Eduardo Bueno

Eduardo Bueno
Eduardo Bueno, 2019
Nome completoEduardo Romulo Bueno[1]
Outros nomesPeninha
Nascimento
30 de maio de 1958 (67 anos)

Nacionalidadebrasileiro
Alma materUniversidade Federal do Rio Grande do Sul (Jornalismo)
Ocupaçãojornalista, tradutor, escritor, youtuber
PrêmiosOrdem do Mérito Cultural (2003)
Magnum opusBrasil, Uma História

Eduardo Romulo Bueno OMC (Porto Alegre, 30 de maio de 1958), também conhecido como Peninha, é um jornalista, escritor, tradutor e youtuber brasileiro.[2]

Bueno iniciou a vida profissional aos dezessete anos, como repórter no jornal gaúcho Zero Hora, onde ganhou o apelido de "Peninha", mesmo nome do personagem da Walt Disney Productions que trabalha no jornal A Patada. Atuou como editor, roteirista, tradutor, e trabalhou em diversos veículos de comunicação. Formou-se em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ficou conhecido do público jovem gaúcho pela sua participação no programa "Pra Começo de Conversa", da TV Educativa de Porto Alegre. Em 1988, teve também um quadro em outro programa daquela emissora educativa gaúcha, no horário do almoço, ao lado de Maria do Carmo Bueno, Zé Pedro Goulart, Cândido Norberto e outros. Também integrou a equipe do jornalista paulista Augusto Nunes no jornal Zero Hora. Atualmente comanda o canal de um milhão e meio de inscritos "Buenas Ideias" no YouTube, que narra a história do Brasil de forma descontraída.

Biografia

Literatura

Ficou conhecido nacionalmente por traduzir On the Road, de Jack Kerouac, um clássico da cultura beatnik da década de 1950, que traduziu para o português como Pé na Estrada.[3] À época (sua tradução é da década de 1980), não apenas aderiu ao movimento, como também se tornou um de seus maiores divulgadores no país.[carece de fontes?]

Aproveitando o contexto de preparação das comemorações pelos quinhentos anos do descobrimento do Brasil, fechou contrato com a Editora Objetiva para a redação de quatro livros sobre História do Brasil voltada para leigos, a Coleção Brasilis:[4]

  1. A Viagem do Descobrimento (1998);
  2. Náufragos, Traficantes e Degredados (1998);
  3. Capitães do Brasil (1999);
  4. A Coroa, a Cruz e a Espada (2006).

Apenas a vendagem dos três primeiros títulos alcançou 500 mil exemplares até 2006.[5] Nesse período, o autor lançou outras doze obras de cunho histórico, entre as quais sobre a Caixa Econômica Federal ("Caixa: Uma História Brasileira"), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária ("À Sua Saúde — A Vigilância Sanitária na História do Brasil"),[6] o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense ("Grêmio: Nada Pode Ser Maior"), a Avenida Central ("Avenida Rio Branco"), a Kimberly & Clark ("Passado a Limpo"), a Confederação Nacional da Indústria ("Produto Nacional")[7] e os Mamonas Assassinas ("Mamonas Assassinas - Blá, Blá, Blá: a Biografia Autorizada"), além de ter participado de um projeto sobre a biografia de Bob Dylan (artista pelo qual nutre uma admiração intensa).[8] Em 2023, como parte das comemorações do aniversário de 80 anos do Zé Carioca, colaborou com a graphic novel Zé Carioca conta a história do Brasil publicada pela editora Culturama.[9]

O autor considera, ainda, que há espaço para outras obras e afirma ter desejo de escrever ainda sobre o período pré-Cabralino, sobre os bandeirantes e sobre o Brasil Holandês.[10]

Livros da Caixa Econômica Federal

Em janeiro de 2025, Eduardo Bueno foi contratado pela Caixa Econômica Federal, por inexigibilidade de licitação, por 3.270.600,00 de reais, para atualizar duas obras de sua autoria sobre a história do banco, com entrega prevista para 2026 e produção de nova edição, versão bilíngue digital e websérie documental no contexto dos 165 anos da instituição, o que gerou críticas públicas quanto ao uso de recursos públicos e à dispensa de concorrência, embora o banco tenha justificado a contratação pela titularidade dos direitos autorais do autor sobre as obras originais.[11]

TV, rádio e YouTube

Entre setembro e novembro de 2007, apresentou a série "É muita história" durante o programa Fantástico da Rede Globo de Televisão. Em cada episódio, de cerca de dez minutos, Eduardo Bueno aparecia trajado como um dos personagens reais que havia participado do assunto em pauta e ia para as ruas conversar com o público. No episódio de estreia, Um Dia de Fúria, que tratou do famoso grito de "independência ou morte" bradado às margens do Rio Ipiranga, o escritor se vestiu como Dom Pedro I e conversou com caminhoneiros que faziam o mesmo trajeto percorrido pelo príncipe no dia 7 de setembro.[12]

Em junho de 2014, num programa na SporTV, Bueno usou a expressão "aquela bosta"[13] ao se referir à região Nordeste do Brasil.[14] Na sequência, chamou de "babacas" os nordestinos que o criticaram pela afirmação.[14]

Em novembro de 2022 as prefeituras das cidades gaúchas de Canela e Gramado emitiram notas de repúdio a Eduardo Bueno por falas consideradas preconceituosas e desrespeitosas ao povo e à cultura da Serra Gaúcha.[15][16] Na ocasião, Bueno relatou que as pessoas desta região do estado do Rio Grande do Sul seriam "bregas, retrógradas e ridículas".[16][17]

Em setembro de 2025, após o assassinato de Charlie Kirk, nos Estados Unidos, Bueno publicou um vídeo nas redes sociais dizendo ser "sempre terrível a morte de um ativista, né? Um ativista ser morto por suas ideias. Exceto, exceto, quando é o Charlie Kirk". Posteriormente, no mesmo vídeo, afirmou ainda ser "bom pras filhas dele" não crescerem sob a influência "de um sujeito repugnante, canalha, racista, homofóbico, ligado ao pedófilo Donald Trump". Diante da repercussão gerada, o jornalista fez uma retratação.[18][19]

Devido a esta fala, Bueno sofreu rescisão de um contrato de locação do teatro da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), no qual realizaria um evento que já contava com 600 ingressos vendidos.[20] Também em decorrência dessas falas, um podcast que contava com sua participação foi encerrado.[21] A Câmara Municipal de Porto Alegre (CMPA) aprovou, com 20 votos a favor e 6 abstenções, uma moção de repúdio contra a tal fala.[22] O Senado Federal afastou Bueno do conselho editorial[23] da casa, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, declarou que as falas de Bueno eram "asquerosas". 40 senadores assinaram o afastamento.

Jornalista versus historiador

Embora suas obras sejam utilizadas no cotidiano das salas de aula brasileiras e Bueno seja por vezes confundido com um historiador, sua formação acadêmica e experiência profissional são na área de jornalismo, o que lhe rende críticas por parte de alguns historiadores, que avaliam seus livros como superficiais e presos ao campo das curiosidades históricas, prejudicando a publicação de trabalhos mais rigorosos do campo historiográfico.[24]

Perguntado sobre essa questão por Laurentino Gomes, Eduardo respondeu:

Acho que cada vez mais essa vem se tornando uma discussão desnecessária e tola. No caso particular dos meus livros, coincidentemente ou não, aqueles que perceberam de imediato o significado e o propósito do meu trabalho, foram justamente os historiadores que sempre admirei e cuja opinião me interessava. Eles instantaneamente identificaram a óbvia diferença entre uma obra de divulgação; que é o que eu faço; e uma investigação historiográfica; que é o que possibilita o meu trabalho. Desde o início, creio ter obtido a compreensão e o respeito de profissionais renomados, todos eles grandes investigadores historiográficos, entre os quais posso citar Nicolau Sevcenko, Max Justo Guedes, Joaquim Romero Magalhães, Lilia Schwarcz e, é claro, a minha querida amiga Mary Del Priore. Mas o fato é que, a seguir, para minha surpresa e enorme orgulho, acabei recebendo elogios também de Eric Hobsbawm e Kenneth Maxwell. Acho que está de bom tamanho, não? Creio que isso enfraquece — virtualmente pulveriza — a opinião retrógrada de alguns historiadores de menor tirocínio que continuam achando que jornalistas não devem, não sabem ou não "podem" escrever sobre história.[25]

Bibliografia

Ano Título Editora Ref.
1996 Mamonas Assassinas: Blá, Blá, Blá - A Biografia Autorizada L&PM Editores
1998 A Viagem do Descobrimento — Coleção Terra Brasilis Objetiva[nota 1] [26][24]
Náufragos, Traficantes e Degredados — Coleção Terra Brasilis [26][24]
1999 Capitães do Brasil — Coleção Terra Brasilis [24]
2000 Brasil — Terra à Vista!: A Aventura Ilustrada do Descobrimento L&PM Editores
2002 Pau Brasil Axis Mundi
Caixa: Uma História Brasileira Buenas Ideias [27]
2003 Brasil, Uma História — A Incrível Saga de um País Ática[nota 2]
2005 Grêmio: Nada Pode Ser Maior Ediouro
À Sua Saúde — A Vigilância Sanitária na História do Brasil Anvisa [6]
Avenida Rio Branco, Um Século em Movimento Buenas Ideias [28]
2006 A Coroa, a Cruz e a Espada — Coleção Brasilis GMT Editores
2007 Passado a Limpo — História da Higiene Pessoal no Brasil Gabarito [7]
2008 Produto Nacional: uma história da indústria no Brasil CNI [29]
2013 Brasil, Uma História — Cinco Séculos de Um País em Construção Leya
2019 Textos contraculturais, crônicas anacrônicas & outras viagens L&PM Editores [30]
2020 Dicionário da Independência — 200 anos em 200 verbetes Piu [31]

Notas

  1. A coleção foi renomeada para Coleção Brasilis e relançada em 2016 pela GMT Editores.
  2. A coleção foi reeditada em 2012 pela editora Leya.

Referências

  1. «TJ-RS aumenta reparação para Carlos Simon por difamação em livro». Correiro do Povo. 30 de novembro de 2010. Consultado em 7 de maio de 2022 
  2. «Minha filiação ao PT terminou em divórcio litigioso». gauchazh.clicrbs.com.br. Consultado em 23 de abril de 2025 
  3. «Conheça os palestrantes que participarão do Seminário 125 anos do Tribunal de Justiça». Jusbrasil. Consultado em 20 de setembro de 2023 
  4. John, Ronie. «A Viagem do Descobrimento (Eduardo Bueno): um olhar humano sobre a chegada dos portugueses ao Brasil». Livro e Café 
  5. «Eduardo Bueno». 22 de jun. de 2011 
  6. a b «Cópia arquivada». Consultado em 29 de setembro de 2011. Arquivado do original em 23 de fevereiro de 2015 
  7. a b «Eduardo Bueno: como a história se repete no Brasil | VEJA Meus Livros». VEJA. Consultado em 30 de maio de 2021 
  8. Márcio Grings (4 de abril de 2018). «20 Anos de Bob Dylan no Opinião: Entrevista com Eduardo 'Peninha' Bueno». Memorabilia. Consultado em 11 de maio de 2020 
  9. «Conheça a história do Brasil na visão de Zé Carioca». UNIVERSO HQ. 24 de fevereiro de 2023. Consultado em 25 de fevereiro de 2023 
  10. MIRANDA, André. Depois de sete anos, sai o novo Terra Brasilis. Rio de Janeiro: O Globo. Segundo Caderno, 3 de novembro de 2006. p. 4.
  11. PODER360 (15 de setembro de 2025). «Caixa contratou Bueno por R$ 3,27 mi para atualizar livros». Poder360. Consultado em 16 de setembro de 2025 
  12. «É Muita História». Memória Globo 
  13. Negra, Geledés Instituto da Mulher (25 de junho de 2014). «Racismo; ESCRITOR DIZ QUE O NORDESTE É UMA BOSTA». Geledés. Consultado em 16 de setembro de 2025 
  14. a b «Escritor se refere ao Nordeste como 'bosta' e chama críticos nordestinos de 'babacas' - Bahia Notícias». www.bahianoticias.com.br. 26 de junho de 2014. Consultado em 16 de setembro de 2025 
  15. «Prefeitura Municipal de Canela emite nota de repúdio ao jornalista Eduardo Bueno | Portal da Folha». 3 de novembro de 2022. Consultado em 15 de setembro de 2025 
  16. a b «Peninha "detona" a Serra com referências a Gramado. Prefeito Nestor responde - Acontece Gramado». 3 de novembro de 2022. Consultado em 15 de setembro de 2025 
  17. «Nós, os "bregas", "retrógados" e "ridículos" da Serra gaúcha | Pioneiro». GZH. 2 de novembro de 2022. Consultado em 15 de setembro de 2025 
  18. «PUC-RS cancela evento com Eduardo Bueno depois de historiador comemorar morte de Charlie Kirk». Folha de S.Paulo. 14 de setembro de 2025. Consultado em 15 de setembro de 2025 
  19. «Eduardo Bueno comemora morte de Charlie Kirk e tem eventos cancelados em Porto Alegre». Estadão. Consultado em 15 de setembro de 2025 
  20. PODER360 (14 de setembro de 2025). «Morte de Kirk: PUC-RS cancela evento após escritor comemorar». Poder360. Consultado em 15 de setembro de 2025 
  21. Venâncio, Júlia. «Entenda polêmica envolvendo Eduardo Bueno e comemoração de morte de Charlie Kirk: "Censurado"». NSC Total. Consultado em 15 de setembro de 2025 
  22. Flores da Cunha, João (15 de setembro de 2025). «Aprovada moção de repúdio a Eduardo Bueno». Câmara Municipal de Porto Alegre. Consultado em 17 de setembro de 2025 
  23. Senado, Agência (17 de setembro de 2025). «Senado afasta historiador Eduardo Bueno, o 'Peninha', do Conselho Editorial». Agência Senado. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  24. a b c d Rodrigo Bonaldo (2010), Presentismo e presentificação do passado: a narrativa jornalística da história na 'Coleção Terra Brasilis' de Eduardo Bueno, Porto Alegre, Wikidata Q113558342 
  25. Gomes, Laurentino. «Em livros de sucesso, historiadores e jornalistas travam guerra sobre o país». Correio Braziliense 
  26. a b Celina Côrtes (24 de fevereiro de 1999). «Eduardo Bueno — O historiador pop». Isto É. Consultado em 5 de maio de 2020 
  27. «Catálogo». IBGE. Consultado em 7 de maio de 2022 
  28. Fernando Bueno. «Avenida Rio Branco, Um Século em Movimento». fernandobueno.com. Consultado em 7 de maio de 2022 
  29. «Biblioteca — Catálogo». IBGE 
  30. Silvio Essinger (5 de abril de 2019). «'Se você dá a sua opinião de graça, ela não deve valer nada', diz Eduardo Bueno, o Peninha». O Globo. Consultado em 5 de maio de 2020 
  31. William Mansque (2 de setembro de 2020). «Eduardo Bueno conta em dicionário a história da Independência do Brasil». GZH. Consultado em 6 de outubro de 2020 

Ligações externas