Daddy (gíria)

Camiseta escrito "Eu amo daddy urso" em uma parada do orgulho em Oslo, 2015.

Daddy é uma gíria que se refere a homens mais velhos e atraentes ou a homens que estão envolvidos sexualmente com um parceiro mais jovem.[1][2][3] Sua origem é relacionada a prostituição, sendo utilizada pela primeira vez, em um contexto não parental, em 1681. O termo foi muito utilizado em músicas do gênero blues e foi adotado pela comunidade gay pr volta da década de 1940.

História

Origens

De acordo com Historical Dictionary of American Slang, o dicionário estadounidense de gírias e expressões, o primeiro uso do termo daddy em um contexto não paternal aconteceu em 1681, em referência a maneira como os profissionais do sexo chamavam os proxenetas ou clientes masculinos mais velhos.[4][5]

Durante a década de 1920, o termo foi usado em músicas do gênero blues e no inglês vernáculo afro-americano para designar o namorado de alguém, especialmente um homem mais velho ou um sugar daddy. Em 1920, a gíria foi usada em um contexto romântico na música de Aileen Stanley "I Wonder Where My Sweet, Sweet Daddy's Gone."[6] O seu uso é parecido com o da canção de 1922 de Lavinia Turner "How Can I Be Your 'Sweet Mama' When You're 'Daddy' to Someone Else?".[4][7] No mesmo ano, a expressão foi empregada em "My Man Rocks Me" de Trixie Smith nos versos: "My man rocks me, with one steady roll [...] I said now, Daddy, ain’t we got fun".[8][5]

Na cultura gay

Na Cultura LGBT e no BDSM, uma relação entre um daddy e um garoto apresenta similaridades com a dinâmica de dominação e submissão.[9] A revisita New York escreveu que o termo, no contexto gay, surgiu na subcultura do couro, que se iniciou na década de 1940.[10]

Na década de 1970, o arquétipo de "leather daddy", que apresenta associações sadomasoquistas, foi difundido em diversas mídias, como a revista Drummer, lançada em 1975, os filmes pornográficos gays Working Man Trilogy lançados de 1976 a 1979 e os romances BDSM de Larry Townsend.[10]

Braidon Schaufert aponta que o termo foi ainda mais disseminado e normalizado através do jogo de romance visual de Game Grumps de 2017 Dream Daddy: A Dad Dating Simulator, que apresenta pais gays em um jogo de romance e construiu uma rede significante de fãs online.[11]

A Vogue Escandinávia também destaca como o ator sueco Alexander Skarsgård, para campanha do filme gay BDSM Pillion de 2025, utilizou de elementos "daddy" em suas roupas, como couro, jaquetas, bíceps expostos e referências a brinquedos sexuais, para promover a obra.[12]

Gênero

Em 2000, Andrew Schopp defende que o arquétipo de daddy desafia os conceitos ideológicos dominantes de masculinidade ao se apropriar de ícones masculinos e de autoridade masculina, como couro, motocicletas e uniformes, e transportando-as para um contexto da experiência sexual gay.[13]

Em 2018, Braidon Schaufert apresenta que, ao criar o termo "daddy", a comunidade queer separou a construção social de gênero de paternidade do ato oficial de cuidar de filhos.[11]

No caso de relações de pessoas trans, especialmente de homens trans, uma relação entre um daddy e um homem pode ser parte importante da afirmação de gênero.[14][15]

Referências

  1. «Here's an Outrageously Comprehensive Guide to the Term 'Daddy'». Esquire (em inglês). 15 de junho de 2018. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  2. «The Guysexual's Urban Dictionary for Gay Slang - Firstpost». Consultado em 20 de janeiro de 2026. Arquivado do original em 16 de maio de 2021 
  3. «8 Signs You Have 'Daddy Issues' — and What That Actually Means». InStyle (em inglês). Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  4. a b «Conception of a Question: Who's Your Daddy? (washingtonpost.com)». www.washingtonpost.com. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  5. a b Karen. «The Deal with Daddy». Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  6. «I Wonder Where My Sweet Sweet Daddy's Gone (Stark, Ray H.) - IMSLP». imslp.org. Consultado em 21 de janeiro de 2026 
  7. «NEW!! PRE-WAR BLUES LYRICS CONCORDANCE». www.konkordans.se. Consultado em 21 de janeiro de 2026 
  8. Trixie Smith – My Man Rocks Me (With One Steady Roll), consultado em 21 de janeiro de 2026 
  9. Weinberg, Thomas S., ed. (1995). S & M: studies in dominance & submission Rev. ed. ed. Amherst, N.Y: Prometheus Book. ISBN 978-0-87975-978-0 
  10. a b Albo, Mike (14 de junho de 2013). «Rise of the 'Daddies': A New (and Sexy) Gay Niche». The Cut (em inglês). Consultado em 21 de janeiro de 2026 
  11. a b Schaufert, Braidon (dezembro de 2018). «Daddy's Play: Subversion and Normativity in Dream Daddy's Queer World». Game Studies (3). ISSN 1604-7982. Consultado em 21 de janeiro de 2026 
  12. «Happy Father's Day to Alexander Skarsgård, specifically: A look back at the daddy-coded press tour fits». Vogue Scandinavia (em inglês). 7 de novembro de 2025. Consultado em 22 de janeiro de 2026 
  13. Schopp, A. (2000). (De)Constructing Daddy: The absent father, revisionist masculinity and/in queer cultural representations. disClosure: A Journal of Social Theory, 9(3), 15-39.
  14. Adair, Cassius; Aizura, Aren (1 de fevereiro de 2022). «"The Transgender Craze Seducing Our [Sons]"; or, All the Trans Guys Are Just Dating Each Other». TSQ: Transgender Studies Quarterly (em inglês) (1): 44–64. ISSN 2328-9252. doi:10.1215/23289252-9475509. Consultado em 21 de janeiro de 2026 
  15. Awkward-Rich, Cameron; Malatino, Hil (1 de fevereiro de 2022). «Meanwhile, t4t». TSQ: Transgender Studies Quarterly (em inglês) (1): 1–8. ISSN 2328-9252. doi:10.1215/23289252-9475467. Consultado em 21 de janeiro de 2026