Dom Quixote (personagem)
| Alonso Quijano | |
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| Personagem de Dom Quixote | |
![]() Alonso Quijano, conforme ilustrado por Ricardo Balaca em versão de Dom Quixote, entre 1880-1883. | |
| Informações gerais | |
| Criado(a) por | Miguel de Cervantes |
| Informações pessoais | |
| Nome completo | Alonso Quijano (Quixano) |
| Codinomes conhecidos |
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| Informações profissionais | |
| Ocupação | |
| Base de operações | Mancha |
Alonso Quijano, também escrito Alonso Quixano,[nota 1] é o verdadeiro nome do fidalgo Dom Quixote, personagem protagonista do romance Dom Quixote, escrito por Miguel de Cervantes, que, conforme explicado no começo da obra, queria dar a si mesmo um nome, e após oito dias pensando a respeito, finalmente decidiu chamar-se Dom Quixote.
Ao longo da narrativa, outros nomes ou apelidos de Alonso Quijano aparecem, tais como o "Cavaleiro da Triste Figura", dado a ele por seu próprio escudeiro, Sancho Pança, ou "Cavaleiro dos Leões", nome que Dom Quixote adota após sua aventura com os leões, narrada na segunda parte do livro, em seu capítulo XVII. Finalmente, em sua própria aldeia, recebe um epíteto, vindo a ser conhecido como "Alonso Quijano, o Bom".[1]
Identidade e vida pessoal
Alonso Quijano é o verdadeiro nome de Dom Quixote, protagonista da obra homônima de Miguel de Cervantes.[2][3][4] Embora o narrador use variações de seu nome no começo do livro, tais como Quijada ou Quejana,[4] seu nome correto só é revelado ao leitor no final da história.[4] Depois que recupera sua sanidade, passa a ser chamado de "Alonso Quijano, o Bom".[5][3]
Quijano era um fidalgo pobre,[2][3][4] que morava em "um lugar da Mancha" cujo nome é desconhecido.[2][3][4] Sua condição de fidalgo significava que ele não trabalhava.[4] Seus recursos eram modestos, suficientes para viver com dignidade, mas sem luxos.[4] Para que pudesse comprar mais livros de cavalaria, chegou a vender muitas de suas terras, colocando em risco sua própria sobrevivência.[4]
O fidalgo tinha cerca de 50 anos,[4][3][6][7] e era magro de corpo e de rosto.[7] Vivia com sua ama, sua sobrinha, chamada Antonia Quijana, e também com um moço de campo e praça.[4]
Personalidade
Alonso Quijano era considerado um homem bom e honrado, querido por seus vizinhos.[4] Intelectual e homem de letras, demonstrava profundos e amplos conhecimentos, apesar de ser autodidata.[4] Sua vida era de quase total inatividade, levando-o a uma monotonia brutal e a um tédio insuportável.[4]
Em termos de sua vida afetiva, era um solteirão, sem nenhuma intenção de se casar ou de firmar compromissos sérios e duradouros.[4] Sentimentalmente, era de pobreza absoluta e vazio total, o que se devia a uma timidez patológica que o impedia de se comunicar.[4] Nutria um amor platônico por Aldonza Lorenzo, uma lavradora, que durou pelo menos 12 anos sem que ela jamais soubesse.[3][4] Por falta de vivências, ele era sonhador e imaginativo.[4]
Loucura e a criação do duplo
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A loucura de Alonso Quijano foi causada por "muito ler e pouco dormir", o que lhe "secou os miolos".[2][3][4][7] A passagem da razão para a loucura ocorreu tão naturalmente "como quem abriu uma porta e a tornou a fechar".[2][3] Sua transformação em Dom Quixote é vista como a morte simbólica do fidalgo.[4][7]
Dom Quixote é o alter ego de Alonso Quijano,[2][7] nascido pela simples vontade de deixar de ser quem era.[2][3] Reformou o mundo para fazer com que se adequasse à sua nova identidade de cavaleiro,[2] transformando a lavradora Aldonza Lorenzo em sua amada senhora, Dulcineia del Toboso,[2][3] e seu rocim, um cavalo magro, em Rocinante.[2][3] Além disso, prometeu ao lavrador Sancho Pança o governo de uma ilha para que ele aceitasse servi-lo como escudeiro.[3][7]
Quixote tornou sua missão fazer justiça[4][7] e desfazer agravos.[7] Seu comportamento, que busca ideais nobres mas é impraticável, deu origem ao termo "quixotismo".[8]
A morte e o fim
A derrota de Dom Quixote pelo Cavaleiro da Branca Lua, na verdade Sansão Carrasco, em Barcelona, é o ponto de virada.[5] Derrotado, o cavaleiro andante se vê obrigado a voltar para casa e renunciar à cavalaria por um ano.[5] De volta à sua casa, adoece com febres, e seu médico diagnostica que melancolias e desolações estavam acabando com ele.[5]
Após seis dias doente, em seu leito de morte, Alonso Quijano recupera o juízo e confessa estar livre dos enganos da cavalaria:[3][5] no momento de sua morte, se encontra completamente são.[3] Realiza seu testamento, um ato que simboliza a passagem definitiva das armas para as letras do direito, além do alcance da paz.[5] Fidalgo e cavaleiro morrem juntos,[7][8] e Alonso Quijano morre como o vencedor de si mesmo.[5]
Notas
- ↑ Ambas as grafias estão corretas e referem-se ao nome verdadeiro do protagonista de Dom Quixote. Alonso Quijano é a grafia utilizada por Miguel de Cervantes na obra original em castelhano, e em traduções para o português como a realizada por Almir de Andrade e Milton Amado; já Alonso Quixano aparece em outras traduções para o português, como a realizada por Ernani Ssó.
Referências
- ↑ Vera, Susana (25 de novembro de 2014). «Encuentran documentos que avalan la historia real de 'Don Quijote'». RT Online (em espanhol). Consultado em 24 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 27 de novembro de 2014
- ↑ a b c d e f g h i j Saramago, José (5 de janeiro de 2023). «A outra razão de Alonso Quijano». Specimen - The Babel Review of Translations. Consultado em 24 de novembro de 2025
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n Rodrigues, Evaldo Teles (2018). «Loucura e estigma à luz da obra Dom Quixote de La Mancha». Universidade Federal de Campina Grande. Consultado em 24 de novembro de 2025
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t Arrieta, Ascunce; Ángel, José (2005). «Alonso Quijano : el héroe olvidado de la tragedia quijotesca» (em espanhol). Consultado em 24 de novembro de 2025
- ↑ a b c d e f g Barros, Lorenzo de Carpena F. C.; Karam, Henriete (2024). «Das armas às letras: as concepções de justiça no "Quixote"». ANAMORPHOSIS - Revista Internacional de Direito e Literatura (2): e1247–e1247. ISSN 2446-8088. doi:10.21119/anamps.10.1.e1247. Consultado em 24 de novembro de 2025
- ↑ Ruibal, María Elena (1 de dezembro de 2005). «Alonso Quijano, vencedor de sí mismo». Humanidades: revista de la Universidad de Montevideo (em espanhol) (Año 5): 61–71. ISSN 2301-1629. Consultado em 24 de novembro de 2025
- ↑ a b c d e f g h i Fróes, Thalita Sasse; Cánovas, Suzana Y. L. M. (2013). «Variações do mito do duplo em Dom Quixote de La Mancha» (PDF). Anais do SILEL. Volume 3, Número 1. Uberlândia. Consultado em 24 de novembro de 2025
- ↑ a b Souza, Eunice Prudenciano de (22 de novembro de 2017). «O quixotismo como forma de existência». Letras de Hoje (2): 224–233. ISSN 1984-7726. doi:10.15448/1984-7726.2017.2.26092. Consultado em 24 de novembro de 2025
