Jaba Ioseliani
| Jaba Ioseliani | |
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| Nascimento | ჯაბრაილ კონსტანტინეს ძე იოსელიანი 10 de julho de 1926 Khashuri |
| Morte | 4 de março de 2003 (76 anos) Tiblíssi |
| Sepultamento | Panteão Didube |
| Cidadania | União Soviética, Geórgia |
| Alma mater |
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| Ocupação | político, escritor |
| Distinções |
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| Causa da morte | enfarte agudo do miocárdio |
Jaba Ioseliani (10 de julho de 1926 em Khashuri - 4 de março de 2003 em Tbilisi, Geórgia)[1] foi um político, criminoso condenado e líder da organização paramilitar georgiana Mjedrioni.
Primeiros anos
Começou a estudar Estudos Orientais na Universidade Estatal de Leningrado, mas não se formou.[2] Foi preso em Leningrado por roubo a banco em 1948 e condenado a dezessete anos de prisão.[3] Libertado em 1965, foi novamente condenado por assassinato.[1]
Retornou à Geórgia, onde se formou no Instituto Georgiano de Artes Teatrais,[2] se tornando catedrático de literatura e história do teatro georgiano na universidade.[4] Escreveu várias peças populares e se envolveu na vida cultural de Tbilisi, onde se associou a Eduard Shevardnadze, líder do Partido Comunista da Geórgia.[1]
Fundação do Mjedrioni
Após a tragédia de 9 de abril de 1989, Ioseliani fundou um grupo paramilitar chamado Mjedrioni (Cavaleiros), um grupo de autodefesa fortemente armado, composto por membros com extensos antecedentes criminais.[1][5] Primeiramente confrontou os ossetas que ameaçavam independentizar-se.[1] Ele tentou tomar o controle de grandes áreas da Abecásia e da Ossétia do Sul com o objetivo de derrotar os separatistas regionais.[2]
Em fevereiro de 1991, sua organização foi proibida pelo presidente Zviad Gamsakhurdia, e ele foi preso junto com centenas de outros membros dos Mjedrioni.[1] Ioseliani fez uma greve de fome de quarenta dias em protesto.[1] Após sua prisão, Ioseliani acusou Gamsakhurdia de tentar tomar o controle da mídia estatal e silenciar seus rivais.
Golpe de Estado
Em dezembro de 1991, Ioseliani escapou da prisão e uniu forças com membros rebeldes da Guarda Nacional da Geórgia. Em janeiro de 1992, eles lançaram um violento golpe de Estado que forçou o presidente Zviad Gamsakhurdia a abandonar o cargo.[4] Ioseliani foi um dos três líderes do "Conselho Militar" que governou a Geórgia de janeiro a março de 1992. Posteriormente, tornou-se uma figura influente no governo de Eduard Shevardnadze, que foi forçado a confiar nos Mjedrionis devido à fragilidade das forças de segurança do Estado,[3] autorizando Ioseliani e os Mjedrionis a portar armas.[5] Ioseliani gozava de grande poder, com seu escritório localizado acima do escritório de Shevardnadze no prédio do Parlamento da Geórgia, e era constantemente cercado por seguidores armados.[1] Os Mjedrionis foram transformados no "Corpo de Resgate" e integrados a estrutura militar georgiana.[5][1]
Guerra na Abecásia e repressão
Ioseliani desempenhou um papel de liderança na tentativa desastrosa de submeter a província separatista da Abecásia à lei georgiana, que culminou na derrota das forças governamentais e dos Mjedrioni em agosto-setembro de 1993.
Apesar da derrota, em setembro de 1993, foi nomeado para um cargo governamental encarregado de implementar o estado de emergência nacional. Isso lhe conferiu poderes ilimitados para prender pessoas.[3] Ele usou esses poderes de forma entusiasta, impondo um regime severamente repressivo, amplamente criticado por organizações internacionais de direitos humanos.[5] Os partidários do deposto Gamsakhurdia foram duramente perseguidos, especialmente na região pró-Gamsakhurdia de Samegrelo, no oeste da Geórgia,[5] onde os Mjedrioni foram acusados de realizar execuções extrajudiciais. Também se espalharam alegações de que Ioseliani e seus seguidores sistematicamente "taxavam" empresários e indivíduos dentro de suas áreas de controle.
Tentativa de assassinato de Shevardnadze
No início de 1995, Shevardnadze ordenou o desarmamento da milícia de Ioseliani.[1] Em 29 de agosto de 1995, Shevardnadze escapou por pouco de ser assassinado em um atentado a bomba. O ataque foi atribuído a uma coalizão obscura de "forças mafiosas" que incluía Ioseliani e outros.[5] Ele foi preso em novembro de 1998[1] e mantido na prisão por três anos, aguardando julgamento. Também foi acusado do assassinato de Georgi Chanturia, chefe do Partido Nacional Democrático, do chefe do Fundo Nacional, Soliko Jabeishvili, do chefe da Polícia Rodoviária, Gii Gulua, entre outros.[4] Foi condenado a onze anos de prisão por banditismo, terrorismo e conspiração para assassinar Shevardnadze.[1] Ele negou as acusações e foi libertado em abril de 2000, em uma anistia geral de prisioneiros decretada por Shevardnadze.[1][2]
Morte
Ele planejava concorrer a um cargo público,[4] mas sofreu um ataque cardíaco em 26 de fevereiro de 2003, aos 76 anos, e faleceu uma semana depois em um hospital em Tbilisi.[2] Está sepultado em um panteão em Didibe, Tbilisi.
Referências
- ↑ a b c d e f g h i j k l m «Jaba Ioseliani. Violent. Warlord in post-Communist Georgia» (em inglês). The Independent. 25 de março de 2003
- ↑ a b c d e «Dzhaba Ioseliani, 76; Oft-Imprisoned Leader of Georgian Paramilitary Force» (em inglês). Los Angeles Times. 5 de março de 2003
- ↑ a b c RAYMOND BONNER (16 de Novembro de 1993). «Georgian Fighter Wields Guns, Money and Charm» (em inglês). The New York Times. Consultado em 21 de agosto de 2008
- ↑ a b c d Александр КРЫЛОВ (Aleksandr Krylov). «Забытые уроки Джабы Иоселиани (Olvidando las lecciones de Djaba Ioselani» (em russo). НОВАЯ ПОЛИТИКА (Novaya Politika – La Nueva Política). Cópia arquivada em 11 de maio de 2009
- ↑ a b c d e f «GEORGIA: HUMAN RIGHTS AND CHANGING AUTHORITIES» (em inglês). Former Political Prisoners for Human Rights. Cópia arquivada em 6 de janeiro de 2009
