David Munir
| David Munir | |
|---|---|
| Nascimento | 1963 (63 anos) Beira |
| Cidadania | Portugal |
| Alma mater | |
| Ocupação | xeque |
| Empregador(a) | Universidade Nova de Lisboa |
David Munir (Beira, Moçambique Português, 6 de maio de 1963[1]) é um líder religioso muçulmano português. É o atual imã da Mesquita Central de Lisboa desde 1986,[2] onde também dá aulas de língua árabe e cultura islâmica,[3] e é o Conselheiro Religioso da Comunidade Islâmica de Lisboa.[4]
Biografia
Nasceu na Beira, em Moçambique, filho de um iemenita e de uma moçambicana de ascendência indiana.[2] Ainda jovem, Munir iniciou os seus estudos religiosos numa madraça (Madrassah Ashrafia) na Índia em 1975, onde memorizou o Alcorão. Prosseguiu estudos em Carachi, no Paquistão, onde se licenciou em Teologia Islâmica pelo Instituto Aleemiyah do Centro Islâmico de Carachi (1985) e em Pedagogia pela Universidade de Carachi.[3][5]
Foi ainda professor de língua árabe no Instituto Oriental da Universidade Nova de Lisboa, na Universidade Independente e na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, e membro do Conselho Consultivo Internacional da Fundação Paz e Democracia Monsenhor Martinho da Costa Lopes.[4]
Tem como obras publicadas: Deus que nunca o foi (1987), Ensinamentos Elementares do Islão (1988) e Da Ciência e Filosofia à Religião (1996).[4]
Incidente no Dia de Portugal
No dia 10 de junho de 2025, durante as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o xeque Munir foi atacado verbalmente por um grupo de homens que fazia a saudação nazi. Munir encontrava-se a participar na cerimónia inter-religiosa católica e muçulmana do Encontro Nacional de Homenagem aos Combatentes, no Forte do Bom Sucesso em Belém, Portugal; quando subia ao palanque, um dos homens terá gritado que aquilo era "uma traição ao povo português" e que "isto é uma vergonha, isto não é a tua pátria", tendo proferido insultos de carácter racista durante largos minutos, até ser levado da zona.[6] O candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo, também presente na cerimónia, foi também alvo de insultos.[6][7] Horas depois, alguns dos homens que perturbaram a cerimónia viriam a estar entre o grupo de neonazis que assediou e agrediu atores da companhia de teatro A Barraca.[8]
Sobre o sucedido, Munir referiu que se nota um aumento de discurso anti-Islão nas redes sociais virtuais, sobretudo desde a campanha eleitoral para as eleições legislativas daquele ano, com circulação de desinformação e manipulação psicológica de publicações ligadas ao partido Chega.[6]
Referências
- ↑ «Consulta dos cadernos de recenseamento (resultados de pesquisa de "David Munir", data de nascimento "19630506"». Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI). Consultado em 14 de junho de 2025
- ↑ a b Pereira, Ana Cristina (3 de setembro de 2021). «Sheik David Munir: "Nós, em Portugal, felizmente, não temos nenhum gueto, nem queremos ter"». Público. Consultado em 14 de junho de 2025
- ↑ a b «Xeque David Munir». Palavras no Tempo. Universidade do Porto, Universidade Católica Portuguesa, Centro Nacional de Cultura. 2014. Consultado em 14 de junho de 2025
- ↑ a b c «Sheik David Munir, Imã da Mesquita Central de Lisboa». O Lugar da Cultura: modelos de desenvolvimento para o século XXI. Secretaria de Estado da Cultura. 2015. Consultado em 14 de junho de 2025
- ↑ «David Munir: Board member - Portugal (Imam of the Central Mosque of Lisbon, Portugal)» (em inglês). EuLeMa - European Muslim Leaders' Majlis. Consultado em 14 de junho de 2025
- ↑ a b c Henriques, Joana Gorjão (11 de junho de 2025). «David Munir: "Há uns anos, orgulhava-me de dizer que não havia islamofobia em Portugal. Hoje, não posso dizer a mesma coisa"». Público. Consultado em 14 de junho de 2025
- ↑ Matos, Vitor (14 de junho de 2025). «"O senhor é que nos envergonha, por favor cale-se!", foi o que gritou Gouveia e Melo ao homem que insultou o sheik Munir». Expresso. Consultado em 14 de junho de 2025
- ↑ Franco, Hugo (12 de junho de 2025). «Nazis que atacaram ator tinham insultado o sheik David Munir na cerimónia de homenagem aos combatentes do Ultramar». Expresso. Consultado em 14 de junho de 2025