El Universal

El Universal
PeriodicidadeDiário
FormatoBroadsheet
SedeCaracas
País Venezuela
Fundação1 de abril de 1909 (116 anos)
Fundador(es)Andrés Mata e Andrés Vigas
ProprietárioEpalisticia S.L.
Pertence aAssociação de Jornais Latino-Americanos
Orientação políticaConservadorismo
IdiomaEspanhol / Inglês (somente versão digital)
CirculaçãoNão divulgada
Websitewww.eluniversal.com
Edifício de El Universal, Caracas

El Universal é um importante jornal venezuelano, com sede em Caracas.[1] El Universal faz parte da Associação de Jornais Latino-Americanos (em espanhol, Periódicos Associados Latino-Americanos), uma organização de jornais líderes da América Latina. Seu principal rival é o El Nacional. O jornal não divulga seus números de circulação.[2]

História

El Universal foi fundado em abril de 1909 em Caracas pelo poeta venezuelano Andrés Mata e seu amigo Andrés Vigas, sendo o mais antigo dos jornais venezuelanos ainda em circulação.[1]

Século XX

Sua primeira sede localizava-se em uma casa entre as esquinas de Sociedad e San Francisco, em Caracas, onde funcionava a tipografia de Daniel Aramburu. A primeira edição, lançada nesse mesmo dia, foi publicada em máquinas Marinoni de origem francesa.[3] Os editores dessa primeira edição foram Rafael Silva na crônica, Francisco López Moreno e Santiago Caldera na distribuição, Luis Correa como cronista, Pedro Bocca como gerente de escritório, Luis Alberto Ascanio como depositário, Miguel Ángel Ibarra como revisor e Federico Webber como redator de imprensa. O formato era standard, com quatro páginas e seis colunas.[4] Seis meses depois, mudou-se para um antigo edifício localizado entre as ruas Sociedad e Gradillas.[3]

Em janeiro de 1910, foram publicadas as primeiras fotografias no jornal: uma de Juan Vicente Gómez e outra de uma tropa na Praça Bolívar em Caracas, feitas por Guerra Toro.[4] Nesse mesmo ano, um quadro elétrico indicava ao público os temas que seriam noticiados no dia seguinte.[4] No ano seguinte, adquiriu-se uma máquina Duplex para edição, aumentando o jornal para oito páginas.[4] Em 1914, firmou acordos com agências internacionais de notícias como a United Press International, Reuters e Associated Press, tornando-se o primeiro jornal venezuelano a fazê-lo.[4]

Em 1922 o jornal modernizou seu equipamento, publicou o primeiro aviso econômico e incorporou Luis Teófilo Núñez à administração da empresa.[4] A partir de 24 de outubro de 1929, incorporou “La Página de los Jueves” e “El Deporte Nacional”, os primeiros espaços fixos do jornal. Em 17 de dezembro de 1930, foi instalada a primeira imprensa rotativa do país, da marca Ludlow, com a qual o jornal começou a ser impresso no dia memorial do centenário da morte de Simón Bolívar.[4][3] A edição passou a ter 18 páginas em sete colunas. Em 1932 adquiriu uma prensa HOE, com capacidade para 32 páginas.[4]

A partir de 14 de agosto de 1933, começou a ser publicada diariamente uma página dedicada exclusivamente ao esporte.[4] Em 1934, começaram a ser publicadas charges, e em 1935 a série Historias del Tío Nicolás, do cartunista Rafael Rivero Oramas.[4] Outras adições importantes foram a “Página Literária”, de 8 de agosto de 1937, por iniciativa de Pascual Venegas Filardo e Pedro Sotillo, e a “Página Editorial”, de 8 de novembro de 1940.[4]

Em 1948, o jornal mudou sua sede para o porão do Edifício Ambos Mundos.[4] Nessa época já possuía equipamentos capazes de editar 64 páginas.[4] Em 1954 foi criado o departamento de Fotografia, e em 16 de fevereiro de 1958, após a queda de Marcos Pérez Jiménez, foi criado o Correo del Pueblo, onde eram publicadas as opiniões dos leitores.[4]

Em 1969, El Universal mudou-se para sua atual sede, uma torre construída na esquina de Ánimas, na Avenida Urdaneta. O projeto foi dos arquitetos Francisco Pimentel, George Wilkie e Bernardo Borges, que receberam o Prêmio Nacional de Arquitetura em 1971.[5] Em 1970, foi adquirida outra rotativa HOE Multicolor, com capacidade para editar 144 páginas, a uma velocidade de 70 mil cópias por hora.

Em março de 1994, Andrés Mata Osorio, neto do fundador, tornou-se editor de El Universal.[4][3] Em 1995, jornalistas e engenheiros do jornal, junto a especialistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, lançaram a primeira versão digital do jornal na internet.[4] Inicialmente, eram publicadas dez manchetes por dia, e um ano depois a versão completa do site foi lançada.[4] Em 1997, foi inaugurada uma nova planta em Guatire com três rotativas, com capacidade para doze milhões de cópias por mês. Em 1998, o jornal começou a publicar fotografias em cores.[4] Em 1999, realizou a primeira pré-venda por um veículo de comunicação no país.[4]

Século XXI

Em 4 de julho de 2014, foi anunciada a venda de El Universal para a empresa espanhola Espalisticia, posição mantida até 2019.[6]

A diretoria do jornal ficou composta assim: Vice-presidente de Informação: Elides J. Rojas L. (renunciou após quase 25 anos de serviço, depois de ter sido editor-chefe de Economia, editor-chefe e nos últimos seis anos Vice-presidente de Informação). Desde agosto de 2020 o cargo passou ao jornalista Oscar Silva, ligado há nove anos ao grupo proprietário de Globovisión, que assumiu a direção administrativa e editorial do jornal, que por ora mantém apenas a edição digital. Editor-chefe: Alan Lugo. Chefes de Informação Digital: Pedro Rojas e Mariángela Lando. Chefe de Arte e Design: Abraham Sánchez. Em 1º de novembro de 2020, o jornal retomou a edição impressa, como um semanário publicado apenas aos domingos.[7]

Posição política e opinião editorial

Na manhã de 13 de abril de 2002, quando a remoção de Hugo Chávez no que depois ficou conhecido como a Tentativa de golpe de Estado na Venezuela em 2002 parecia bem-sucedida, o jornal estampou a manchete: ¡Un Paso Adelante! (Um Passo Adiante!).[8][9]

O jornal foi descrito como pró-oposição pelo The Guardian em 2008, pela BBC em 2013 e pela Reuters em várias ocasiões entre 2011 e 2014.[10][11][12][13][14]

Em 5 de julho de 2014, foi anunciado que, após 105 anos de propriedade, a família Mata vendeu participação majoritária do jornal a uma firma de investimentos espanhola ligada ao governo venezuelano, Politician S.L., criada “com o propósito de adquirir” o El Universal.[15][16][17][18][19] Segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), El Universal “aproximou-se do governo socialista da Venezuela” após a compra. O CPJ relatou que membros da equipe reclamaram de censura por parte dos editores e que houve demissões e renúncias no jornal.[2]

Referências

  1. a b Browning, Mark (2003), "Venezuela", World Press Encyclopedia
  2. a b Otis, John (30 de dezembro de 2014). «Venezuela's El Universal criticized for being tamed by mystery new owners». Committee to Protect Journalists. Consultado em 8 de janeiro de 2015 
  3. a b c d «PRODUCTO Online 187: Mata: expansión universal». 16 de maio de 2000. Consultado em 30 de janeiro de 2023. Cópia arquivada em 5 de janeiro de 2011 
  4. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s «Fundación Andrés Mata». 5 de janeiro de 2011. Consultado em 30 de janeiro de 2023. Cópia arquivada em 5 de janeiro de 2011 
  5. «Estampas - 50 Aniversario». 20 de agosto de 2009. Consultado em 30 de janeiro de 2023. Cópia arquivada em 20 de agosto de 2009 
  6. DPA (4 de julho de 2014). «Diario venezolano El Universal fue vendido a grupo español». El Universo (em espanhol). Consultado em 30 de janeiro de 2023 
  7. «El Universal regresa a las plataformas impresas con nueva edición semanal». El Universal (em espanhol). 11 de janeiro de 2020. Consultado em 30 de janeiro de 2023 
  8. (em castelhano) Kaiser, Patricia (2003), "Estrategias discursivas antichavistas de los medios de comunicacion", Revista Venezolana de Economía y Ciencias Sociales 9 (3)
  9. Luis Duno-Gottberg (2004), "Mob outrages: reflections on the media construction of the masses in Venezuela (April 2000–January 2003)", Journal of Latin American Cultural Studies, 13(1). A capa é reproduzida na p.120.
  10. «High stakes in Venezuela's municipal elections». BBC News. 6 de dezembro de 2013. Consultado em 6 de julho de 2014 
  11. «Soldiers storm Venezuelan protesters' stronghold». Reuters UK. 17 de março de 2014. Consultado em 6 de julho de 2014. Arquivado do original em 13 de maio de 2016 
  12. «Rumors over Chavez absence reach frenzy in Venezuela». Reuters. 28 de junho de 2011. Consultado em 6 de julho de 2014 
  13. «Maduro vows no let-up in Venezuela business crackdown». Reuters. 14 de novembro de 2013. Consultado em 6 de julho de 2014. Cópia arquivada em 24 de setembro de 2015 
  14. «Seeing through Transparency International». The Guardian. 22 de maio de 2008. Consultado em 6 de julho de 2014 
  15. López Maya, Margarita (2016). El ocaso del chavismo: Venezuela 2005-2015. [S.l.]: Editorial Alfa. pp. 367–368. ISBN 9788417014254 
  16. «A new era has begun for El Universal». El Universal. 5 de julho de 2014. Consultado em 6 de julho de 2014. Arquivado do original em 14 de julho de 2014 
  17. «In Venezuela's latest media shift, El Universal newspaper sold». Reuters. 5 de julho de 2014. Consultado em 6 de julho de 2014. Cópia arquivada em 24 de setembro de 2015 
  18. «La desconocida empresa española Epalisticia compra el diario venezolano 'El Universal'». El Mundo. 5 de julho de 2014. Consultado em 6 de julho de 2014 
  19. Shadowy sale of Venezuela paper raises fears of slow-building news blackout

Ligações externas