Delphinium staphisagria
Delphinium staphisagria
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| Classificação científica | |||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||
| Delphinium staphisagria L. | |||||||||||||||
Delphinium staphisagria, conhecida popularmente por erva-piolha, é uma espécie de planta com flor pertencente à família das ranunculáceas e ao tipo biológico das terófitas. [1]
A autoridade científica da espécie é L., tendo sido publicada em Species Plantarum 1: 531. 1753.
Nomes comuns
Além de «erva-piolha», esta espécie dá ainda pelos seguintes nomes comuns: erva-piolho[2], erva-piolheira[2][1], estafiságria[2] (grafia alternativa astafiságria[2]), paparraz[2] (grafia alternativa paparáz[2]), caparrás[2][1] e alvarraz[3].
Etimologia
Quanto ao nome científico desta espécie:
- O nome genérico, Delphinium, provém do grego antigo, δελφίς, que significa «golfinho»[4], por alusão ao feitio dos botões das flores desta espécie, que para o botânico Carl Von Lineu, que primeiro registou esta espécie, se afiguravam como golfinhos.[5]
- O epíteto específico, staphisagria , também provém do grego antigo, tratando-se de uma aglutinação dos étimos, σταφίς (stafis), que significa «uva», e ἀγρία (agria), que significa «brava; selvagem».[6]
Distribuição
Espécie própria da região do Mediterrâneo.[7]
Na península Ibérica cresce no sul de Portugal e na Espanha em diferentes zonas de Múrcia, Ilhas Baleares e Andaluzia. [7][8]
Portugal
No que toca à sua presença em território português, é nativa de Portugal Continental, marcando presença, nomeadamente, nas zonas da Terra Quente Trasmontana, no Centro-leste montanhoso, em todas as zonas do Sudeste, no Sudoeste meridional e no Barrocal Algarvio.[2]
Ecologia
Cresce em lugares sombrios e frescos, geralmente secos, embora também possa surgir nas imediações de cursos de água.[2]
É susceptível de medrar tanto em courelas agricultadas, como em terrenos sáfaros, em prados, clareiras de matos e orlas de caminhos.[1]
Por vezes, é cultivada como ornamental, mercê das flores vistosas.[7]
Proteção
Não se encontra protegida pela legislação portuguesa ou pela da União Europeia.
Descrição
É uma planta herbácea anual com caule ereto, grossa e robusta, que pode ir dos 40 aos 100 centímetros, revestida com pêlos moles.[9]
As folhas são grandes e palmatipartidas com os segmentos largamente lanceolados ou obovados, inteiros ou fendidos[9], apresentando 5-9 lóbulos profundos.[7]
Pauta-se pelo esporão curto, de 3 a 4 milímetros, menor que as sépalas.[9] Tem 3 folículos intumescidos, grandes (com cerca de 2 centímetros de comprimento), pubescentes.[9]
Floresce no verão, sendo características as suas flores azuis que aparecem agrupadas em cachos terminais flácidos. A corola tem cinco pétalas de cor branca com tons azulados. Os frutos são cápsulas que contêm sementes.[9]
Nas suas sementes encontram-se uns alcaloides, dos quais se destaca a delfinina, de sabor amargo que leva à morte por asfixia.[10]
Propriedades
- Antigamente era usada para combater piolhos, daí o seu nome comum[7], sendo também usada como antinevrálgico.[10]
- Utilizada para tingir lã.
- O seu consumo não é aconselhável por ser venenoso.[7][10]
- Aplicação externa contra piolhos e sarna.
A erva-piolha é uma planta toda venenosa, especialmente as sementes. A sua composição é de 30 a 35% de óleo essencial e 1,3 de alcaloides. O mais importante é a delfinina (ações muito semelhantes à aconitina: cristaliza com facilidade, cristais insolúveis na água com sabor amargo) ainda que tenha muitos mais como a delfisina, delfinoidina, estafisagroina, entre outros. A delfinina, tal como a aconitina, atua sobre o sistema nervoso central, primeiro estimulante para paralisar progressivamente, sobretudo os centros respiratórios, pelo que causa a morte por asfixia. Em pequenas doses via cutânea causa irritação e inflamação.
Atualmente, é possível encontrar medicamentos que usam a erva-piolha mas apenas por via externa, para combater a pediculose, a sarna ou as picadas de inseto. Pequenas doses de alcaloide podem ser utilizadas como antinevrálgico, para atenuar palpitações, dor de dentes, asma, nevralgias faciais, entre outros.
Sabe-se que os gregos e os romanos a usavam para provocar o vómito. Mais tarde, popularizou-se o seu uso como vermicida, tanto o pó da semente misturado com o pó talco disperso por onde habitavam os parasitas, como mistura deste mesmo pó de semente com óleo ou manteiga e aplicado-se diretamente no cabelo para matar piolhos.[11][12]
Outros usos: como planta ornamental e, também, em alguns países para intoxicar peixes na pesca.[13][14]
Referências
- ↑ a b c d «delphinium staphisagria | Flora-On | Flora de Portugal». flora-on.pt. Consultado em 12 de abril de 2025
- ↑ a b c d e f g h i «Jardim Botânico UTAD | Espécie Delphinium staphisagria». Jardim Botânico UTAD. Consultado em 12 de abril de 2025
- ↑ S.A, Priberam Informática. «Alvarraz - Dicionário Priberam da Língua Portuguesa». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 11 de abril de 2025
- ↑ «δελφίς». WordSense Dictionary (em inglês). Consultado em 12 de abril de 2025
- ↑ «Delphinium». WordSense Dictionary (em inglês). Consultado em 12 de abril de 2025
- ↑ Dioscorides, Pedanius (2000). «4-156. Staphisagria». In: Osbaldeston, Tess Anne. De materia medica. Johanesburg: Ibidis Press. pp. 708–711. ISBN 0-620-23435-0
- ↑ a b c d e f Mendes Ferrão, José (2017). Dicionário das plantas medicinais, letra D. Lisboa: Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica de Lisboa. p. 14. 800 páginas
- ↑ «Flora Vascular - Toda la información detallada sobre la Flora Vascular | - Especie: Delphinium staphisagria | BioScripts.net». www.floravascular.com. Consultado em 12 de abril de 2025
- ↑ a b c d e Pereira Coutinho, António Xavier (1913). Flora de Portugal (Plantas Vasculares): Disposta em Chaves Dicotómicas. Lisboa: Aliud. p. 239. 766 páginas
- ↑ a b c Borralho da Graça, J. A. (1993). Segredos e virtudes das plantas medicinais. Lisboa: Reader's Digest. p. 165. 732 páginas. ISBN 9726090164
- ↑ Giovanni Negri, Erbario Figurato, Milano, Ulrico Hoepli Editore Milano, 1979, pag. 459. ISBN 88-203-0279-9.
- ↑ Giuseppe Lodi, Piante Officinali Italiane, Bologna, Edizioni Agricole Bologna, 1957, pag. 791.
- ↑ Elisabeth Mandl: Arzneipflanzen in der Homöopathie, Maudrich, 1997, ISBN 3-85175-687-8
- ↑ Andrew Lockie: Das große Lexikon der Homöopathie, Dorling Kindersley Verlag, 2000, ISBN 3-8310-0005-0
- Delphinium staphisagria[ligação inativa] - Checklist da Flora de Portugal (Continental, Açores e Madeira) - Sociedade Lusitana de Fitossociologia
- Checklist da Flora do Arquipélago da Madeira (Madeira, Porto Santo, Desertas e Selvagens) - Grupo de Botânica da Madeira
- Delphinium staphisagria - Portal da Biodiversidade dos Açores
- Tropicos.org. Missouri Botanical Garden. 17 de dezembro de 2013 <http://www.tropicos.org/Name/50005674>
- Delphinium staphisagria - The Plant List (2010). Version 1. Published on the Internet; http://www.theplantlist.org/ (consultado em 17 de dezembro de 2013).
- Delphinium staphisagria - International Plant Names Index
Ligações externas
- Delphinium staphisagria - Flora Digital de Portugal. jb.utad.pt/flora.
- Delphinium staphisagria - Flora-on
- Delphinium staphisagria - The Euro+Med PlantBase
- Delphinium staphisagria - Flora Vascular
- Delphinium staphisagria - Biodiversity Heritage Library - Bibliografia
- Delphinium staphisagria - JSTOR Global Plants
- Delphinium staphisagria - Flora Europaea
- Delphinium staphisagria - NCBI Taxonomy Database
- Delphinium staphisagria - Global Biodiversity Information Facility
- Delphinium staphisagria - Encyclopedia of Life