Dorothy Vaughan

Dorothy Johnson Vaughann
Dorothy Vaughan[1]
Nascimento
Kansas City, Missouri,
Estados Unidos
Morte
10 de novembro de 2008 (98 anos)[2]

Hampton, Virgínia
Estados Unidos
ResidênciaEstados Unidos
Nacionalidadenorte-americana
Alma materUniversidade Wilberforce (1929)
Carreira científica
InstituiçõesNACA, Langley Research Center
Campo(s)Matemática

Dorothy Johnson Vaughan (Kansas City, 20 de setembro de 1910Hampton, 10 de novembro de 2008), foi uma matemática estadunidense, que trabalhou na National Advisory Committee for Aeronautics (NACA), a agência predecessora da NASA. Em 1949, ela foi a primeira mulher negra a ser promovida chefe de departamento na NASA.[3]

Vida pessoal e educação

Nascida Dorothy Johnson, em Kansas City, Missouri, era filha de Annie e Leonard Johnson. Quando era adolescente, a família se mudou para Morgantown, Virgínia Ocidental, formando-se no ensino médio em 1925, entrou na Universidade Wilberforce, em Ohio em 1929.[4]

Tornou-se professora para auxiliar a família, abandonando o sonho de fazer mestrado, durante a Grande Depressão.[3] Casou-se em 1932, com Howard Vaughan e tiveram quatro filhos. Para ganhar algum dinheiro durante as férias e aumentar a renda da família, Dorothy começou a trabalhar na lavanderia de um quartel durante a Segunda Guerra Mundial.[5] Foi nessa época que viu vagas abertas para gente com formação em matemática para o Langley Research Center, especializando-se em rotas de voo, Projeto Scout, e programação FORTRAN.[3][4]

Ordem Executiva 8802

A Ordem Executiva 8802 proibia a discriminação racial na indústria de defesa nos Estados Unidos, o que permitiu a contratação de negros para os órgãos federais, sem discriminação de cor, ao menos no papel.[5] Foi esta ordem que possibilitou a contratação de dezenas de profissionais negros para agências como a NACA e foi ela quem possibilitou a contratação de Dorothy, em 1943. Uma vez contratada, ela foi designada para a West Area Computers, uma área segregada da instalação, com mulheres negras com formação em matemática, cujos cálculos foram usados em projetos espaciais e de aviação.[3][4]

A área era segregada, mesmo que uma lei federal impedisse a segregação. Um cartaz na cafeteria da instalação foi removido diversas vezes, que designava uma mesa apenas para negros, até que a placa não foi mais recolocada.[3][5][6]

West Area Computers

Em 1949, ela se tornou chefe da West Area Computers, um grupo de trabalho composto inteiramente de mulheres negras e matemáticas. Essa promoção a tornou a primeira supervisora negra na NASA, uma das poucas mulheres, em uma época em que o racismo era explícito no país.[3][7][8]

Como líder da equipe, ela instruiu novos conceitos aos funcionários, tanto os novos quanto os já existentes. A matemática Katherine Johnson foi designada para o grupo de Dorothy antes de ser transferida para o Langley's Flight Research Division. Em uma entrevista em 1994, ela relembrou os tempos em que trabalhou em Langley na Era Espacial e que sentia que "trabalhava no limite de algo muito excitante".[9]

Dorothy lembra do trabalho:

Dorothy continuou em Langley depois da NACA se tornar NASA, isso foi bom, pois contribuiu ainda mais para a queda do preconceito na agência, mas trouxe uma novidade: a NASA decidiu dar vez à tecnologia de ponta da época e adotar o uso de computadores IBM para fazer os cálculos, uma vez que sairia mais barato e seria muito mais rápido do que depender de cálculos feitos a mão por humanos. Esse posicionamento significava demitir grande parte do grupo dos “computadores”. Aqui vem a maior prova da tenacidade e genialidade de Dorothy: ela foi se especializando sozinha em computação e em programação FORTRAN (e ensinou as pessoas de seu departamento). Com isso, garantiria o emprego de sua equipe e supriria a necessidade de funcionários na até então novíssima equipe de computação (Analysis and Computational Division - ACD). Ela abriu enormes oportunidades à mulheres negras para trabalhar no setor e se firmarem como referência profissional em um setor que, conforme se esperava na época, seria dominado por brancos.[10] Trabalhou nos centros de pesquisa e análise computacional de Langley, participando dos testes do Projeto Scout (Solid Controlled Orbital Utility Test system) na Wallops Flight Facility.[11][12]

Morte

Dorothy se aposentou da NASA em 1971 e faleceu em 10 de novembro de 2008.

Em 2016, o nome de Dorothy voltou à mídia no filme Hidden Figures,[13] no qual ela é interpretada pela ganhadora do Oscar, a atriz Octavia Spencer.[14] O filme é baseado no livro de mesmo nome, da escritora Margot Lee Shetterly, que documenta as trajetórias de Dorothy, Katherine Johnson e Mary Jackson.[15]

Referências

  1. «Human Computers - NasaCRgis». Crgis.ndc.nasa.gov. Consultado em 22 de setembro de 2016 
  2. «Dorothy Vaughan Obituary - Hampton, VA - Daily Press». Daily Press 
  3. a b c d e f g Shetterly, Margot Lee (2016). Hidden Figures: The American Dream and the Untold Story of the Black Women Mathematicians Who Helped Win the Space Race. Nova York: William Morrow. p. 368. ISBN 978-0062363596 
  4. a b c «Hidden Figure: Dorothy Vaughan». Spelman College. Consultado em 3 de janeiro de 2017 
  5. a b c «The Human Computer Project» 
  6. «NYMag "The Hidden Black Women Who Helped Win the Space Race"» 
  7. «DOROTHY VAUGHAN (nee JOHNSON)» (PDF). NASA 
  8. http://crgis.ndc.nasa.gov/crgis/images/2/29/VaughanBio.pdf
  9. «DOROTHY VAUGHAN (nee JOHNSON)» (PDF). NASA 
  10. Bertoleti, Pedro. «Dorothy Vaughan (ART3969)». newtoncbraga. Consultado em 27 de junho de 2025 
  11. «The Women In Aeronautical Research- Beverly Golemba, 1990» (PDF). NASA 
  12. «Conheça as cientistas negras por trás de "Estrelas Além do Tempo" | EXAME.com - Negócios, economia, tecnologia e carreira». exame.abril.com.br. Consultado em 15 de janeiro de 2017 
  13. «Hidden Figures Movie» 
  14. «The Movie About NASA's Black Female Scientists That's Been A Long Time Coming». Think Progress 
  15. Melfi, Theodore (25 de dezembro de 2016), Hidden Figures, consultado em 22 de novembro de 2016