Derzena
Derzena (em grego: Δερζηνή; Derzēnḗ; em armênio: Դերջան, Derǰan), segundo a Geografia de Ananias de Siracena (século VII), foi um cantão (gavar) da província (ascar) de Alta Armênia, no Reino da Armênia.[1]
Nome
Esse nome talvez tenha se originado dos drilas citados pelos autores clássicos.[2] A grafia Derzena (em grego: Δερζηνή; Derzēnḗ) é a forma corrigida do topônimo, surgido a partir do armênio Derzã (em armênio: Դերջան, Derǰan), mas que foi registrado como Derxena (Δερξηνή, Derxēnḗ) por Plínio, o Velho. Estrabão a chamou de Xerxena (Ξερξηνή, Xerxēnḗ), com provável alusão errônea ao xainxá aquemênida Xerxes I (r. 486–465 a.C.).[3] Em Agatângelo, a região é chamada Zeranitom (Ζερανιτων, Zeranitōn), enquanto ocorre como Terzã (Τερτζάν, Tertzán) em outras fontes bizantinas.[4]
Geografia
Derzena compreendia uma área de 2 575 quilômetros quadrados e estava centrada na cidade-fortaleza de Derzena (atual Terjane).[5] Se distribuída no curso superior do Eufrates, de Erzurum para o leste. Seu território era essencialmente plano e englobava as planície de Derzena e planície de Ascale. O clima é árido, mas a região tem grandes reservas de água para irrigação artificial.[6]
História
De acordo com Xenofonte, vastas porções da Alta Armênia foram ocupadas pelas tribos dos cálibes (cáldios) e mossínecos.[3] No reinado do rei orôntida Zariadres (r. 200–188/63), o Reino de Sofena se expandiu para Acilisena[7] e possivelmente também Carenitis (por volta da atual Erzurum) e Derzena․[8] Tempos depois, Derzena foi um dos cantões (gavares) da província (ascar) de Alta Armênia, no Reino da Armênia.[1]
Derzena abrigava o principal santuário do deus Mir em Basgidáriza (atual Chadercaia, na província de Erzinjane).[9][10] A leste de Basgidáriza estava situada a vila de Caltoiarriche (Xałtoy aṙič), cujo nome está etimologicamente associado ao do deus Haldi, a quem devia ter um templo dedicado.[11] No processo de cristianização da Armênia, Gregório, o Iluminador desmantelou os principais templos pagãos do reino, incluindo os de Derzena, que foi concedida a ele e seus familiares como parte da propriedade da Igreja.[12] No tempo da Paz de Acilisena de 387, foi um dos territórios mantidos no "reino" deixado sob controle de Ársaces III (r. 378–390). Com a eventual dissolução do reino de Ársaces III em 390, em decorrência de seu falecimento, Derzena foi incluída na província de Armênia Interior.[13]
Desde 439, faria parte dos domínios da família Mamicônio, uma das casas nobres (nacarares) da Armênia,[12] a partir da união matrimonial dos mamicônidas e gregóridas (descendentes de Gregório, o Iluminador).[14] Em 528, com a reorganização das províncias armênias do Império Bizantino sob Justiniano I (r. 527–565), fez parte da Armênia Magna até sua eventual transferência, em 536, à Armênia Prima, que compreendia toda a Armênia Interior e antigos territórios da Armênia Prima original. Nessa reorganização, Justiniano aboliu o principado mamicônida local, e os Mamicônios devem ter migrado à Armênia sassânida.[15][16] Essa província manteria tal nome até o final do reinado de Heráclio (r. 610–641).[13]
Desde o século XVI, Derzena foi incorporada no eialete de Erzurum do Império Otomano. No final do século XIX, com a criação do vilaiete de Erzurum, tornar-se-ia um caza (distrito) do sanjaco de Erzerum. No início do século XX, tinha mais de 230 vilas e aldeias e sua população armênia atingiu cerca de 10 mil pessoas. Os locais estavam envolvidos na agricultura, na qual notabilizaram-se por seu trigo, e na criação de gado. No genocídio armênio de 1915, sua população armênia foi completamente deportada e a maioria dela morreu em trânsito. Registra-se que havia um mosteiro dedicado a São Teodoro (Surb Toros) na região.[6]
Referências
- ↑ a b Hewsen 1992, p. 59-59A, 249, 333.
- ↑ Hewsen 1992, p. 287.
- ↑ a b Marciak 2017, p. 22.
- ↑ Hewsen 1992, p. 152.
- ↑ Hewsen 1992, p. 152, 296.
- ↑ a b Hakobyan, Melik-Baxšyan & Barsełyan 1988–2001, p. 92.
- ↑ Chaumont 1986.
- ↑ Marciak 2017, p. 21–23.
- ↑ Canepa 2018, p. 199-201, 242.
- ↑ Petrosyan 2015, p. 74, 85.
- ↑ Petrosyan 2015, p. 74, 95-96.
- ↑ a b Toumanoff 1963, p. 193.
- ↑ a b Hewsen 1992, p. 19, 150-151.
- ↑ Hewsen 1992, p. 312, nota 19.
- ↑ Hewsen 1992, p. 313, nota 27.
- ↑ Toumanoff 1963, p. 210.
Bibliografia
- Canepa, Matthew P. (2018). The Iranian Expanse: Transforming Royal Identity through Architecture, Landscape, and the Built Environment, 550 BCE–642 CE. Berkeley: University of California Press
- Chaumont, M. L. (1986). «Armenia and Iran ii. The pre-islamic Period». Enciclopédia Irânica. Nova Iorque: Imprensa da Universidade de Colúmbia
- Hakobyan, Tadevos X.; Melik-Baxšyan, Stepan T.; Barsełyan, Hovhannes X. (1988–2001). «Դերջան». Hayastani ev harakitsʻ šrjanneri tełanunneri baṛaran [Հայաստանի և հարակից շրջանների տեղանունների բառարան] [Dicionário de Toponímia da Armênia e Territórios Adjacentes]. 1–5. Erevã: Yerevan State University Publishing House
- Hewsen, Robert H. (1992). The Geography of Ananias of Širak. The Long and Short Recensions. Introduction, Translation and Commentary. Wiesbaden: Dr. Ludwig Reichert Verlag
- Marciak, Michał (2017). Sophene, Gordyene, and Adiabene: Three Regna Minora of Northern Mesopotamia Between East and West. Leida: BRILL. ISBN 9789004350724
- Petrosyan, Armen (2015). Problems of Armenian Prehistory. Myth, Language, History. Erevã: Gitutyun. ISBN 9785808012011
- Toumanoff, Cyril (1963). Studies in Christian Caucasian History. Washington: Georgetown University Press