Delfim de Brito Guimarães

Delfim Guimarães
Nome completoDelfim de Brito Guimarães
Nascimento
Morte
6 de julho de 1933 (60 anos)

NacionalidadePortugal Portuguesa
OcupaçãoEditor, poeta, ensaísta e bibliófilo

Delfim de Brito Guimarães (Santo Ildefonso, Porto, 4 de Agosto de 1872Amadora, Oeiras, 6 de Julho de 1933) foi um poeta, ensaísta, bibliófilo e tradutor português.

Biografia

Nasceu na Rua do Bonjardim, n.º 184, freguesia de Santo Ildefonso, no Porto, embora tenha sido batizado na freguesia da . Era o terceiro dos seis filhos do negociante liberal Delfim José Monteiro Guimarães, também jornalista e editor de Alberto Pimentel, natural da freguesia e concelho de Ponte de Lima, e de Maria Júlia Moreira de Brito, também natural do Porto (freguesia de Santo Ildefonso).[1]

Trabalhou na área comercial, onde desempenhou funções de contabilista e de administrador de diversas empresas, como o jornal O Século (1891-1899), de Lisboa,, mas ficou conhecido pela sua produção literária, nomeadamente poesia, ensaio, conto, teatro e história. A sua reorganização da revista Mala da Europa, fundada pelo pai, abriu-lhe as portas do mundo da edição livreira. Foi fundador da editora Guimarães, Libânio e C.ª, em 1899, sediada em Lisboa e dissolvida em 1903.[2]

A 24 de abril de 1895, casou na igreja paroquial de Paranhos, no Porto, com Rosina Vieira da Cruz (São Nicolau, Porto, c. 1872), doméstica, filha de José Baptista Vieira da Cruz, natural de Braga, e de Silvina Augusta da Silva Ferreira, natural do Porto. Do casamento nasceram oito filhos, dos quais uma filha falecida na infância.[3][4]

Entre 1900 e 1903, viveu em Ponte de Lima, onde desempenhou as funções de Administrador do Concelho (1902-1903) e de redator da gazeta O Lima, tendo ainda desenvolvido intensa produção literária.[2]

Em 1903, retomou a atividade editorial e fundou a Livraria Editora Guimarães & C.ª, que viria a evoluir para a Guimarães Editores.[2]

Entre 1904 e 1928, para garantir o sustento da numerosa família, trabalhou como contabilista e, depois, administrador da firma D. Aurora de Macedo, proprietária da Roça Pinheira, em São Tomé. Aí se deslocou oito vezes durante este período, o que terá contribuído para a deterioração do seu estado de saúde.[2]

Tem colaboração em publicações periódicas, como é o caso das revistas Branco e Negro[5] (1896-1898), Ave Azul [6] (1899-1900), A Sátira [7] (1911), Atlântida[8] (1915-1920) e na Revista de turismo [9] iniciada em 1916.

Foi iniciado na Maçonaria na Loja O Futuro, em Lisboa, com o nome simbólico de Bakunine.[10]

A 17 de maio de 1919, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.[11]

Na Amadora, foi membro da Comissão Administrativa da Escola Alexandre Herculano (criada por sua iniciativa) e dirigente da Liga dos Melhoramentos da Amadora. Morreu vítima de miocardite crónica nessa vila, então uma freguesia do concelho de Oeiras, na Rua 5 de Outubro, n.º 25, a 6 de julho de 1933. Foi sepultado no Cemitério de Benfica, em Lisboa.[2]

Obras

Poesias

  • Alma Dorida (1893)
  • Lisboa Negra (1893)
  • Confidências (1894)
  • Evangelho (1895)
  • A Virgem do Castelo (1901)
  • Outonaes (1903)
  • Sonho Garretiano (1908)
  • Alma Portuguesa (1914),
  • Livro do Bebé (1917)
  • Aos Soldados sem Nome (1921)
  • Asas de Portugal
  • A Paixão de Soror Mariana (1922)

Teatro

  • Aldeia na Corte (com D. João da Câmara, em 1901)
  • Juramento Sagrado (1902)

Miscelânea

  • O Rosquedo (1904) (romance)
  • Ares do Minho (1908). (contos e lendas)

Ensaios

  • Bernardim Ribeiro: O Poeta Crisfal: Subsídios para a História da literatura portuguesa (1908)
  • Theófilo Braga: A Lenda do Crisfal (1909)

Traduções

Referências

  1. «Livro de registo de batismos da paróquia da Sé - Porto (1892)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Distrital do Porto. p. 147, assento 291 
  2. a b c d e «DG - Delfim Guimarães». Arquivo Municipal de Ponte de Lima. Consultado em 16 de janeiro de 2026 
  3. «Livro de registo de casamentos da paróquia de Paranhos - Porto (1895)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Distrital do Porto. p. 26 e 26v, assento 26 
  4. «Delfim Guimarães (1872 – 1933)». Arquivo Municipal de Ponte de Lima. Consultado em 16 de janeiro de 2026 
  5. Branco e Negro : semanario illustrado (1896-1898) [cópia digital, Hemeroteca Digital]
  6. Rita Correia (26 de Março de 2011). «Ficha histórica: Ave azul : revista de arte e critica (1899-1900)» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 23 de Junho de 2014 
  7. Rita Correia (7 de fevereiro de 2011). «Ficha histórica:A Sátira. Revista humorística de caricaturas (1911)» (PDF). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 16 de Janeiro de 2015 
  8. Rita Correia (19 de Fevereiro de 2008). «Ficha histórica: Atlantida: mensário artístico, literário e social para Portugal e Brasil» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 17 de Junho de 2014 
  9. Jorge Mangorrinha (16 de janeiro de 2012). «Ficha histórica:Revista de Turismo: publicação quinzenal de turismo, propaganda, viagens, navegação, arte e literatura (1916-1924)» (PDF). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 13 de Maio de 2015 
  10. Oliveira Marques, A. H. de (1985). Dicionário de Maçonaria Portuguesa. Lisboa: Delta. p. 723 
  11. «Entidades Nacionais Agraciadas com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Delfim de Brito Guimarães". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 24 de julho de 2020 

Ligações externas