Dimitri Alexandrovich Obolensky

 Nota: Para seu filho, historiador e professor na Universidade de Oxford, veja Dimitri Obolensky.
Dimitri Alexandrovich Obolensky
Nascimento31 de março de 1882
São Petersburgo
Morte27 de abril de 1964
Cannes
CidadaniaImpério Russo, França
Progenitores
  • Aleksandr Obolensky
  • Anna Polovtsova
CônjugeMariya Shuvalova
Filho(a)(s)Dimitri Obolensky

Dimitri Alexandrovich Obolensky (São Petersburgo, 19 de março de 1882Cannes, 27 de abril de 1964) foi um príncipe russo da família Obolensky, proprietário de terras e marechal que, após a Revolução e Guerra Civil Russa, tornou-se guarda-noturno e taxista em Paris. Ele foi um dos muitos nobres russos cuja propriedade foi confiscada pelos bolcheviques e que, na capital francesa, tiveram trabalhos modestos, escrevendo um livro de memórias sobre suas experiências.[1]

Mas agora que príncipes russos são motoristas, esses táxis estão mais interessantes do que nunca. Não pense que isso significa que sua vida corre mais perigo. Não corre. Você nunca esteve tão seguro quanto com a nobreza russa ao volante.

— The New York Times, 6 de julho de 1924.[2]

Família

Brasão de armas da família Obolensky

Obolensky era descendente do chefe varegue Rurique do século IX, fundador da dinastia ruríquida, dos grãos-príncipes Ígor I, Esvetoslau I e São Vladimir de Kiev, bem como de São Miguel de Czernicóvia.[3]

Filho do príncipe Alexandre Dimitrievich Obolensky (1847–1917) com a condessa Anna Alexandrovna Polovtzova (1862–1917), Obolensky nasceu em São Petersburgo em 24 de abril de 1882.[4][5]

Biografia

Em 22 de setembro de 1905, Obolensky casou-se pela primeira vez, em Berlim, com a condessa Helene Bobrinsky (1885–1937), filha do conde Alexander Alexandrovich Bobrinsky.[5] Tiveram dois filhos e uma filha: Alexander, nascido em 1906, Andrei (1907–1969) e Helena (1909–1978).[6] Seu filho Andrei tornou-se um notável jogador de xadrez.[7]

Como proprietário de terras, Obolensky levava "uma vida campestre que lembrava os contos de Turgenev" e, além de ser um marechal da nobreza, era um amante da natureza, um patriota e um entusiasta do progresso. Quando chegaram as notícias do bombardeio austro-húngaro à cidade sérvia de Belgrado, que começaria em 29 de julho de 1914, Obolensky discursou comoventemente aos camponeses de sua propriedade sobre a necessidade da guerra, e eles reagiram com entusiasmo. Mais tarde, ele soube que seus ouvintes o haviam entendido como se referindo a Belgorod, perto de Kharkiv, que abrigava as relíquias do recentemente canonizado São José de Belgorod.[8]

Durante a Primeira Guerra Mundial, o casamento de Obolensky desmoronou e, em 1916, terminou em divórcio. Em 18 de julho de 1917, ele se casou pela segunda vez, em Moscou, com a condessa Maria Shuvalova (1894–1973), filha do conde Paul Pavlovich Shuvalov e da condessa Alexandra Ilaryonovna Vorontzova-Dashkova. Três semanas depois, em 7 de agosto de 1917, a mãe de Obolensky morreu em Moscou. A Revolução Bolchevique começou em 25 de outubro (no calendário juliano), ou 7 de novembro (no calendário gregoriano), com uma insurreição armada em Petrogrado. Em 26 de novembro, o pai de Obolensky, que então estava em Essentuki, faleceu lá.[5] No entanto, Obolensky e sua esposa ainda estavam em Petrogrado quando seu filho Dimitri nasceu lá em 19 de março/1 de abril de 1918.[3]

A nova sogra de Obolensky e sua irmã, Sofka Demidova (1870–1953), eram filhas do conde Hilarion Vorontsov-Dashkov (1837–1916), ministro sob o reinando do czar Alexandre III e vice-rei do Cáucaso durante o reinado do último czar, Nicolau II, sendo em ambos os períodos íntimo da família imperial.

Sua esposa também descendia do príncipe Michael Vorontsov (1782–1856), um prévio vice-rei do Cáucaso, para quem Edward Blore projetou o Palácio de Alupka, perto de Yalta, na Crimeia.[3] Alguns meses após a Revolução de Outubro de 1917, os Obolenskys se retiraram de Petrogrado para o Palácio de Alupka. No início de 1919, durante a Guerra Civil Russa, e com os exércitos bolcheviques se aproximando, ele, sua esposa e filhos escaparam da Rússia a bordo do HMS Marlborough da Marinha Real Britânica, juntamente com outros, incluindo a imperatriz viúva Maria Feodorovna, o grão-duque Nicolau Nikolaevich e o príncipe Felix Yusupov, o assassino de Rasputin. Integrando-se à grande comunidade russa branca em Paris, Obolensky tornou-se guarda-noturno e, mais tarde, motorista de táxi.[3] Seu "breve e infeliz casamento" chegou rapidamente ao fim com um divórcio em 1921.[5] Sua segunda esposa logo se casou com o Conde Andrei Tolstói, estabelecendo-se com ele em Nice.[1]

Em 16 de agosto de 1923, em Londres, Obolensky casou-se pela terceira vez com Natalya Feodorova (1894–1952), uma jovem originária de Simbirsk. Este casamento também terminou em divórcio, antes da morte de Natalya em 1952.[5]

Obolensky conseguiu, de alguma forma, enviar seu filho Dimitri para uma escola preparatória inglesa, para o Lycée Pasteur e para o Trinity College, em Cambridge, onde ele iniciou uma distinta carreira acadêmica que culminou em sua nomeação como Professor de História Russa e Balcânica em Oxford.[3]

Obolensky escreveu uma autobiografia sobre sua vida na Rússia Imperial, da qual um escritor disse que "O humor e o estoicismo da autobiografia permaneceram com ele através das vicissitudes que se seguiram à Revolução de Outubro."[1] Ele morreu em Cannes em 27 de abril de 1964.[4] Sua segunda esposa se estabeleceu em Oxford com o filho deles, Dimitri, e morreu lá em 16 de junho de 1973.[5]

Referências

  1. a b c Jonathan Shepherd, in Biographical memoirs of fellows, volume 3, vol. 124 of the Proceedings of the British Academy (Oxford University Press, 2004), pp. 243-268, in p. 245
  2. Farrell, Josephine (6 de julho de 1924). «THE GUARDSMAN DRIVES THE TAXI». In Paris Ex-Officers of the Czar's Crack Regiments Are All the Rage as Public Chauffeurs. The New York Times (em inglês). Consultado em 8 de dezembro de 2021 
  3. a b c d e Anthony Bryer, Obituary: Professor Sir Dimitri Obolensky from The Independent dated 31 December 2001
  4. a b Jacques Ferrand, Descendances naturelles des souverains et grands-ducs de Russie de 1762 à 1910: répertoire généalogique (1995), p. 27
  5. a b c d e f Valerian S. Obolensky, 'Prince Dimitri OBOLENSKY (493) Arquivado em 2016-03-03 no Wayback Machine' in Russians in Exile: the history of a diaspora, publicado online em Russianaristocracy. Consultado em 23 de fevereiro de 2012
  6. Jacques Ferrand, Noblesse russe: portraits, vol. 4 (1988), p. 62:"Le prince Dimitri Alexandrovitch OBOLENSKY (1882-1964), et ses enfants. De gauche à droite. — Prince Alexandre Dimitriévitch (°1906) — Princesse Hélène Dimitrievna (1909-1978) — Prince André Dimitriévitch (1907-1969)."
  7. Jacques Ferrand, La Descendance du maréchal Alexandre Vassiliévitch Souvorov (1978) pp. 50, 58 (em francês)
  8. Dimitri Obolensky, Bread of Exile: a Russian family (Harvill Press, 2003), pp. 22–30