Morte

Garro faleceu em 22 de agosto de 1998, aos 81 anos, em Cuernavaca, no México, em decorrência de complicações cardiorrespiratórias. Ela foi sepultada no cemitério Jardines de la Paz, na mesma cidade.[8]

Bibliografia

  • Los recuerdos del porvenir, México, Joaquín Mortiz.
  • Andamos huyendo Lola, México, Joaquín Mortiz, 1980.
  • Testimonios sobre Mariana, México, Grijalbo, 1981. ISBN 968-419-182-0
  • Reencuentro de personajes, México, Grijalbo, 1982, ISBN 968-419-220-7
  • La casa junto al río. México, Grijalbo, 1983, ISBN 968-419-217-7
  • Y Matarazo no llamó..., México, Grijalbo, 1991. ISBN 970-05-0040-3
  • Inés. México, Grijalbo, 1995, ISBN 970-05-0616-9
  • Tiempo destino y opresión en la obra de Elena Garro ISBN 0-7734-4258-8
  • Busca mi esquela & Primer amor. 2. ed. Monterrey, Ediciones Castillo, 1998. (Colección Más allá; 14) ISBN 968-7415-36-3
  • Un traje rojo para un duelo. Monterrey, Ediciones Castillo, 1996, ISBN 968-7415-51-7
  • Un corazón en un bote de basura, México, Joaquín Mortiz, 1996, ISBN 968-27-0672-6
  • Mi hermanita Magdalena, Monterrey, Ediciones Castillo, 1998.
  • C'ita con la memoria. Elena Garro cuenta su vida a Rhina Toruño. Análisis de sus obras, 2004. ISBN 987-20648-6-5

Referências

  1. Mariana Ianelli (ed.). «Elena Garro se levanta». Rascunhos. Consultado em 27 de dezembro de 2025 
  2. «Langosta Literaria: Un año de libros - Parte 2 on Apple Podcasts». Consultado em 27 de dezembro de 2025 
  3. a b Javier Brandoli. «Elena Garro: la madre maldita del realismo mágico». El Mundo. Consultado em 27 de dezembro de 2025 
  4. Gómez López, Luis Alfonso (2011). Racismo y discriminación en tres piezas de Elena Garro (em espanhol). [S.l.]: Universidad Nacional Autónoma de México Facultad de Filosofía y Letras. pp. 27–28 
  5. a b c d e f g h Lopátegui, Patricia Rosas (2002). Testimonios sobre Elena Garro. Monterrey: Ediciones Castillo. p. 507. ISBN 978-9702002857 
  6. «Elena Garro, lúcida y enigmática escritora del siglo XX» (em espanhol). INBAL - Instituto Nacional de Bellas Artes y Literatura. Consultado em 27 de dezembro de 2025 
  7. Frank Dauster. «El teatro de Elena Garro: Evasión e Ilusión». Revista Iberoamericana. Consultado em 27 de dezembro de 2025 
  8. Jan Martínez Ahrens (15 de outubro de 2016). «Elena Garro, una escritora contra sí misma». El País (em espanhol). ISSN 1134-6582. Consultado em 27 de dezembro de 2025 

Ligações externas