Dormideira-cinzenta

Dormideira-cinzenta

Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante
Classificação científica
Reino: Animalia
Divisão: Chordata
Classe: Reptilia
Superfamília: Colubroidea
Família: Dipsadidae
Subfamília: Dipsadinae
Género: Dipsas
Espécie: D. neuwiedi
("Ihering", 1911)

Dipsas neuwiedi é uma pequena espécie de serpente não peçonhenta[1] da família Dipsadidae endêmica da Mata Atlântica. Em algumas localidades do Brasil esta espécie é popularmente conhecida como cobra dormideira-cinzenta ou casco-de-burro.[2]

Alimenta-se preponderantemente de moluscos. Esta espécie possui adaptações morfológicas no crânio e mandibulas as quais auxiliam na remoção de gastrópodes de suas conchas.[3]

Até 2018 a espécie era classificada como pertencente ao gênero Sybilomorphus. Entretanto, análises moleculares e filogenéticas de 2012 e 2018 sugeriram que o gênero Sibynomorphus deveria ser sinonimizado como Dipsas.[4][3]

Habitat

Esta espécie de cobra é amplamente distribuída pela Mata Atlântica, percorrendo o litoral brasileiro do Estado de Pernambuco até a fronteira de Santa Catarina e Rio Grande do Sul em fragmentos de floresta ombrófila e campos de cerrado, incluindo enclaves de mata na caatinga[5].

Características e Comportamento

É uma espécie terrestre e possui hábitos noturnos. Devido ao seu padrão de cores, é frequentemente confundida com espécies de jararaca, mas é totalmente inofensiva. Associada a formações abertas como campos e cerrados.[3]. Serpente de pequeno porte, coloração escura, manchas no dorso e ventre claro.

Apesar de estarem no mesmo grupo que outras cobras venenosas, não possui veneno perigosos a humanos [1] e nem aparato de injeção de veneno. Porém, possuem glândulas infralabiais associadas a seu hábito alimentar [6].

Alimentação

Sua dieta moluscívora consiste basicamente de lesmas e caracóis, semelhante ao observado para as demais espécies da subfamília Dipsadidae. Por isso são conhecidas como "Papa-lesmas" ou goo-eaters, em inglês[7]. Possui características do crânio que permitem ao animal alimentar-se de gastrópodes, sem fraturar suas conchas. Estas serpentes inicialmente mordem as partes moles do caracol, secretando nelas o produto das glândulas orais ou infralabiais[8], o que provoca quebra de moléculas do muco do molusco; numa segunda etapa, retiram o animal já inerte da sua própria concha e o engolem.[1]

Reprodução

É ovípara com ciclo reprodutivo sazonal entre julho e dezembro, havendo registro de uma desova composta por 10 ovos. Quando capturadas utilizam descargas cloacais fétidas como comportamento defensivo.[9]

Referências

  1. a b c «Cobra dormideira é venenosa? Entenda». G1. 21 de dezembro de 2022. Consultado em 19 de maio de 2023 
  2. «Dipsas neuwiedi: Silveira, A.L., Prudente, A.L. da C., Argôlo , A.J.S., Abrahão, C.R., Nogueira, C. de C., Strüssmann , C., Loebmann, D., Barbo, F.E., Franco, F.L., Costa, G.C., de Moura, G.J.B., Zaher, H. el D., Borges-Martins, M., Martins, M.R.C., Oliveira , M.E., Hoogmoed, M.S., Marques, O.A.V., Passos, P.G.H., Bérnils, R.S., Kawashita-Ribeiro, R.A., Sawaya, R.J. & da Costa, T.B.G.». IUCN Red List of Threatened Species. 31 de dezembro de 2012. Consultado em 19 de maio de 2023 
  3. a b c Maia, Thiago; Dorigo, Thiago Arnt; Gomes, Suzete Rodrigues; Santos, Sônia Barbosa; Rocha, Carlos Frederico Duarte (20 de outubro de 2011). «Sibynomorphus neuwiedi (Ihering, 1911) (Serpentes; Dipsadidae) and Potamojanuarius lamellatus (Semper, 1885) (Gastropoda; Veronicellidae): a trophic relationship revealed». Biotemas (1). ISSN 2175-7925. doi:10.5007/2175-7925.2012v25n1p211. Consultado em 19 de maio de 2023 
  4. ARTEAGA, Alejandro et al. Systematics of South American snail-eating snakes (Serpentes, Dipsadini), with the description of five new species from Ecuador and Peru. ZooKeys, n. 766, p. 79, 2018.
  5. ANDRADE, Hugo et al. Dipsas neuwiedi Ihering, 1911 (Squamata, Dipsadidae): Review of distribution extension and first record in the State of Sergipe, Northeastern Brazil. Herpetology Notes, v. 12, p. 409-417, 2019.
  6. DE OLIVEIRA, Leonardo et al. Oral glands in dipsadine “goo-eater” snakes: morphology and histochemistry of the infralabial glands in Atractus reticulatus, Dipsas indica, and Sibynomorphus mikanii. Toxicon, v. 51, n. 5, p. 898-913, 2008.
  7. ASSEMBLAGES, Snake. Phylogenetic Patterns, Biogeography, and the Ecological Structure of Neotropical. Species Diversity in Ecological Communities: Historical and Geographical Perspectives, p. 281, 1993.
  8. DE OLIVEIRA, Leonardo et al. Oral glands in dipsadine “goo-eater” snakes: morphology and histochemistry of the infralabial glands in Atractus reticulatus, Dipsas indica, and Sibynomorphus mikanii. Toxicon, v. 51, n. 5, p. 898-913, 2008.
  9. Delaney, Patrick John Victor. «Fisiografia e geologia de superfície da planície costeira do Rio Grande do Sul». Consultado em 19 de maio de 2023