Design ativismo

Design ativismo, também conhecido como design ativista, se refere a um amplo movimento que relaciona a área do design com os aspectos socioeconômicos e políticos de uma sociedade de forma integrada e indissociável.[1] Neste sentido, é uma forma de atuar politicamente, de maneira engajada, em diálogo com a ideia de protesto artístico, com o objetivo de confrontar o sistema econômico, injustiças sociais e práticas de consumo. Design ativismo objetiva influenciar políticas públicas, mudanças e práticas culturais em prol de sociedades mais equânimes.[2]
Seus expoentes advogam que o design possui um papel central em promover mudanças sociais frente aos desafios sociais, ambientais e econômicas ao promover maior conscientização sobre os desafios sociais, ecológicos e econômicos da contemporaneidade e ao questionar aspectos socioeconômicos, como modo e quantidade de produção de bens materiais e a lógica de consumo não apenas na esfera individual, mas também nas esferas de produção, nas esferas políticas, que regulamentam e fiscalizam o modo como as indústrias produzem e administram seus resíduos e nas esferas de divulgação, além da responsabilidade das mídias digitais no que diz respeito à interesecção destas com o design.[1][3]
História
Apesar de a expressão "design ativismo" ter surgido recentemente, há exemplos mais antigos na história de pessoas e movimentos que questionavam a forma e os motivos pelos quais os objetos são produzidos. Dentre estes nomes estão John Ruskin, um dos famosos precursores do estilo Neogótico, e William Morris, que participou ativamente no movimento artístico Arts and Crafts. Ambos já alertavam desde o século XIX sobre a necessidade dese pensar e entender o design dos objetos fabricados para além de sua produção, trazendo portanto questões sociais, consequentemente se opondo com veemência à massificação de produção de bens, característica processo de industrialização que ocorria na época.[1] Ruskin argumenta que a produção industrial retivava a beleza e a liberdade expressiva presentes nos objetos feitos pelos artesãos da época, em nome da produção massificada e pretendidamente perfetia dos produtos industriais.[4]
Já no início da década de 70, Victor Papanek, um dos vanguardistas do que se entende hoje como design ativismo, amplia a responsabilidade do design - bem como dos designers - na produção dos objetos e das ideias que compõem as realidades material e social e, portanto, deve incorporar as questões emergenciais presentes nos tempos contemporâneos, como consumo responsável, tempo dos objetos (também discutido como obscolescência programada), reutilização e reciclagem, além de ampliar o debate para questões políticas e ambientais, para além das sociais, que já eram presentes, portanto se aproximando ao que atualmente se chama de design ativismo.[1]
Tipos de ativismos
Design Feminista
O design feminista é uma maneira de pensar e criar objetos, espaços e serviços levando em conta as experiências diversas das pessoas, especialmente mulheres e outros grupos que costumam ser deixados de lado nas decisões de projeto. Essa forma de pensar pode ser aplicada em várias áreas, como design gráfico, moda, produtos, tecnologia e até no planejamento das cidades. A proposta é tornar o design mais justo, inclusivo e sensível às diferenças sociais e culturais.
Referências
- ↑ a b c d Júnior, José Carlos M.;de Moura, Mônica Cristina;Guimarães, Márcio James S. Design ativismo como prática cidadã contemporânea. Colóquio Internacional de Design. 2020.
- ↑ Prado, Gheysa Caroline (22 de dezembro de 2021). «Design ativismo ou design ativista?». Estudos em Design (3). ISSN 1983-196X. doi:10.35522/eed.v29i3.1273. Consultado em 21 de maio de 2025
- ↑ Batista, Marcelo Viana. Estratégias Ativistas no Design. UNISINOS. Porto Alegre. 2023
- ↑ Morris, William; Morris, William. The Nture of Gothic (PDF). 1982: Kelmscott Press