Ducala

Ducala
Doukkalaدكالة (Dukkālah)ⵉⴷⵓⴽⴰⵍⵏ (Idukalen)
Antiga região (1997-2015)
Jebel Lakhdar (a "montanha verde", a única montanha, a leste da região de Ducala
Jebel Lakhdar (a "montanha verde", a única montanha, a leste da região de Ducala
Jebel Lakhdar (a "montanha verde", a única montanha, a leste da região de Ducala
Localização
Localização da região natural de Ducala
Localização da região natural de Ducala
Localização da região natural de Ducala
Coordenadas 🌍
País Marrocos
Região Casablanca-Settat
Região (1997-2015) Doukkala-Abda
Província El Jadida e Sidi Bennour

Ducala ( em árabe: دكالة, em berbere: ⵉⴷⵓⴽⴰⵍⵏ) é uma região natural de Marrocos composta por planícies e florestas férteis. Hoje faz parte da região administrativa de Casablanca-Settat.[1] É uma planície que se estende do Oceano Atlântico, ao sul de Sidi Rahal Chatai, até cerca de 50 km mais ao sul e à mesma distância para leste. Os principais centros urbanos são Sidi Smail, Sidi Bennour, Had Ouled Frej e Zemamra, dos quais Sidi Bennour é o que apresenta mais rápido desenvolvimento. É uma região predominantemente agrícola, com poucas atrações turísticas.

História

Historicamente, Ducala era uma confederação de tribos Amazigh, que ocupavam o território entre os rios Oum Er-Rbia e Tensift,[2] e do Oceano Atlântico até Jbilate, perto de Marraquexe. Faziam parte de uma confederação tribal muito maior, a de Barghawata, que se estendia de Anfa a Tensift, e foi um estado independente de 744 d.C. a 1058 d.C.

Os Ducala agregavam as tribos Masmuda (Ragraga, Hazmira, Banu Dghugh, Banu Magir e Mushtarayya ou Mouchtaraia), juntamente com as tribos Sanaja, estas minoritárias no conjunto.[2] Os sanajas ocupavam a costa atlântica entre Azamor e a região a sul de El Jadida.

Quando os almóadas, sob o comando de Abde Almumine, capturaram a cidade de Marraquexe em 1147, os Ducala tomaram partido contra eles e a favor da dinastia almorávida. Foram derrotados por Amumine e aniquilados, com as mulheres e as crianças vendidas como escravos.[3] Almumine trouxe tribos beduínas árabes menos rebeldes para colonizar a área, incluindo os Banu Hilal, uma coaligação de tribos que tinha derrotado anteriormente na Tunísia.[4] Entre as tribos que posteriormente se deslocaram para a região contam-se os al-Maquil.[2] Em 1250, dos Ducala, apenas os Ragraga resistiam intactos depois da conquista e subsequente povoação por tribos orientais.[2]

Desde a chegada dos Banu Hilal, houve uma fusão linguística e cultural contínua entre as populações da região. Continuou a ser possível distinguir claramente o elemento nativo berbere do árabe até o século XVI. Contudo, a arabização linguística acabou por prevalecer.[5][6] Quando o capitão James Riley visitou a região em 1770, escreveu: "nas províncias de Abdah e Duquella, que são inteiramente povoadas por árabes que vivem em tendas e em estado primitivo ou nómada (as suas tendas são feitas dos mesmos materiais e montadas da mesma maneira que as dos árabes no deserto), observei que essas pessoas eram de uma pele muito mais clara do que as do deserto; mas essa circunstância, com toda a probabilidade, devia-se ao clima ser mais temperado; ao facto de estarem menos expostos aos raios solares e mais bem protegidos pelo seu vestuário; ainda assim, suas feições eram quase as mesmas, e as de ambos têm uma forte semelhança com as dos judeus berberes, que também têm olhos negros e narizes árabes".[7]

Também vale a pena mencionar que há duas fações: os Chiadma, que estão associados aos Chiadma e aos Chtouka de Chtouka Ait Baha, que foram realojados para Ducala, ao norte do rio Oum Er-Rbia.

No final do protetorado francês (c. 1950), viviam em Ducala 372.269 muçulmanos, 2.680 europeus e 3.933 judeus.

Geografia

Uma "tazota", arquitetura antiga típica encontrada apenas na região de Ducala

A região de Ducala está dividida em três sub-regiões, paralelas ao litoral.

  • A Oulja (árabe: الولـجة), ao longo da praia, com agricultura hortícola.
  • O Sahel (árabe: الساحل), cerca de 20 km para o interior, uma região pedregosa, adequada apenas para criação de ovelhas.
  • A rica planície, com trigo, beterraba sacarina e criação intensiva de gado .

A única montanha existente faz fronteira com a planície de Rahamna e chama-se Jbel Lakhdar (em árabe: جبل لخضر), que significa "montanha verde".

A zona de planície está sujeita a inundações. Entre Sidi Bennour e Larbaa Ouled Amrane, em épocas de grande pluviosidade, forma-se um lago temporário, a que se dá o nome de Ouarar (árabe: ورار). A sua maior superfície foi registada em 1916, 1966 e 2008.

Galeria

Referências

  1. Shabeeny, El Hage Abd Salam; Jackson, James Grey (1820). Account of Timbuctoo and Housa; with Notes ... (em inglês). [S.l.: s.n.] 
  2. a b c d Boum, Aomar (2005). Doukkala (dukkâla). Lanham, Maryland: Scarecrow Press. p. 105. ISBN 978-0-8108-5341-6 
  3. Empey, Heather J. (2017). «The mothers of the caliph's sons: Women as Spoils of War during the Early Almohad Period». In: Gordon; Hain, Kathryn A. Concubines and Courtesans: Women and Slavery in Islamic History. New York: Oxford University Press. pp. 143–162,page 151 
  4. Fauvel, Jean-Jacques (1978). Le Guide bleu du Maroc (em francês). Paris: Hachette Tourisme 
  5. Michaux-Bellaire, Edouard (2010). تاريخ ناحية دكالة: دراسة جغرافية وتاريخية واجتماعية (em árabe). [S.l.]: المندوبية السامية لقدماء المقاومين وعضاء جيش التحرير،. ISBN 978-9954-522-14-1 
  6. العشيري, محمد نافع (2019). السوق اللغوية المغربية (em árabe). [S.l.]: كتوبيا للنشر والتوزيع. ISBN 978-977-6692-09-1 
  7. Riley, James (1818). An Authentic Narrative of the Loss of the American Brig Commerce, Wrecked on the Western Coast of Africa, in the Month of August, 1815: With an Account of the Sufferings of Her Surviving Officers and Crew, who Were Enslaved by the Wandering Arabs on the Great African Desert, Or Zahahrah : and Observations Historical, Geographical, &c., Made During the Travels of the Author, While a Slave to the Arabs, and in the Empire of Morocco (em inglês). [S.l.]: author 

Ligações externas