Diogo Lopes Rebelo

Diogo Lopes Rebelo (? – Paris, 18 de Março de 1498) foi um autor português do século XV, mestre de gramática do futuro D. Manuel I, Mestre em Artes e Teologia, e professor desta última disciplina. É sobretudo conhecido pela sua obra Do Governo da República pelo Rei.

Biografia

Desconhece-se o local e a data de nascimento de Diogo Lopes Rebelo, sabendo-se apenas que era português. Foi mestre de gramática e capelão[1] de D. Manuel I enquanto este era ainda Duque de Beja, e por ordem do Duque, foi enviado a estudar para Paris. Foi ao próprio D. Manuel I – já então rei – a quem Diogo Lopes Rebelo dedicaria mais tarde a sua obra mais famosa.

A documentação sobre este período da sua vida é escassa. No entanto, graças à obra de Jean de Launoy, Regii Navarrae Gymnasii Parisiensis Historia, publicada originalmente em 1677, sabe-se que Diogo Lopes Rebelo estudou na Universidade de Paris durante oito anos, até concluir o bacharel em Teologia e se tornar Mestre em Artes[1].

Outra fonte importante para traçar o seu percurso académico é a sua própria obra. Na dedicatória de Do Governo da República pelo Rei, escrita em 1496, pode ler-se:

“Estando eu, há dez anos, invictíssimo príncipe, nesta mui nobre Universidade de Paris, onde, sem embargo da minha humildade, estudei Belas Artes e Letras Sagradas, com licença e ordem de Vossa Real Majestade (...)[2]

Com base neste testemunho, o Doutor Artur Moreira de Sá propõe 1486 como a data provável da sua deslocação a Paris, e 1494 como o ano em que se torna Mestre em Artes[1], e tendo como seu mestre, o célebre, João Raulino[3].

No ano de 1495, continua os seus estudos em Teologia, ao mesmo tempo que é Prior de Clermont[3].

É em 1494 que Rebelo publicou as suas primeiras obras: uma edição do Dialogus sive synonyma Isidori de homine et ratione, de Isidoro de Sevilha, e uma reedição do De iustitia commutativa, de João Sobrinho. Ainda em 1494, publicou a sua primeira obra original, Fructus sacramenti poenitentiae, de carácter teológico[4]. No ano seguinte, escreveu Tractatus de productionibus personarum, igualmente no campo da teologia[4].

A 13 de Janeiro de 1497, licenciou-se em Teologia e passou a ensinar esta disciplina no Collège de Navarre, que pertencia à Universidade de Paris[5]. É possível que se tenha cruzado com os filósofos Nicolau de Oresme e João Gerson, figuras influentes desta universidade[4].

A 13 de Setembro desse ano, publicou a sua última obra em vida, De Assertionibus Catholicis Apostoli Pauli, dedicada a D. Fernando de Almeida, bispo de Ceuta[5].

Diogo Lopes Rebelo faleceu a 18 de Março de 1498, tendo sido sepultado na igreja do Colégio de Navarra[5].

Após a sua morte, a sua primeira obra, Fructus sacramenti poenitentiae, conheceu três edições póstumas: em 19 de Dezembro de 1498, em 1500, e em 1515[5]

O último registo conhecido sobre Diogo Lopes Rebelo surge num documento de D. Manuel I, datado de 5 de Setembro de 1505, no qual o rei ordena que os herdeiros do “bacharel Diogo Lopes” recebessem a quantia de 10 554 reais. Não se conhecem, contudo, referências claras sobre quem seriam esses herdeiros[6].

Obras publicadas

  • Dialogus sive synonyma Isidori de homine et ratione (Diálogo ou Sinónimos de Isidoro sobre o Homem e a Razão) — edição da obra de Isidoro de Sevilha, 1494
  • De iustitia commutativa (Sobre a Justiça Comutativa) — reedição da obra de João Sobrinho, 1494
  • Fructus sacramenti poenitentiae (Frutos do Sacramento da Penitência) — obra original de teologia, 1494
  • Tractatus de productionibus personarum (Tratado sobre as Processões das Pessoas Divinas) — obra teológica, 1495
  • Do Governo da República pelo Rei (De Regimine Rei Publicae per Regem) — tratado político, 1496
  • De assertionibus catholicis Apostoli Pauli (Sobre as Afirmações Católicas do Apóstolo Paulo) — dedicada a D. Fernando de Almeida, Bispo de Ceuta, 1497

Referências

  1. a b c REBELO, Diogo Lopes; SÁ, Artur Moreira (1951). Do Governo da Repúplica Pelo Rei. Lisboa: Instituto para a Alta Cultura. p. 5 
  2. REBELO, Diogo Lopes; SÁ, Artur Moreira (1951). Do Governo da Repúplica Pelo Rei. Lisboa: Instituto para a Alta Cultura. p. 91 
  3. a b REBELO, Diogo Lopes; SÁ, Artur Moreira (1951). Do Governo da Repúplica Pelo Rei. Lisboa: Instituto para a Alta Cultura. p. 7 
  4. a b c Instituto de Estudos Filosóficos, Mário Santiago de; Faculdade de Letras, Marisa das Neves; Fundação para a Ciência e a Tecnologia; Henriques, Marisa das Neves; Diogo, João Emanuel; Dume, Martinho de; Santarém, João de; As-Sid, Ibn; Lima, João de Sevilha e (17 de setembro de 2024), Antologia de Textos para o Estudo da Filosofia em Portugal. Da Patrística à Contrarreforma, doi:10.5281/ZENODO.13710916, consultado em 16 de junho de 2025 . p. 228
  5. a b c d REBELO, Diogo Lopes; SÁ, Artur Moreira (1951). Do Governo da Repúplica Pelo Rei. Lisboa: Instituto para a Alta Cultura. p. 9 
  6. REBELO, Diogo Lopes; SÁ, Artur Moreira (1951). Do Governo da Repúplica Pelo Rei. Lisboa: Instituto para a Alta Cultura. p. 10-11 

Bibliografia

  • REBELO, Diogo Lopes; SÁ, Artur Moreira (1951). Do Governo da Repúplica Pelo Rei. Lisboa: Instituto para a Alta Cultura.
  • Meirinhos, J. (2019). A Paz e o Direito de Guerra em Álvaro Pais e Diogo Lopes Rebelo. Revista Científica Nacional. https://hdl.handle.net/10216/125804

Ligações Externas

http://cvc.instituto-camoes.pt/filosofia/m9.html