Electra (Sófocles)

Electra (em grego, Ηλέκτρα) é uma tragédia grega de Sófocles cuja data de apresentação não se sabe ao certo, talvez tenha sido entre 420 e 410 a.C.
Traduções
Do grego, há a tradução brasileira de Mário da Gama Kury (em verso) e a portuguesa de E. Dias Palmeira (em prosa), além da de Domingos Paschoal Cegalla (feita diretamente do grego).
Enredo
Situada na cidade de Micenas alguns anos após a Guerra de Troia, a peça narra a luta de Electra e do seu irmão Orestes por justiça, após o assassinato do seu pai, Agamémnon, cometido pela sua mãe Clitemnestra e pelo padrasto Egisto.
Quando o rei Agamémnon regressa da Guerra de Troia, a sua esposa Clitemnestra — que mantinha um relacionamento com Egisto, primo de Agamémnon — mata-o. Clitemnestra acredita que o assassinato é justificado, pois Agamémnon havia sacrificado a sua filha Ifigénia antes da guerra, em cumprimento da vontade dos deuses. Electra, filha de Agamémnon e Clitemnestra, salva o seu irmão mais novo, Orestes, enviando-o para Fócida sob os cuidados de Estrofio. A peça começa vários anos depois, quando Orestes regressa já adulto, com o objetivo de vingar o pai e reclamar o trono.
Orestes chega acompanhado do seu amigo Pílades, filho de Estrofio, e de um pedagogo — um velho preceptor que o havia levado de Electra para Estrofio. Eles planeiam que o tutor anuncie a falsa notícia da morte de Orestes numa corrida de bigas, enquanto dois homens (na verdade, Orestes e Pílades) chegam trazendo uma urna com as suas supostas cinzas. Enquanto isso, Electra continua a lamentar a morte de Agamémnon, responsabilizando a mãe pelo crime. Ao ouvir sobre a morte do irmão, o seu sofrimento torna-se ainda maior, embora por pouco tempo.
Após uma ode coral, Orestes chega carregando a urna que supostamente contém as suas cinzas. Ele não reconhece Electra, nem ela o reconhece. Orestes entrega-lhe a urna, e Electra faz uma lamentação comovente sobre ela, sem perceber que o irmão está vivo ao seu lado. Quando finalmente descobre a verdade, Orestes revela a sua identidade, e Electra, emocionada, alegra-se por ele estar vivo. No entanto, quase revelam o disfarce, sendo advertidos pelo tutor. Orestes e Pílades entram então no palácio e matam Clitemnestra. Quando Egisto regressa, eles cobrem o corpo dela com um lençol e apresentam-no como sendo o de Orestes. Egisto levanta o véu e descobre a verdade, momento em que Orestes se revela. Orestes e Pílades levam Egisto para fora do palco, onde o matam junto ao altar, o mesmo local onde Agamémnon fora assassinado. A peça termina antes de ser anunciada a morte de Egisto.
Bibliografia
- ÉSQUILO; SÓFOCLES; EURÍPIDES. Os persas; Electra; Hécuba. Trad. Mário da Gama Kury. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.
- SÓFOCLES. Tragédias do Ciclo Troiano. Trad. E. Dias Palmeira. Lisboa: Sá da Costa, 1973