Edward Bagnall Poulton

Edward Bagnall Poulton
Fotografia tirada por James Lafayette [en]
Conhecido(a) porApossematismo, seleção dependente de frequência, camuflagem
Nascimento
Morte
20 de novembro de 1943 (87 anos)
Alma materJesus College [en]
PrêmiosMedalha Linneana (1922)

Sir Edward Bagnall Poulton, FRS[1] HFRSE FLS (27 de janeiro de 1856 – 20 de novembro de 1943) foi um biólogo evolucionista britânico, defensor da seleção natural em um período no qual muitos cientistas, como Reginald Punnett, duvidavam de sua importância. Ele criou o termo "simpatria" para designar a evolução de espécies no mesmo local e, em seu livro The Colours of Animals [en] (1890), foi o primeiro a reconhecer a seleção dependente de frequência. É lembrado por seu trabalho pioneiro sobre coloração animal e camuflagem, e em especial por ter criado o termo "apossematismo" para a coloração de advertência. Tornou-se professor de zoologia na Universidade de Oxford em 1893.[2]

Vida

Edward Poulton nasceu em Reading, Berkshire, em 27 de janeiro de 1856, filho do arquiteto William Ford Poulton e de sua esposa, Georgina Sabrina Bagnall. Foi educado na Oakley House School, em Reading,[3] escola que descreveu como frequentada principalmente por alunos não conformistas.[1]

Entre 1873 e 1876, Poulton estudou no Jesus College [en] sob orientação de George Rolleston [en] e do entomólogo antidarwinista John Obadiah Westwood, graduando-se com distinção máxima em ciências naturais.[4] Manteve ligação ininterrupta com o colégio por setenta anos como bolsista, professor e fellow (nomeado em 1898) até sua morte. Foi um generoso benfeitor do Jesus College, doando pratarias para a mesa principal e financiando a reforma do antigo escritório administrativo, entre outras contribuições.[5]

Foi nomeado cavaleiro pelo rei Jorge V nas honrarias de Ano-Novo de 1935.[6] Poulton morreu em Oxford em 20 de novembro de 1943.

Carreira

The Colours of Animals [en], 1890, introduziu termos como "apossemático".

Poulton era um darwinista, acreditando na seleção natural como a principal força da evolução. Seu livro de 1890, The Colours of Animals [en], apresentou os conceitos de seleção dependente de frequência e de apossematismo, além de defender as então impopulares teorias de Darwin sobre seleção natural e seleção sexual.[7] Ele realizou diversos experimentos sobre as cores de lagartas polimórficas para investigar se a alimentação, o fundo ambiental ou outros fatores influenciavam suas mudanças de cor. Conseguiu demonstrar que as lagartas eram sensíveis às cores do ambiente e que essa percepção ocorria mesmo quando estavam cegas, sendo um dos primeiros a sugerir a existência de fotorrecepção extraocular.[8]

Poulton ampliou as coleções entomológicas com suas capturas em campo, o que lhe rendeu o apelido de “Bag-all” Poulton. Muitos dos espécimes encontram-se não montados e armazenados em latas de biscoito.[9]

Em seu livro de 1896 Charles Darwin and the Theory of Natural Selection, Poulton descreveu A Origem das Espécies de Darwin como “incomparavelmente a maior obra” já produzida pelas ciências biológicas. Segundo ele, os críticos da seleção natural não haviam dedicado tempo suficiente para compreendê-la adequadamente.[10]

Poulton, juntamente com Julian Huxley, J.B.S. Haldane, Ronald Fisher e E.B. Ford, promoveu a ideia da seleção natural durante o período conhecido como o eclipse do darwinismo, quando essa teoria era amplamente depreciada.[11] Houve um longo debate entre Poulton e o geneticista Reginald Punnett, discípulo de William Bateson. O livro de Punnett de 1915, Mimicry in Butterflies, rejeitou a seleção como causa principal do mimetismo, enquanto Poulton a defendia. Além disso, a obra de Poulton de 1908, Essays on Evolution, opôs-se inicialmente à genética sob o argumento de que a “genética mendeliana” seria um obstáculo ao pensamento evolutivo; mais tarde, porém, ele mudou de posição e passou a apoiar o trabalho da Sociedade Genética.[12]

Coloração de advertência do “gambá-brasileiro” em The Colours of Animals: Poulton introduziu no livro o termo apossematismo.

O discurso presidencial de Poulton na Associação Britânica para o Avanço da Ciência em 1937, aos 81 anos de idade, revisou a história do pensamento evolutivo. Ele afirmou que os trabalhos de J.B.S. Haldane, Ronald Fisher e Julian Huxley foram de importância vital para demonstrar as relações entre a genética mendeliana e a seleção natural. As observações e experimentos de muitos biólogos haviam “imensamente fortalecido e confirmado” as pesquisas sobre mimetismo e cores de advertência realizadas por pioneiros como Henry Walter Bates, Alfred Russel Wallace, Raphael Meldola [en], Roland Trimen e Fritz Müller.[13]

Família

Poulton com a Real Sociedade Entomológica de Londres em 1904 (sentado, ao centro).

Poulton viveu com sua família no número 56 da Banbury Road [en], em North Oxford [en], uma grande casa em estilo neogótico projetada por John Gibbs [en] e construída em 1866.[14] Em 1881, casou-se com Emily Palmer (falecida em 1939), filha de George Palmer [en], membro do Parlamento por Reading e diretor da empresa de biscoitos Huntley & Palmers [en]; tiveram cinco filhos. Três deles já haviam falecido em 1919. O filho mais velho, Dr. Edward Palmer Poulton [en], do Guy’s Hospital, morreu em 1939. Apenas sua filha Margaret Lucy (1887–1965), esposa do Dr. Maxwell Garnett [en], estava viva quando Sir Edward faleceu. O filho de Poulton, Ronald Poulton [en], jogou rúgbi internacionalmente pela Inglaterra e foi morto em maio de 1915 na Primeira Guerra Mundial. Sua primeira filha, Hilda, casou-se com o Dr. Ernest Ainsley-Walker e morreu em 1917. A filha mais nova, Janet Palmer, casou-se com Charles Symonds [en] em 1915 e faleceu em 1919.[15]

Por meio de sua filha Margaret, foi avô da política do Partido Trabalhista Peggy Jay [en].[16][17]

Legado

Poulton é lembrado como um dos primeiros formuladores do conceito biológico de espécie.[18][19][20] De acordo com Ernst Mayr, Poulton criou o termo "simpatria" em relação às espécies.[21]

Obras publicadas

Poulton teve mais de 200 publicações ao longo de mais de sessenta anos.

  • 1890. The Colours of Animals [en]. Charles Kegan Paul [en], Londres.
  • 1896. Charles Darwin and the Theory of Natural Selection. Cassell, Londres.
  • 1904. What is a Species? (discurso presidencial à Real Sociedade Entomológica de Londres, janeiro de 1904) Proceedings of the Entomological Society of London, 1903.
  • 1908. Essays on Evolution. Londres, Cassell.
  • 1909. Charles Darwin and the Origin of species; addresses, etc., in America and England in the year of the two anniversaries[22]
  • 1915. Science and the Great War: The Romanes Lecture for 1915 Clarendon Press, Oxford.

Prêmios e honrarias

Referências

  1. a b c Carpenter, G. D. H. (1944). «Edward Bagnall Poulton. 1856–1943». Obituary Notices of Fellows of the Royal Society. 4 (13): 655–680. doi:10.1098/rsbm.1944.0014Acessível livremente 
  2. «POULTON, Edward Bagnall». Who's Who. 59. 1907. p. 1421 
  3. Biographical Index of Former Fellows of the Royal Society of Edinburgh 1783–2002 (PDF). [S.l.]: The Royal Society of Edinburgh. Julho de 2006. ISBN 0-902-198-84-X. Consultado em 14 de janeiro de 2018. Arquivado do original (PDF) em 4 de março de 2016 
  4. Carpenter, G. D. H. (2004). «Poulton, Sir Edward Bagnall (1856–1943)». Oxford Dictionary of National Biography online ed. Oxford University Press. doi:10.1093/ref:odnb/35586  (Requer Subscrição ou ser sócio da biblioteca pública do Reino Unido.)
  5. Baker, J.N.L. (1971). Jesus College 1571 – 1971. [S.l.: s.n.] p. 68 
  6. «No. 34119». The London Gazette (Supplement). 28 de dezembro de 1934. p. 2 
  7. Mallet, Jim. «E.B. Poulton (1890)». University College London. Consultado em 23 de novembro de 2012 
  8. Poulton, E.B. (1892). «Further experiments upon the colour-relation between certain lepidopterous larvae, pupae, cocoons, and imagines and their surroundings». Transactions of the Royal Entomological Society of London. 40: 293–487. doi:10.1111/j.1365-2311.1892.tb02973.x 
  9. Salmon, Michael A. (2000). The Aurelian Legacy. [S.l.]: Harley Books. pp. 187–188 
  10. Poulton, E.B. (1896). Charles Darwin and the Theory of Natural Selection. [S.l.]: Cassell 
  11. Bowler, Peter J. (1983). The Eclipse of Darwinism: anti-Darwinian evolutionary theories in the decades around 1900. [S.l.]: Johns Hopkins University Press. p. 30. ISBN 978-0-8018-4391-4 
  12. Crew, F. A. E. (1969). «Recollections of the Early Days of the Genetical Society» (PDF). Consultado em 23 de março de 2024. Cópia arquivada (PDF) em 29 de setembro de 2022 
  13. Poulton, E. B. (setembro de 1937). «British Association for the Advancement of Science. Nottingham, 1937. The Presidential Address. The History of Evolutionary Thought». Current Science. 6 (3): 105–118. JSTOR 24204999 
  14. Hinchcliffe, Tanis (1992). North Oxford. New Haven & London: Yale University Press. p. 105. ISBN 978-0-14-071045-8 
  15. «Symonds, Sir Charles Putnam (1890–1978)». Oxford Dictionary of National Biography online ed. Oxford University Press. doi:10.1093/ref:odnb/31744  (Requer Subscrição ou ser sócio da biblioteca pública do Reino Unido.)
  16. «Poulton, Edward Bagnall (matr. 1873; F. 1898-1943)». Jesus College, Oxford. Consultado em 16 de dezembro de 2024 
  17. «Research material, "Chapter 4: 1933-37", 1925 - 1942». University of Cambridge Archives. Consultado em 16 de dezembro de 2024 
  18. Poulton E.B. 1904. What is a species? (Presidential address to the Entomological Society of London) Proceedings of the Entomological Society of London (revised version in Poulton E.B. Essays on Evolution. 1889–1907. Clarendon Press, Oxford. pp. 46–94)
  19. Poulton, E.B. (1938). «The conception of species as interbreeding communities». Proceedings of the Linnean Society of London. 150 (4): 225–226. doi:10.1111/j.1095-8312.1938.tb00182b.x 
  20. Mallet, Jim (2004). «Poulton, Wallace and Jordan: how discoveries in Papilio butterflies initiated a new species concept 100 years ago». Systematics and Biodiversity. 1 (4): 441–452. doi:10.1017/s1477200003001300 
  21. Mayr, Ernst (1942). Systematics and origin of species. New York: Columbia University Press. p. 148 
  22. Meldola, R. (25 de novembro de 1909). «Review of Charles Darwin and the Origin of species; addresses, etc., in America and England in the year of the two anniversaries by Prof. E. B. Poulton». Nature. 82 (2091): 91–93. doi:10.1038/082091a0 
  23. «Lists of Royal Society Fellows 1660–2007». London: The Royal Society. Consultado em 14 de julho de 2010. Arquivado do original em 24 de março de 2010 
  24. «No. 34119». The London Gazette (Supplement). 28 de dezembro de 1934. pp. 1–2  «No. 34135». The London Gazette. 22 de fevereiro de 1935. p. 1269 

Ligações externas