Dendroplex picus

Arapaçu-de-bico-branco
Arapaçu-de-bico-branco Dendroplex picus (Gmelin, 1788)
Arapaçu-de-bico-branco
Dendroplex picus (Gmelin, 1788)
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Passeriformes
Família: Furnariidae
Subfamília: Dendrocolaptinae
Gênero: Dendroplex (Swainson, 1827)
Espécie: D. picus
Nome binomial
'''Dendroplex picus'''
Gmelin, 1788 [2]
Distribuição geográfica

Sinónimos
  • Oriolus picus (Gmelin, 1788) [2]
  • Xiphorhynchus picus (Gmelin, 1788)


O arapaçu-de-bico-branco, (Dendroplex picus Gmelin, 1788), é uma ave passeriforme, trepadora, arborícola e insetívoras da família Furnariidae, subfamília Dendrocolaptidae, a família dos arapaçus. É nativa das américas central e do sul e também conhecida como arapaçu-de-bico-reto e trepa-troncos-de-bico-direito. [3] [4]

Etimologia

Arapaçu — do tupi ara-pa-çó, ornitologia: nome dado ao pica-pau. [5]
Dendroplex — o nome do gênero tem origem no grego e é composto pelas palavras δενδρον (dendron) | "árvore", e πλησσω (plēssō) | "golpear"; significando "que golpea as árvores"; [6]
Picus — o nome da espécie tem origem do latim picus (ponta, bico) derivativo de piccare, que signigica "furar"; nome dado ao Pica-pau pelos romanos antigos. [7]

Taxonomia

Dendroplex picus pertencia ao gênero Xiphorhynchus, mas estudos filogenéticos mostraram que a espécie se diferenciava do clado e o gênero Dendroplex, extinto nos anos 1950, foi resgatado para abrigá-la. [8] [9] A distinção morfológica de Dendroplex é apoiada por dados de análises moleculares recentes, que sugerem que as espécies do gênero atual são distantemente relacionadas aos seus antigos congêneres e mais intimamente relacionadas a Lepidocolaptes e Campylorhamphus.[10]

Subespécies

São reconhecidas 13 subespécies de D. picus. A avaliação das variações geográficas é complicada pelas variações individuais marcantes da espécie, pelo menos em algumas populações. As subespécies podem ser divididas em dois grupos: o grupo picirostris do Panamá e norte e noroeste da América do Sul, e o grupo picus da Amazônia e leste da América do Sul. Esses dois grupos são tratados como espécies separadas por alguns autores, mas não por outros, devido à aparente hibridização na região do baixo rio Orinoco, na Venezuela. Vocalmente, os dois grupos são muito parecidos. A análise das músicas, gravações e sonogramas, não revela nenhuma diferença óbvia entre elas. [11]


Subespécies de Dendroplex picus[11]

ssp. extimus
Griscom, 1927[12]
Distribuição: Centro e leste do Panamá (encosta do Pacífico do leste da Península de Azuero até Darién, também encosta do Caribe localmente na Zona do Canal) e noroeste da Colômbia (vales do baixo rio Atrato e do alto rio Sinú, em Córdoba).
ssp. dugandi
Wetmore & Phelps, 1946 [13]
Distribuição: terras baixas do noroeste da Colômbia, do sul da região de Santa Marta até o leste da Serra de Perijá, e ao sul ao longo da costa do Pacífico até o norte de Chocó e no Vale do Magdalena até o norte de Huila.
ssp. picirostris
Lafresnaye, 1837 [14]
Distribuição: terras baixas costeiras do norte da Colômbia (noroeste da região de Santa Marta, leste da península de Guajira) e extremo noroeste da Venezuela (leste da foz do lago de Maracaibo).
ssp. paraguanae
Phelps & Phelps, 1962[15]
Distribuição: noroeste da Venezuela (Falcón, norte de Lara).
ssp. choicus
Wetmore & Phelps, 1946 [16]
Distribuição: centro-norte costeiro da Venezuela (leste de Falcón a leste de Miranda).
ssp. longirostris
Richmond, 1896 [17]
Distribuição: Ilha de Margarita, frente ao norte da Venezuela.
ssp. phalarus
Wetmore, 1939 [18]
Distribuição: norte da Venezuela (planícies interiores de Portuguesa, Apure ocidental e noroeste de Bolívar, do leste a Anzoátegui oriental, e ao longo da costa nordeste, de leste a Sucre).
ssp. saturatior Distribuição: base leste dos Andes, leste da Colômbia (norte de Santander ao sul provavelmente até Meta) e oeste da Venezuela (centro e sul da bacia de Maracaibo, no sul de Zulia, noroeste de Táchira e oeste de Mérida).
ssp. duidae Distribuição: curso superior do rio Orinoco e curso superior do rio Negro no leste da Colômbia (leste de Vichada), sul da Venezuela (noroeste de Bolívar e norte do Amazonas) e noroeste adjacente ao Brasil.
ssp. altirostris Distribuição: Trindade e Tobago
ssp. deltanus Distribuição: noroeste da Venezuela (Delta Amacuro).
ssp. picus Distribuição: sul da Venezuela (sul de Anzoátegui, sul de Monagas, leste de Bolívar), as Guianas e o norte e nordeste do Brasil (baixo rio Negro ao leste até o Amapá e, ao sul do Amazonas, do rio Madeira ao leste até o Ceará e Pernambuco, ao sul até Goiás e, na costa atlântica, até o norte do Rio de Janeiro);
*não está ainda claro se as aves do sudoeste (Pantanal) e do noroeste (ribeira norte do rio Solimões) do Brasil e o adjacente extremo-oeste da Colômbia e o nordeste do Equador se referem a espécie nominal ou a peruvianus.
ssp. peruvianus Distribuição: Amazonia ocidental-sul, do leste do Peru e oeste da Amazônia brasileira (ao leste até o rio Juruá, possivelmente até o rio Madeira), ao sul do norte e oeste da Bolívia (ao sul até Cochabamba e Santa Cruz de La Sierra).

Distribuição geográfica

O arapaçu-de-bico-reto é uma espécie nativa das Américas Central e do Sul e encontra-se distribuido por Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guianas, Panamá, Peru, Trindade e Tobago e Venezuela. [3] No Brasil, o arapaçu-de-bico-branco é encontrado nas Regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e no Espírito Santo. [19]

Morfologia

Dendroplex picus mede cerca de 21 cm. Sua cabeça é cinza-acastanhada com muitos “pontos” brancos contornados de preto, com pescoço e parte do peito acompanhando o padrão pintado de branco contornado de preto. O restante do peito e o ventre são castanho-pálido. Suas asas são de cor cobre, assim como a sua cauda, adaptada para a vida arborícula, com penas semi-rígidas e a extremidade das raques modificadas em forma de ganchos.[20]

Ecologia

O arapaçu-de-bico-branco vive nas bordas de vegetação e habitats sucessionais que ocorrem em uma variedade de situações de terras baixas abertas, como matagais desérticos áridos, manguezais, savanas arborizadas, ilhas fluviais, matas de galeria, bordas de florestas, florestas abertas, florestas secundárias, florestas sazonalmente inundadas e ainda, clareiras antrópicas (plantações e áreas rurais com árvores dispersas) e áreas urbanas. Seu canto pode ser ouvido durante o dia, principalmente no começo da manhã e no final da tarde. Quando visto em voo, as cores mais notadas do arapuçu-do-bico-branco são o marrom ferrugem da asa e do corpo, em geral, e o cinza (com tons de marrom) de sua cabeça. É pássaro insetívoro, frequentamente avistado em bandos mistos, escalando troncos e galhos de árvores, forrageando, sozinho ou em par, em busca de insetos, larvas, ovos e pequenos répteis, no estrato médio e baixo da floresta. [21] Reprodução — a reprodução do Arapaçu-de-bico-branco ocorre no início e durante o período das chuvas no período com maior abundância de insetos. Arapaçus-de-bico-branco podem construir seus ninhos em tocas antigas de pica-pau, em uma cavidade natural de um tronco oco, em um cacto, entre folhas de palmeira, bromélias ou orquídeas epífitas. A fêmea deposita dois a três ovos, brancos, incubados por 15-17 dias. Macho e fêmea incubam os ovos e alimentam a prole durante o seu desenvolvimento. Os filhotes abandonam o ninho com 16-18 dias de idade. A espécie pode viver cerca de 8 anos. [20] [22]

Referências

  1. BirdLife International (2020). «Straight-billed Woodcreeper Dendroplex picus». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2020: e.T22703095A138227917. doi:10.2305/IUCN.UK.2020-3.RLTS.T22703095A138227917.enAcessível livremente. Consultado em 25 de maio de 2025 
  2. a b Gmelin, J. F. (1788). «Aves Picae: Oriolus». In: Linné, C. Systema naturae per regna tria naturae, secundum classes, ordines, genera, species, cum characteribus, differentiis, synonymis, locis (em latim). 1. Leipsig: Georg Emanuel Beer. p. 384 
  3. a b GBIF Secretariat, ed. (2023). Dendroplex picus (Gmelin, 1788). [S.l.]: GBIF Backbone Taxonomy. doi:10.15468/39omei. Consultado em 25 de maio de 2025 – via GBIF.org 
  4. «Arapaçu-de-bico-branco: Dendroplex picus (Gmelin JF, 1788)». AviBase. Consultado em 26 de maio de 2025. Cópia arquivada em 31 de maio de 2025 
  5. Carvalho, M. R. de (1987). Dicionário Tupi (antigo) – Português (PDF). Salvador, Bahia: Empresa Gráfica da Bahia. p. 324 
  6. Jobling, James A. (2010). The Helm Dictionary of Scientific Bird Names. London: Christopher Helm. p. 133. ISBN 978-1-4081-2501-4 
  7. «Picar». Michaellis online – via UOL 
  8. Aleixo, A. (2002). «Molecular Systematics and the Role of The "Várzea"–"Terra-Firme" Ecotone in the Diversification of Xiphorhynchus Woodcreepers (Aves: Dendrocolaptidae)». The Auk. 119 (3): 621–640. doi:10.1093/auk/119.3.621 
  9. Irestedt, Martin, Jon Fjeldså, and Per G. P. Ericson (2004). «Phylogenetic Relationships of Woodcreepers (Aves: Dendrocolaptinae): Incongruence between Molecular and Morphological Data». Journal of Avian Biology. 35 (3): 280–288 
  10. Aleixo, A.; Gregory, S. M. S.; Penhallurick, J. (2007). «Fixation of the type species and revalidation of the genus Dendroplex Swainson, 1827 (Dendrocolaptidae)». Bull. B. O. C. 127: 242–246 
  11. a b Marantz, C. A.; Aleixo, A.; Bevier, L. R.; Patten, M. A.; De Juana, E. (2020). J. del Hoyo, A. Elliott, J. Sargatal, D. A. Christie, E. de Juana, ed. «Straight-billed Woodcreeper (Dendroplex picus)». Birds of the World. Ithaca, NY, USA: Cornell Lab of Ornithology. doi:10.2173/bow.stbwoo2.01 
  12. Griscom, L. (1927). «Undescribed or little-known birds from Panama». New York, NY. American Museum Novitates (em inglês). 280. 20 páginas 
  13. Wetmore, A.; Phelps, W. H. (1946). «Two new wood-hewers of the genus Dendroplex from Venenuela and Colombia». Proceedings of the Biological Society of Washington. 59: 63–66 
  14. Lafresnaye, M. de (1837). I. Traveux Inédits: Quelques oseaux nouveaux ou rares raportés, par M. Delatre, de Bolivie, de la Nouvelle-Grenade et de Panama. Revue Zoologique (em francês). 10. Paris: Société Cuvierienne. p. 76—77 
  15. Phelps, W. H.; Phelps Jr., W. H. (1967). «Two new subspecies of birds from Venezuela, the rufous phase of Pauxi Pauxi, and other notes». Proc. Biol. Soc. Wash. (em inglês). 75: 199–204 
  16. Wetmore, A.; Phelps, W. H. (1946). «Two new wood-hewers of the genus Dendroplex from Venenuela and Colombia». Proceedings of the Biological Society of Washington. 59: 63–66 
  17. Richmond, C.; Robinson, W. (1896). «An annotated list of birds observed on the Island of Margarita, and at Guanta and Laguayra, Venezuela». Proceedings of the US National Museum. 18 (1895): 649–686 
  18. Wetmore, A. (1939). «Five new races of birds from Venezuela». Smithsonian Miscellaneous Collections. 98 (4). 12 páginas 
  19. «Dendroplex picus' (Gmelin, 1788)». SibBr. Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil e Lista da Flora do Brasil 2020. Consultado em 25 de maio de 2025 
  20. a b Lima, J.; Guilherme, E. (2021). «First nest records, nestling growth and morphometrics of Dendroplex picus peruvianus (Aves: Dendrocolaptidae) in southwestern Brazilian Amazon» (PDF). Revista Peruana de Biología. 28 (3). doi:10.15381/rpb.v28i3.20476 
  21. Ingels, J.; Giraud-Audine, M. (2013). «Observations on nesting Straight-billed Woodcreepers Dendroplex picus (Furnariidae: Dendrocolaptinae) in French Guiana». Revista Brasileira de Ornitologia. 21 (3): 157-161 
  22. Majewska, A. A.; Oteysa, J. C. (2013). «Breeding Biology of the Straight-Billed Woodcreeper». The Wilson Journal of Ornithology. 125 (1): 150–158. doi:10.1676/10-149.1