Drosera rotundifolia
Drosera rotundifolia
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| Classificação científica | |||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||
| Drosera rotundifolia Linnaeus, 1753 | |||||||||||||||
| Distribuição geográfica | |||||||||||||||
![]() Vermelho = comum; Rosa = dispersado
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Drosera rotundifolia L., vulgarmente conhecida como rorela, orvalhinha e orvalhinha-redonda, é uma planta carnívora perene da família Droseraceae[1][2]. Caracteriza-se pelas folhas dispostas em roseta basal, de forma circular, cobertas por tentáculos glandulares que segregam uma substância viscosa utilizada na captura de insetos. A espécie ocorre sobretudo em ambientes húmidos e oligotróficos, estando associada a turfeiras e solos permanentemente encharcados[3].
Em várias tradições de medicina popular europeia, Drosera rotundifolia tem sido usada para aliviar tosse, bronquite e espasmos respiratórios, sendo tradicionalmente preparada em infusões calmantes para o trato respiratório[4]. Os extratos de D. rotundifolia têm também respaldo científico em estudos farmacológicos como agente anti‑inflamatório e para efeitos antiespasmódicos, e compostos como flavonoides e naftoquinonas são considerados responsáveis por essas atividades[5].
Distribuição e ecologia
Drosera rotundifolia apresenta uma ampla distribuição no hemisfério norte, ocorrendo na Europa, Ásia e América do Norte[1]. Prefere habitats frios a temperados, com elevada humidade e solos pobres em nutrientes minerais. É comum em turfeiras, charnecas húmidas, pântanos e margens de zonas alagadas[1].
A espécie obtém parte dos nutrientes essenciais através da digestão de pequenos insetos, compensando a pobreza dos solos onde se desenvolve[6]. A floração ocorre geralmente durante os meses de verão, sendo as flores pequenas, brancas e de curta duração[3][7].
Taxonomia
A espécie foi descrita por Carl Linnaeus em 1753, na obra Species Plantarum. Integra o género Drosera, um dos mais representativos das plantas carnívoras, com várias centenas de espécies descritas a nível mundial[8][9].
A Drosera rotundifolia distingue-se de espécies próximas, como Drosera intermedia e Drosera anglica, pela forma arredondada das folhas e pela disposição da roseta junto ao solo.
Portugal
Trata-se de uma espécie nativa de Portugal, ocorrendo associada sobretudo a turfeiras e zonas húmidas bem conservadas, maioritariamente no norte e centro[2]. A sua presença está intimamente ligada a habitats com regime hídrico estável e baixos níveis de perturbação antrópica muitas vezes associada a musgos do género sphagnum[2].
A degradação e drenagem das zonas húmidas têm contribuído para a regressão das suas populações, tornando-a um importante indicador da qualidade ecológica destes ecossistemas[10].
Proteção
Em Portugal, Drosera rotundifolia não possui estatuto legal de proteção específico, nem consta das listas nacionais de espécies legalmente protegidas, embora a sua ocorrência esteja associada a habitats cuja conservação é regulada por legislação ambiental nomeadamente turfeiras e zonas húmidas[11][12].
Em vários países europeus, a espécie beneficia de medidas de conservação ao abrigo da proteção dos habitats naturais, sendo desaconselhada ou proibida a colheita de exemplares silvestres[13].
Cultivo
O cultivo de Drosera rotundifolia é possível, mas requer condições semelhantes às do seu habitat natural. Necessita de substratos ácidos e pobres em nutrientes, elevada humidade e água isenta de sais minerais[14]. A espécie exige ainda um período de dormência invernal, com temperaturas baixas, para completar o seu ciclo biológico[15].
O cultivo deve ser feito exclusivamente a partir de plantas produzidas em viveiro, evitando a recolha de exemplares na natureza.

Ver também
- Pinguicula vulgaris
- Pinguicula lusitanica
- Drosera intermedia
- Drosophyllum lusitanicum
- Utricularia australis
- Utricularia gibba
- Utricularia subulata
Referências
- ↑ a b c «Drosera rotundifolia L. | Plants of the World Online | Kew Science». Plants of the World Online (em inglês). Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ a b c «Flora-On | Flora de Portugal». flora-on.pt. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ a b «Drosera rotundifolia L.». WFO The World Flora Online. 04 de junho de 2024. Consultado em 11 de janeiro de 2026 Verifique data em:
|data=(ajuda) - ↑ «Drosera rotundifolia – Artemis Herbal Remedies Database» (em inglês). 7 de outubro de 2025. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ Fukushima, Kenji; Nagai, Kanji; Hoshi, Yoshikazu; Masumoto, Saeko; Mikami, Ichiho; Takahashi, Yumiko; Oike, Hideaki; Kobori, Masuko (17 de agosto de 2009). «Drosera rotundifolia and Drosera tokaiensis suppress the activation of HMC-1 human mast cells». Journal of Ethnopharmacology (1): 90–96. ISSN 1872-7573. PMID 19540325. doi:10.1016/j.jep.2009.06.009. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ «Drosera rotundifolia». bsbi.org (em inglês). Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ «Espécies em Portugal». www.appcarnivoras.org. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ «International Plant Names Index». www.ipni.org. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ «Drosera rotundifolia | International Plant Names Index». www.ipni.org. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ Azevedo, Carine (16 de julho de 2021). «O que procurar no Verão: orvalhinhas, plantas carnívoras nativas». Wilder. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ «Resources | IUCN». iucn.org (em inglês). Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ «ICNF - Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas». www.icnf.pt. Consultado em 11 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 17 de novembro de 2025
- ↑ Baranyai, B.; Joosten, H. (9 de setembro de 2016). «Biology, Ecology, Use, Conservation and Cultivation of Round-Leaved Sundew (Drosera Rotundifolia L.): A Review». Mires and Peat (em inglês). doi:10.19189/MaP.2015.OMB.212. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ «Drosera rotundifolia (Roundleaf Sundew)». Gardenia (em inglês). Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ «Growing cold temperate Drosera | ICPS». www.carnivorousplants.org. Consultado em 11 de janeiro de 2026


