Doação de óvulos
A doação de óvulos é o processo pelo qual uma mulher doa óvulos para fins de reprodução assistida ou a investigação biomédica. Para fins de reprodução assistida, a doação de óvulos envolve tipicamente em tecnologia de fertilização in vitro, com os óvulos a serem fertilizados em laboratório; mais raramente, óvulos não fertilizados podem ser congelados e armazenados para uso posterior. A doação de óvulos é uma reprodução de terceiros como parte de tecnologia de reprodução assistida (ART).[1]
A doação de óvulos é indicada para mulheres que não conseguem engravidar devido à falência ovariana precoce, baixa reserva ovariana, má qualidade dos óvulos, doenças genéticas hereditárias ou após tratamentos oncológicos que comprometeram a fertilidade.[2] De acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM), o procedimento também é permitido entre parentes de até quarto grau, desde que não haja consanguinidade, e a doação não pode ter caráter comercial.[3]
O processo de ovodoação inclui a estimulação ovariana da doadora, a coleta dos óvulos por punção folicular, a fertilização em laboratório e a transferência dos embriões para o útero da receptora. A seleção das doadoras é feita com base em critérios clínicos, genéticos e fenotípicos, incluindo exames laboratoriais e avaliação psicológica.[4] As diretrizes da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) reforçam que o acompanhamento médico individualizado e a seleção ética das doadoras são fundamentais para a segurança do procedimento.[5]
As taxas de sucesso da fertilização in vitro com óvulos doados variam entre 60% e 70%, dependendo da idade da receptora, da qualidade dos óvulos e das condições uterinas.[6] Segundo a SBRA, a ovodoação é um dos tratamentos de reprodução assistida com maiores índices de êxito no Brasil.[7]
Embora seja considerada segura, a ovodoação pode causar efeitos leves, como desconforto abdominal e dor de cabeça durante o uso dos medicamentos hormonais. Casos de hiperestimulação ovariana são raros e geralmente autolimitados.[8]
Nos Estados Unidos, ASRM (Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva) emitiu orientações para estes procedimentos, e que a FDA tem uma série de orientações também. Há placas em países fora dos EUA que têm os mesmos regulamentos. No entanto, as agências de doação de óvulos em os EUA podem legalmente escolher se a cumprir os regulamentos da ASRM ou não.[9]
Congelamento de Óvulos
Como parte do processo de doação de óvulos, o congelamento, ou vitrificação de óvulos é o processo de preservação do gameta feminino em ambiente de nitrogênio líquido a -196 graus celsius. Os óvulos são banhados por um liquido protetor, que produz o envólucro capaz de preservar as mesmas condições no interior da célula que há no momento da coleta durante a imersão na baixíssima temperatura.[10]
Ver também
Referências
- ↑ Friedrich, Otto; Constable, Anne; Samghabadi, Raji (10 de setembro de 1984). «Medicine: A Legal, Moral, Social Nightmare». Time. Consultado em 1 de maio de 2010
- ↑ «Doação de óvulos». BedMed. Consultado em 6 nov. 2025
- ↑ «Resolução CFM nº 2.168/2017» (PDF). Conselho Federal de Medicina. Consultado em 6 nov. 2025
- ↑ «Programa de ovodoação (doação de óvulos)». Mater Prime. Consultado em 6 nov. 2025
- ↑ «Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA)». Consultado em 6 nov. 2025
- ↑ «ASRM – Donor Egg». American Society for Reproductive Medicine. Consultado em 6 nov. 2025
- ↑ «Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida». Consultado em 6 nov. 2025
- ↑ «ESHRE Guideline on Ovarian Stimulation for IVF/ICSI». ESHRE. Consultado em 6 nov. 2025
- ↑ Wallis, Claudia (10 de setembro de 1984). «The New Origins of Life». TIME. Consultado em 5 de novembro de 2009
- ↑ Alves Olmos Fernandez, Paulo Eduardo (29 de setembro de 2020). «Congelamento de Óvulos». Clínica Olmos. Consultado em 8 de maio de 2021