Domo A

Domo A
Domo Argus
Antártida
Antártida
Coordenadas 🌍
Altitude 4 087[1] m
Proeminência 1 338[1] m
Listas Ribu
Localização Antártida

O Domo A ou Domo Argus é o mais alto domo de gelo do Planalto Antártico, situado a 1.200 km do litoral. É considerado o local naturalmente mais frio da Terra, com temperaturas que podem atingir entre -90°C e -98°C.[2] É a formação de gelo mais alta da Antártida, com um domo de gelo que alcança 4.087 m acima do nível do mar. Está localizado próximo ao centro da Antártida Oriental, aproximadamente a meio caminho entre a cabeceira do enorme Glaciar Lambert e o Polo Sul geográfico, dentro da reivindicação australiana.

Descrição

O Domo A situa-se na imensa Calota de Gelo da Antártida Oriental e é a formação de gelo mais alta da Antártida.[3] O Domo A é uma proeminência de gelo elevada, o ponto mais alto do Planalto Antártico, mas sua elevação não é visualmente perceptível. Sob pelo menos 2.400 m desse enorme domo de gelo, encontra-se a Cordilheira Gamburtsev, com tamanho comparável aos Alpes europeus.[4]

O nome "Domo Argus" foi atribuído pelo Instituto de Pesquisa Polar Scott, inspirado na mitologia grega. Argus [en] construiu o navio Argo, no qual Jasão e os Argonautas viajaram para Cólquida em busca do Velo de Ouro.[5]

Este local é um dos mais secos do planeta, recebendo apenas 1 a 3 cm de neve por ano.[6][7] Devido a isso, aliado ao clima calmo, é um excelente ponto para coleta de amostras de núcleos de gelo para pesquisas de paleoclimatologia.[8]

Exploração

Em janeiro de 2005, uma equipe das Expedições Nacionais Antárticas Chinesas (CHINARE) percorreu 1.228 km desde a Estação Zhongshan até o Domo A e identificou o ponto mais alto da calota de gelo (4.093 m acima do nível do mar) nas coordenadas 80°22'S, 77°21'E. Este ponto está próximo a uma extremidade de uma crista alongada (com cerca de 60 km de comprimento e 10 km de largura), que é uma importante divisória de gelo e apresenta uma diferença de elevação de apenas alguns metros ao longo de seu comprimento. Uma estação meteorológica automática foi instalada no Domo A, e uma segunda estação foi colocada aproximadamente a meio caminho entre o cume e a costa, em um local chamado Eagle (76°25'S, 77°01'E, 2.830 m acima do nível do mar).[9] Essas estações são operadas em colaboração contínua entre China e Austrália, incluindo uma terceira estação (LGB69) em 70°50'S, 77°04'E, a 1.854 m de altitude, em operação desde janeiro de 2002.[10] A estação no Domo A é alimentada por células solares e combustível diesel, exigindo manutenção e reabastecimento anuais.

Temperaturas extremas

A temperatura mais baixa registrada por termômetro no Domo A desde janeiro de 2005 foi de -82,5 °C, em julho de 2005. Esse recorde pode ter sido superado por uma leitura não confirmada de -82,7 °C em junho de 2019.[11] A menor temperatura de superfície já medida na Terra (-93,2 °C) foi registrada por satélite em 10 de agosto de 2010, entre o Domo Argus e o Domo Fuji [en].[12] Análises de dados de satélite e modelos atmosféricos indicam que a Cordilheira A, localizada 144 km a sudeste do Domo A, pode ser um local ainda mais promissor para encontrar as temperaturas mais baixas do planeta.[13]

Observatório

O Instituto de Pesquisa Polar da China instalou um observatório robótico chamado PLATO (Observatório do Planalto) no Domo A em janeiro de 2008.[14] O PLATO foi projetado e construído pela Universidade de Nova Gales do Sul, em Sydney, Austrália, para servir como plataforma para observações astronômicas e testes de condições do local.[15] Instituições da Austrália, Estados Unidos, China e Reino Unido forneceram instrumentos instalados no PLATO, incluindo CSTAR, Gattini, PreHEAT, Snodar, Nigel e câmeras web do PLATO.

O Instituto de Sensoriamento Remoto, Academia Chinesa de Ciências, estabeleceu um sistema de observação baseado em tecnologia de rede sem fio, chamado Dome A-WSN, no domo em janeiro de 2008.[16]

A Estação Kunlun, terceira base da China na Antártida, foi estabelecida no domo em 27 de janeiro de 2009.[17] Atualmente, a Estação Kunlun é adequada como estação de verão, mas há planos para desenvolvê-la ainda mais e construir um aeródromo nas proximidades para facilitar o acesso, já que não é alcançável por helicópteros.[18]

Ver também

Referências

  1. a b «World Ribus – East Antarctica Ranges». World Ribus. Consultado em 26 de agosto de 2025 
  2. Scambos, T. A.; Campbell, G. G.; Pope, A.; Haran, T.; Muto, A.; Lazzara, M.; Reijmer, C. H.; Van Den Broeke, M. R. (2018). «Ultralow Surface Temperatures in East Antarctica From Satellite Thermal Infrared Mapping: The Coldest Places on Earth». Geophysical Research Letters. 45 (12): 6124–6133. Bibcode:2018GeoRL..45.6124S. doi:10.1029/2018GL078133. hdl:1874/367883 
  3. «Dome A». Geographic Names Information System. geonames.usgs.gov (em inglês). Consultado em 26 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 2 de junho de 2021 
  4. Jonathan Amos (13 de dezembro de 2006). «Survey targets 'ghost' mountains». BBC. Consultado em 26 de agosto de 2025 
  5. Advisory Committee on Antarctic Names, U.S. Board on Geographic Names. «Decisions of the U.S. Board on Geographic Names». U.S. Geological Survey. Consultado em 27 de agosto de 2025 
  6. Cui, XiangBin; Sun, Bo; Tian, Gang; Tang, XueYuan; Zhang, XiangPei; Jiang, YunYun; Guo, JingXue; Li, Xin (2010). «Ice radar investigation at Dome A, East Antarctica: Ice thickness and subglacial topography». Chinese Science Bulletin (em inglês). 55 (4-5): 425–431. ISSN 1001-6538. doi:10.1007/s11434-009-0546-z 
  7. Roberts, J.; Plummer, C.; Vance, T.; Van Ommen, T.; Moy, A.; Poynter, S.; Treverrow, A.; Curran, M.; George, S. (28 de novembro de 2014), A two thousand year annual record of snow accumulation rates for Law Dome, East Antarctica, Copernicus GmbH, doi:10.5194/cpd-10-4469-2014, consultado em 28 de agosto de 2025 
  8. Ren, JiaWen; Xiao, CunDe; Hou, ShuGui; Li, YuanSheng; Sun, Bo (março de 2009). «New focuses of polar ice-core study: NEEM and Dome A». Science Bulletin (em inglês) (6): 1009–1011. ISSN 2095-9273. doi:10.1007/s11434-009-0012-y. Consultado em 27 de agosto de 2025 
  9. Ding, Minghu; Zou, Xiaowei; Sun, Qizhen; Yang, Diyi; Zhang, Wenqian; Bian, Lingen; Lu, Changgui; Allison, Ian; Heil, Petra; Xiao, Cunde (15 de novembro de 2022). «The PANDA automatic weather station network between the coast and Dome A, East Antarctica». Earth System Science Data (em inglês). 14 (11): 5019–5035. ISSN 1866-3516 
  10. BIAN Lingen, Ian Allison, XIAO Cunde, MA Yongfeng, FU Liang & DING Minghu (2016). «Climate and meteorological processes of the East Antarctic ice sheet between Zhongshan and Dome-A» (PDF). Advances in Polar Science. 27 (2): 90-101. doi:10.13679/j.advps.2016.2.00090 
  11. G. Ballester Valor (2019). «Dome A Synop Report Summary». Ogimet.com. Consultado em 26 de agosto de 2025 
  12. «NASA-USGS Landsat 8 Satellite Pinpoints Coldest Spots on Earth». Consultado em 11 de dezembro de 2013. Cópia arquivada em 15 de março de 2014 
  13. Saunders, Will; Lawrence, Jon S.; Storey, John W. V.; Ashley, Michael C. B.; Kato, Seiji; Minnis, Patrick; Winker, David M.; Liu, Guiping; Kulesa, Craig (2009). «Where Is the Best Site on Earth? Domes A, B, C, and F, and Ridges A and B». Publications of the Astronomical Society of the Pacific. 121 (883): 976–992. Bibcode:2009PASP..121..976S. arXiv:0905.4156Acessível livremente. doi:10.1086/605780 
  14. «International team establishes unique observatory in Antarctica». spacenews.com. 3 de fevereiro de 2008. Consultado em 5 de fevereiro de 2008 
  15. «PLATO – Dome A robotic observatory». UNSW. 22 de dezembro de 2009. Consultado em 26 de agosto de 2025 
  16. «中国科考队在南极Dome-A成功安装无线传感器网络». 30 de junho de 2008 
  17. «China sets up 3rd Antarctic research station». 28 de janeiro de 2009. Consultado em 26 de agosto de 2025 
  18. «Dome A – coldest place on Earth». NASA. 2013. Consultado em 26 de agosto de 2025 

Ligações externas