Eleição papal de 1061

Eleição papal de 1061
Eleição papal de 1061
O Papa Alexandre II
Data e localização
Pessoas-chave
Eleição
Eleito Papa Alexandre II
(Anselmo de Baggio)
Participantes 6
Cronologia
Eleição papal de 1073

A eleição papal de 1061 foi realizada em 30 de setembro de 1061 na Basílica de São Pedro Acorrentado, em Roma, após a morte do Papa Nicolau II. De acordo com a bula de Nicolau II, In nomine Domini, os cardeais bispos foram os únicos eleitores do Papa pela primeira vez na história da Igreja Católica Romana.[1][2][3] O bispo Anselmo de Baggio, de Luca, não cardeal e um dos fundadores da Pataria,[4] foi eleito Papa Alexandre II e coroado ao anoitecer de 1º de outubro de 1061 na Basílica de São Pedro Acorrentado porque a oposição à eleição tornou impossível uma coroação na Basílica de São Pedro.[5]

Descrição

Paredes externas de tijolos da abside de São Pedro Acorrentado. Esta é uma das partes mais antigas da igreja e teria sido semelhante, no Século XI, à atual.

Anselmo contou com o apoio do seu amigo Cardeal Hildebrand, força motriz da promulgação do In nomine Domini e do futuro Papa Gregório VII, Godofredo III, Duque da Baixa Lorena,[5] e as forças normandas de Roberto Guiscardo, presentes na eleição em cumprimento a uma garantia de segurança que Guiscardo havia feito a Nicolau II quando foi nomeado Duque da Apúlia e da Calábria.[4][6] Embora Anselmo fosse bem conhecido e respeitado na corte alemã, o consentimento do Sacro Imperador Romano para a eleição não foi buscado.[5]

Descontentes com o novo processo, um grupo de nobres romanos e Bispos lombardos, liderados por Guibert, o chanceler real da Itália, implorou a Inês de Poitou, imperatriz-regente de Henrique IV do Sacro Império Romano-Germânico, que nomeasse o Bispo Pietro Cadalo para suceder Nicolau II. Cadalo foi eleito Antipapa Honório II em um sínodo convocado na Basileia em 28 de outubro de 1061, no qual não havia cardeais presentes.[7][8]

O antipapa Honório II marchou sobre Roma, derrotando Alexandre II e tomando o controle da Basílica de São Pedro e seus arredores em 14 de abril de 1062. A intervenção de Godofredo III convenceu Honório II e Alexandre II a se retirarem para Parma e Luca, respectivamente, aguardando a mediação entre Godofredo III e a corte imperial. Entretanto, Anno II, Arcebispo de Colônia, planejou um golpe de estado contra a imperatriz regente. Como regente, Anno convocou o Concílio de Augsburgo (outubro de 1062) e enviou Burcardo II, bispo de Halberstadt, como emissário a Roma. Burcardo inocentou Alexandre II das acusações de simonia e o reconheceu como o novo pontífice.[9]

Alexandre II excomungou Honório II em 1063, mas, após um contrassínodo, Honório II conseguiu se estabelecer no Castelo de Santo Ângelo e travar guerra contra Alexandre II por mais um ano, antes de fugir novamente para Parma. O Sínodo de Mântua (Pentecostes, 31 de maio de 1064) anatematizou Cadalo e declarou Alexandre II o papa legítimo.[1]

Cardeais eleitores

Em 1061 havia seis cardeais-bispos:[10][11]

Elector Nacionalidade Diocese Elevado Papa Notas
Bonifazio, O.S.B. Apulia Diocese de Albano antes de 1054 Papa Leão IX
Pietro Diocese de Frascati antes de 1057 Papa Vítor II
Giovanni Diocese de Porto-Santa Rufina 1057 Papa Estêvão IX
Pedro Damião, O.S.B.Cam. Ravenna Diocese de Óstia 30 de novembro de 1057 Papa Estêvão IX Futuro Doutor da Igreja
Bernardo de Benevento, O.S.B.Cas. Benevento Diocese de Palestrina 1061 Papa Nicolau II
Mainardo de Pomposa, O.S.B.Cas. Diocese de Porto-Santa Rufina Maio de 1061 Papa Nicolau II

Referências

  1. a b «The Cardinals of the Holy Roman Church: Papal elections of the 11th Century (1061-1099)». The Cardinals of the Holy Roman Church - FIU. Consultado em 9 de maio de 2025 
  2. Marcus Lopes (26 de abril de 2025). «Habemus Papam: Entenda a origem e como funciona o conclave». Aventuras na História. Consultado em 9 de maio de 2025 
  3. Sérgio Ricardo Coutinho (21 de abril de 2025). «O Conclave: como a eleição dos papas mudou ao longo da história». Café História. Consultado em 9 de maio de 2025 
  4. a b VINCENT, Martin Richardson (1896). The Age of Hildebrand. [S.l.]: Christian Literature Co. p. 50 
  5. a b c LEVILLAIN, Philippe (2002). The Papacy: An Encyclopedia. Abingdon: Routledge. p. 1780. ISBN 978-04-159-2228-9 
  6. MORRIS, Colin (1989). The Papal Monarchy: The Western Church from 1050 to 1250. Oxônia: Oxford University Press. p. 690. ISBN 978-01-982-6925-0 
  7. «[Antipope] Honorius (1061-1064)». The Cardinals of the Holy Roman Church - FIU. Consultado em 9 de maio de 2025 
  8. Leandro Duarte Rust (6 de fevereiro de 2012). «O heroísmo ao avesso: os "antipapas" e a memória historiográfica da política papal (1040-1130)». SciELO. Consultado em 9 de maio de 2025 
  9. COWDREY, H. E. J. (1998). Pope Gregory VII, 1073-1085. Oxônia: Oxford University Press. p. 760. ISBN 978-01-982-0646-0 
  10. HÜLS, Rudolf (1977). Kardinäle, Klerus und Kirchen Roms: 1049-1130. Tübingen: de Gruyter. p. 337. ISBN 978-34-848-0071-7 
  11. KLEWITZ, Hans-Walter (1957). Reformpapsttum und Kardinalkolleg. Darmstadt: H. Gentner. p. 259