Direct-to-consumer
Direct-to-Consumer (DTC/D2C), também conhecido como vertical commerce, é um modelo de negócio no qual a empresa elimina intermediários na cadeia de produção e distribuição, vendendo produtos ou serviços diretamente ao consumidor final.
Essa abordagem, frequentemente associada à desintermediação, tem ganhado popularidade entre empresas que buscam aumentar margens de lucro, controlar a experiência do cliente e adotar tecnologias para gerenciar seus próprios canais de distribuição e fornecimento.
Evolução
O modelo Direct-to-Consumer combina crescimento empresarial com distribuição controlada de produtos proprietários. Em muitos casos, uma única organização gerencia o ciclo de vida do produto — da concepção à entrega ao consumidor.[1]
Embora muitas marcas verticais não possuam fábricas próprias, especificam detalhadamente os produtos (inclusive personalizações), o que permite determinar canais de venda e estratégias de comercialização. A venda direta favorece a coleta de dados primários de consumidores, possibilitando testes e desenvolvimento de produtos com mais agilidade [carece de fontes].
O crescimento do comércio eletrônico levou ao surgimento de negócios nativamente digitais e verticais. Apesar da expansão do e-commerce, parte relevante das vendas ainda ocorre em lojas físicas; por isso, muitas empresas adotam presença multicanal e integração omnichannel para oferecer experiência consistente entre ambientes online e offline.[2]
Estimativas apontavam um mercado de DTC próximo de US$ 10 bilhões até 2020, impulsionado sobretudo por públicos millennials e Geração Z, que valorizam personalização e conveniência.[3]
Vantagens e desvantagens
O acesso direto a dados de clientes permite que empresas DTC conheçam melhor seu público e personalizem produtos e experiências [carece de fontes]. Outro benefício frequentemente citado é a possibilidade de margens mais altas em relação ao modelo Business-to-Consumer (B2C) tradicional intermediado — ao cortar etapas, pode-se oferecer preços competitivos e ainda manter lucratividade [carece de fontes].
Entre as desvantagens, destaca-se o investimento inicial mais alto e crescimento mais gradual quando comparado a operações de revenda. Atender diretamente consumidores finais e gerenciar distribuição em volumes menores pode elevar custos operacionais.[4][5]
Modalidades de DTC
DNVB — Digitally Native Vertical Brand
O conceito de DNVB (em português, marca vertical nativa digital) foi popularizado em 2016 por Andy Dunn, então CEO da Bonobos. Nessas empresas, o canal digital é central, podendo coexistir com showrooms físicos para experimentação, ajustes e relacionamento.
Além de cortar intermediários, DNVBs operam com alto grau de integração entre produto, site, atendimento e logística, buscando experiência consistente e dados ao longo de toda a jornada do cliente.[6]
Exemplos frequentemente citados incluem a Everlane (moda, com transparência de custos) e, no Brasil, a Amaro, marca nativamente digital que integra produção, marketing e comunicação internamente.[7][8]
Omnicanal (Omnichannel)
É comum que empresas DTC operem online e offline de forma integrada para fortalecer a relação com consumidores. O modelo omnicanal integra diversos canais (lojas físicas, sites, aplicativos) em uma experiência única; toda empresa omnicanal é multicanal, mas o inverso nem sempre é verdadeiro.[9]
No Brasil, casos como a Zissou (colchões) combinam e-commerce com ponto físico para teste de produtos, eventos e relacionamento com o público-alvo.[10]
Varejo físico
Nesta modalidade, a venda ocorre exclusivamente no ponto físico, com domínio do processo do produto até a entrega ao consumidor final. Há literatura que descreve exemplos tradicionais de controle de cadeia e marca em redes como o McDonald's.[11]
Referências
- ↑ «Direct to Consumer — Israel Medeiros». E-Commerce Brasil. Consultado em 14 mar. 2019
- ↑ «Why direct-to-consumer is becoming an important retail channel». Vision Critical (em inglês). Consultado em 14 mar. 2019
- ↑ «3 Lessons B2C Brands Can Learn From the Direct-to-Consumer Era». CMO by Adobe (em inglês). Consultado em 14 mar. 2019
- ↑ «In a Direct-to-Consumer World, It's Time to Move to the Four S's». Forbes (em inglês). Consultado em 15 jul. 2019
- ↑ «Entenda as diferenças entre os modelos de negócios». E-Commerce Brasil. Consultado em 14 mar. 2019
- ↑ «O que é DNVB (Digitally Native Vertical Brand)». Transformação Digital B2B. 23 mar. 2018. Consultado em 14 mar. 2019
- ↑ «Todo mundo quer ser um superapp. Menos a Amaro». NeoFeed. Consultado em 15 jul. 2019
- ↑ «Como a Amaro usa seus dados para revolucionar o varejo de moda». InfoMoney. Consultado em 15 jul. 2019
- ↑ Verhoef, Peter C.; Kannan, P. K.; Inman, J. Jeffrey (1 jun. 2015). «From Multi-Channel Retailing to Omni-Channel Retailing». Journal of Retailing (em inglês). 91 (2): 174–181. doi:10.1016/j.jretai.2015.02.005
- ↑ «DNVB: o que são as marcas nativas digitais que prometem ser o futuro do varejo». Zissou. Consultado em 14 mar. 2019
- ↑ «Direct to Consumer Sales Model: History, Trends & Examples». Study.com (em inglês). Consultado em 14 mar. 2019