Dermacentor nitens

Larva do Dermacentor nitens

A espécie Dermacentor nitens é conhecida popularmente como carrapato-da-orelha-do-cavalo, devido à sua preferência por infestar as orelhas dos equinos, mas pode se fixar também em outras regiões, como períneo, divertículo nasal e crina, podendo provocar danos permanentes à cartilagem, devido às lesões nas orelhas em decorrência da infestação [1]. Essa espécie pertence ao gênero Dermacentor o qual inclui 40 espécies reconhecidas, sendo a única do gênero de ocorrência no Brasil, apesar de parasitar preferencialmente equinos, pode ser encontrada também em outros animais como bovinos, cães, ovinos, veados, onças pardas, antas e pacas [2].

O D. nitens é um dos principais parasitas que afeta os equinos nas regiões tropicais, além dos danos decorrentes das infestações, também desempenham um papel crucial na transmissão da Babesia caballi, protozoário responsável pela doença babesiose equina[3] , que afeta as hemácias dos animais, podendo provocar anemia hemolítica, febre, icterícia, fraqueza, perda

de apetite, urina escura e em casos mais graves, levar à morte [4]. Apesar de sua importância à saúde animal, a capacidade vetorial desse carrapato para patógenos de interesse em saúde pública ainda é desconhecida [3].

O controle desse carrapato pode ser de dois tipos: por meio de medicamentos sistêmicos ou tópicos. No entanto, o uso de medicamentos sistêmicos em equinos, como a ivermectina, pode provocar complicações devido às particularidades do metabolismo desses animais, aumentando o risco de intoxicação [5]. Por isso, geralmente o controle é realizado por meio acaricidas tópicos aplicados diretamente nas áreas de maior infestação.

A maioria dos carrapatos do gênero Dermacentor apresentam um ciclo de vida com três hospedeiros, no entanto, o D. albipictus e D. nitens tem o ciclo de vida em um único hospedeiro [6]. Esse ciclo de vida pode ser dividido em duas fases: Parasitário e não parasitário. A fase parasitária se inicia com a fixação da larva no hospedeiro e seu desenvolvimento ocorre à medida que se alimenta, passando pelos estágios de larva, ninfa e adulto, no qual ocorre o dimorfismo sexual. Após a cópula, a fêmea ingere um grande volume de sangue expandindo seu corpo até se desprender do hospedeiro, iniciando a fase não parasitária. Na vegetação, a fêmea ingurgitada (teleógina) se abriga em um local seguro para iniciar a oviposição, e após isso morre deixando os ovos incubados naturalmente até a eclosão das larvas, que buscarão um novo hospedeiro reiniciando o ciclo de vida [7]. A duração média do ciclo desse carrapato é de 56 dias, sendo a fase parasitária em torno de 25 dias, o período de pré-oviposição 5 dias e a incubação em torno de 26 dias [8].

Referências

  1. Rodrigues, Vinicius da Silva; Garcia, Marcos Valério; Cruz, Breno Cayeiro; Maciel, Willian Giquelin; Zimmermann, Namor Pinheiro; Koller, Wilson Werner; Barros, Jacqueline Cavalcante; Andreotti, Renato (março de 2017). «Life cycle and parasitic competence of Dermacentor nitens Neumann, 1897 (Acari: Ixodidae) on different animal species». Ticks and Tick-borne Diseases (em inglês) (3): 379–384. doi:10.1016/j.ttbdis.2016.12.014. Consultado em 2 de outubro de 2025 
  2. Rodrigues, Vinicius da Silva; Garcia, Marcos Valério; Cruz, Breno Cayeiro; Maciel, Willian Giquelin; Zimmermann, Namor Pinheiro; Koller, Wilson Werner; Barros, Jacqueline Cavalcante; Andreotti, Renato (março de 2017). «Life cycle and parasitic competence of Dermacentor nitens Neumann, 1897 (Acari: Ixodidae) on different animal species». Ticks and Tick-borne Diseases (3): 379–384. ISSN 1877-959X. doi:10.1016/j.ttbdis.2016.12.014. Consultado em 2 de outubro de 2025 
  3. a b Rodrigues, Vinicius da Silva; Garcia, Marcos Valério; Cruz, Breno Cayeiro; Maciel, Willian Giquelin; Zimmermann, Namor Pinheiro; Koller, Wilson Werner; Barros, Jacqueline Cavalcante; Andreotti, Renato (março de 2017). «Life cycle and parasitic competence of Dermacentor nitens Neumann, 1897 (Acari: Ixodidae) on different animal species». Ticks and Tick-borne Diseases (em inglês) (3): 379–384. doi:10.1016/j.ttbdis.2016.12.014. Consultado em 2 de outubro de 2025 
  4. Diana, Alessia; Guglielmini, Carlo; Candini, Daniela; Pietra, Marco; Cipone, Mario (julho de 2007). «Cardiac arrhythmias associated with piroplasmosis in the horse: A case report». The Veterinary Journal (em inglês) (1): 193–195. doi:10.1016/j.tvjl.2006.04.003. Consultado em 2 de outubro de 2025 
  5. Norman, T.E.; Chaffin, M.K.; Norton, P.L.; Coleman, M.C.; Stoughton, W.B.; Mays, T. (novembro de 2012). «Concurrent Ivermectin and S olanum spp. Toxicosis in a Herd of Horses». Journal of Veterinary Internal Medicine (em inglês) (6): 1439–1442. ISSN 0891-6640. doi:10.1111/j.1939-1676.2012.00996.x. Consultado em 2 de outubro de 2025 
  6. Lado, Paula; Klompen, Hans (23 de julho de 2019). «Evolutionary history of New World ticks of the genus Dermacentor (Ixodida: Ixodidae), and the origin of D. variabilis». Biological Journal of the Linnean Society (em inglês) (4): 863–875. ISSN 0024-4066. doi:10.1093/biolinnean/blz063. Consultado em 2 de outubro de 2025 
  7. 1- RODRIGUES; 2- KOLLER; 3- GARCIA; 4- BARROS; 5- ANDREOTTI, 1- Vinicius; 2- Wilson; 3- Marcos; 4- Jacqueline; 5- Renato (2019). «Carrapatos em cavalos: Amblyomma sculptum e Dermacentor nitens.». EMBRAPA. EMBRAPA. Capitulo 2: 27-43 
  8. Pádua, Gracielle Teles; Paula, Luiza Gabriella Ferreira de; Borsanelli, Ana Carolina; Labruna, Marcelo Bahia; Krawczak, Felipe da Silva (2023). «Unusual parasitism site of Dermacentor nitens (Acari: Ixodidae) on a horse». Ciência Rural (10). ISSN 1678-4596. doi:10.1590/0103-8478cr20220613. Consultado em 2 de outubro de 2025