Dom Pedro II na Guerra do Paraguai

A atuação de D. Pedro II na Guerra do Paraguai, iniciou após a invasão da província do Mato Grosso pelas forças armadas paraguaias em dezembro de 1864.
O Primeiro Voluntário da Pátria
Em dezembro de 1864, o presidente do Paraguai, Francisco Solano López, ordenou a captura do navio a vapor civil brasileiro Marquês de Olinda. O exército paraguaio invadiu a província do Mato Grosso depois, A guerra iniciou no dia 13 de dezembro. Quatro meses depois, as forças armadas paraguaias adentraram território argentino para atacar a província do Rio Grande do Sul . [1] [2] [3] As invasões foi recebidas com surpresa pela população. [3] O Brasil havia anteriormente descartado o potencial bélico paraguaio. [3] D. Pedro II, assim como a maior parte dos brasileiros, ficou furioso [4] ele considerou os ataques injustificáveis e sentiu que as medidas punitivas eram a melhor resposta. [3] Essa resolução foi reforçada pela antipatia do Imperador pelos ditadores que eram comuns na América Latina. [3]
Porém, D. Pedro II tentou acalmar a nação em um evento no dia 6 de maio de 1865, durante o qual abordou preocupações em questões como na saúde pública, na economia e nos casamentos de suas filhas. Ele faz apenas breves menções à Questão Christie e à invasão paraguaia. [5] Ele resistia em ver o Brasil se envolver cada vez mais nos problemas da região Platina, como afirmou em seu diário em 1862: "Após a guerra contra Rosas, sempre fui a favor da abstenção do Brasil nos assuntos do Prata, exceto em casos de prejuízo à honra nacional e aos interesses brasileiros." Mesmo assim, ele apoiou o gabinete ao decidir contra-atacar. [6]
A invasão do Rio Grande do Sul tornou-se conhecida no Rio de Janeiro no dia de 30 de junho de 1865. [7] Ciente do conflito na província e da incapacidade e incompetência dos militares para lutar contra o exército paraguaio, D. Pedro II decide ir para o campo de batalha. [8] Ele escreveu à Condessa de Barral: "O Rio Grande do Sul foi invadido, meu lugar é lá". [9] [10] Como Chefe de Estado, ele pretendia ser o comandante do exército brasileiro . [11] No entanto, o Gabinete e a Assembleia Geral recusaram a atender ao desejo do Imperador. [8] [12] Os senadores e deputados gerais, utilizando suas prerrogativas constitucionais, recusaram a conceder permissão para a viagem. [13] [14] Se algo ruim acontecesse ao Imperador, o trono seria herdado por sua filha Isabel, de 18 anos. Os riscos para a estabilidade do país foram considerados muito grandes naquele momento. [8] Depois de receber objeções do Conselho de Estado, D. Pedro II faz a memorável declaração: "Se eles podem me impedir de ir como um Imperador, não podem me impedir de abdicar e ir como Voluntário da Pátria". [a] [b] [c] [8] Assim, os que se alistaram para ir à guerra sob o Decreto 3.371 de 7 de janeiro de 1865 [15] ficaram conhecidos no país como "Voluntários da Pátria". [12] O próprio imperador era chamado de "Voluntário Número Um". [16] [17]

Dom Pedro II partiu para o Rio Grande do Sul no dia de 7 de julho de 1865 [7] [18] (alguns historiadores dizem que ele partiu no dia 10 de julho) [9] [19] Sendo recebido por multidões, juntamente com o hino nacional e celebrações patrióticas. Acompanhando-o estavam seu genro, o Príncipe Luís Augusto de Saxe-Coburgo e Gota, o General Francisco Xavier Calmon Cabral da Silva (depois, 2º Barão de Itapagipe), o Vice-Almirante William Parker, o Ministro da Guerra Ângelo Ferraz, o Duque de Caxias, o Almirante Joaquim Raimundo de Lamare, o General Beaurepaire-Rohan e 300 soldados. [9] [13] [20] [21] Ao embarcar, disse: “Sou o defensor perpétuo do Brasil e, quando meus cidadãos sacrificarem suas vidas em holocausto no altar da pátria em defesa de tão santa causa, não serei aquele que se recusará a segui-los.” [8]
O Cerco de Uruguaiana
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Pedro II desembarcou no Rio Grande do Sul no dia 16 de julho e seguiu por terra [d] [22] com 300 soldados. [23] A viagem foi feita a cavalo e carroça, e à noite o imperador dormia em uma tenda. [23] Em Caçapava, juntou-se a ele seu outro genro, Gastão de Orléans, O Conde d'Eu, que havia chegado da Europa. [7] [9] [24] De Caçapava, ele viajou para São Gabriel, [25] no dia 5 de setembro passou pelo Campo do Rosário, onde 37 anos antes as forças armadas brasileiras foram derrotadas pelas forças argentinas e uruguaias. [23] [26] O General Francisco Xavier Calmon, o qual participou da batalha e viajava com o Imperador, relatou suas memórias do evento. [26] Em São Gabriel, o Imperador despediu-se de João Propício Mena Barreto, o Barão de São Gabriel, ex-comandante-em-chefe do Exército Brasileiro durante a Guerra do Uruguai. [27] Visitou os hospitais e conversou com os feridos. [27] Dom Pedro II também teve seu primeiro contato com os paraguaios quando conversou com três prisioneiros de guerra. Ele falou em guarani e ofereceu a eles a oportunidade de retornar ao Paraguai. Eles recusaram, alegando que seriam mortos por López por serem feitos prisioneiros. [23] Esses soldados, que odiavam o imperador sem nunca conhecê-lo, passaram a admirá-lo muito e o chamavam de Murubichab (" O Grande Chefe" em guarani). [27] D. Pedro II, por sua vez, sentiu pena dos paraguaios e estava convencido de que a ditadura de López deveria ser derrubada a qualquer custo. [28]

Depois de passar por Alegrete, D. Pedro II chegou a Uruguaiana no dia 11 de setembro, onde se juntou ao Almirante Joaquim Marques Lisboa (então Barão de Tamandaré), ao General João Frederico Caldwell, ao General Manuel Luis Osório (mais tarde Marquês do Herval) e a Manuel Marques de Sousa (então Barão de Porto Alegre e também comandante das forças). [27] [29] [30] Uruguaiana havia sido tomada pelos paraguaios sob o comando do Tenente-Coronel Antonio de la Cruz Estigarribia com cerca de 10.000 homens em 5 de agosto de 1865. [7] Na época da chegada do Imperador, o exército de Estigarribia havia sido reduzido a apenas 5.500 homens, enquanto o exército da Tríplice Aliança, composto por brasileiros, argentinos e uruguaios, contava com 17.000 homens. [31] [32] D. Pedro II também encontrou-se com o presidente argentino Bartolomé Mitre e o presidente uruguaio Venancio Flores, que comandavam as tropas de suas nações. [28] [33]
Uma disputa se desenvolveu no acampamento aliado: Bartolomé Mitre, presidente argentino, exigiu o comando supremo do exército aliado de acordo com o Tratado da Tríplice Aliança. Os militares brasileiros se recusaram a aceitar a proposta, já que o tratado afirmava que no Brasil, o comando seria exercido por um brasileiro. [34] D. Pedro II persuadiu amigavelmente a todos para aceitarem sua proposta: o exército aliado seria dividido em três colunas, cada uma sob o comando de um chefe de sua própria nacionalidade, enquanto ele atuaria como um Moderador para mediar possíveis conflitos entre os três comandantes, tornando-se assim o comandante de facto e de jure do exército da Tríplice Aliança. [35] O Imperador cavalgou a uma distância de tiro de rifle de Uruguaiana para demonstrar sua coragem, no entanto os paraguaios não o atacaram. [35] [36]

As estratégias propostas pelos comandantes entram em conflito: O General Osório sugeriu que destruíssem a vila com artilharia, já que todos os seus habitantes haviam fugido antes de ela cair sob o controle paraguaio. O Marquês de Tamandaré e Flores, por outro lado, insistiam em um bombardeio inicial seguido de um avanço das tropas aliadas. D. Pedro II, no entanto, queria evitar o derramamento de sangue da batalha e pediu a Estigarribia que se rendesse. [37] Estigarribia aceitou, [38] mas sob a condição de se render apenas ao Imperador brasileiro, pois não confiava nos republicanos argentinos e uruguaios. [31] As tropas paraguaias desfilaram diante dos aliados [31] [38] e a espada de Estigarribia foi entregue pelo ministro Ferraz a D. Pedro II. [35] Por “seu exemplo e suas ações, ele contribuiu decisivamente para a expulsão dos paraguaios do Brasil”. [39] Os paraguaios estavam desnutridos e praticamente nus. [35] D. Pedro II não orgulho da vitória e escreveu à Condessa de Barral: “Ontem entramos em Uruguaiana. O inimigo não era digno nem de ser derrotado. Que ralé!” [35] Havia uma crença de que a guerra quase acabando do e que era apenas uma questão de tempo até que López se rendesse. (A guerra só acabou 5 anos mais tarde) Por causa disso, D. Pedro II decidiu retornar ao Rio de Janeiro. [31] [40] [41] Antes de deixar Uruguaiana, recebeu o embaixador britânico Edward Thornton, que pediu desculpas publicamente em nome da Rainha Vitória e do Governo Britânico pela Questão Christie. [37] [38] O imperador considerou que esta vitória diplomática sobre o país mais poderoso do mundo renovou as relações amistosas entre as nações. [38] Quando retornou ao Rio de Janeiro, foi recebido com grande alegria e festas por toda parte. [42]
A Vitória
O custo da guerra chegou a R$614.000:000$000 (ver réis), pagos da seguinte forma: R$265.000:000$000 na forma de impostos, R$ 71.000:000$000 forma de venda de títulos, R$102.000:000$000 em nova moeda emitida, R$27.000:000$000 em empréstimos internos e R$49.000:000$000 em empréstimos externos . Assim, apenas 7,9% da dívida total da guerra era externa. [43] No entanto, o Brasil estava tão próspero que o governo quitou a dívida da guerra em apenas dez anos. [e] [f] O conflito foi um estímulo à produção nacional e ao crescimento econômico. [44] Após mais de cinco anos de guerra, o imperador parecia ter envelhecido vinte anos: seus cabelos loiros e barba ficaram totalmente grisalhos e, aos 44 anos, seu rosto parecia ser de um idoso de sessenta anos. [45] [46] [47] [48] [49] A popularidade de D. Pedro II, que havia diminuído durante o longo conflito, recuperou-se imediatamente após a vitória. [g] [h] [47] [50] O Imperador rejeitou a sugestão da Assembleia Geral de erguer uma estátua equestre dele e escolheu, em vez disso, utilizar o dinheiro para construir escolas primárias. [51] [52] [53]
Ver também
Notas
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Referências
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