Daddy (gíria)
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Daddy é uma gíria que se refere a homens mais velhos e atraentes ou a homens que estão envolvidos sexualmente com um parceiro mais jovem.[1][2][3] Sua origem é relacionada a prostituição, sendo utilizada pela primeira vez, em um contexto não parental, em 1681. O termo foi muito utilizado em músicas do gênero blues e foi adotado pela comunidade gay pr volta da década de 1940.
História
Origens
De acordo com Historical Dictionary of American Slang, o dicionário estadounidense de gírias e expressões, o primeiro uso do termo daddy em um contexto não paternal aconteceu em 1681, em referência a maneira como os profissionais do sexo chamavam os proxenetas ou clientes masculinos mais velhos.[4][5]
Durante a década de 1920, o termo foi usado em músicas do gênero blues e no inglês vernáculo afro-americano para designar o namorado de alguém, especialmente um homem mais velho ou um sugar daddy. Em 1920, a gíria foi usada em um contexto romântico na música de Aileen Stanley "I Wonder Where My Sweet, Sweet Daddy's Gone."[6] O seu uso é parecido com o da canção de 1922 de Lavinia Turner "How Can I Be Your 'Sweet Mama' When You're 'Daddy' to Someone Else?".[4][7] No mesmo ano, a expressão foi empregada em "My Man Rocks Me" de Trixie Smith nos versos: "My man rocks me, with one steady roll [...] I said now, Daddy, ain’t we got fun".[8][5]
Na cultura gay
Na Cultura LGBT e no BDSM, uma relação entre um daddy e um garoto apresenta similaridades com a dinâmica de dominação e submissão.[9] A revisita New York escreveu que o termo, no contexto gay, surgiu na subcultura do couro, que se iniciou na década de 1940.[10]
Na década de 1970, o arquétipo de "leather daddy", que apresenta associações sadomasoquistas, foi difundido em diversas mídias, como a revista Drummer, lançada em 1975, os filmes pornográficos gays Working Man Trilogy lançados de 1976 a 1979 e os romances BDSM de Larry Townsend.[10]
Braidon Schaufert aponta que o termo foi ainda mais disseminado e normalizado através do jogo de romance visual de Game Grumps de 2017 Dream Daddy: A Dad Dating Simulator, que apresenta pais gays em um jogo de romance e construiu uma rede significante de fãs online.[11]
A Vogue Escandinávia também destaca como o ator sueco Alexander Skarsgård, para campanha do filme gay BDSM Pillion de 2025, utilizou de elementos "daddy" em suas roupas, como couro, jaquetas, bíceps expostos e referências a brinquedos sexuais, para promover a obra.[12]
Gênero
Em 2000, Andrew Schopp defende que o arquétipo de daddy desafia os conceitos ideológicos dominantes de masculinidade ao se apropriar de ícones masculinos e de autoridade masculina, como couro, motocicletas e uniformes, e transportando-as para um contexto da experiência sexual gay.[13]
Em 2018, Braidon Schaufert apresenta que, ao criar o termo "daddy", a comunidade queer separou a construção social de gênero de paternidade do ato oficial de cuidar de filhos.[11]
No caso de relações de pessoas trans, especialmente de homens trans, uma relação entre um daddy e um homem pode ser parte importante da afirmação de gênero.[14][15]
Referências
- ↑ «Here's an Outrageously Comprehensive Guide to the Term 'Daddy'». Esquire (em inglês). 15 de junho de 2018. Consultado em 20 de janeiro de 2026
- ↑ «The Guysexual's Urban Dictionary for Gay Slang - Firstpost». Consultado em 20 de janeiro de 2026. Arquivado do original em 16 de maio de 2021
- ↑ «8 Signs You Have 'Daddy Issues' — and What That Actually Means». InStyle (em inglês). Consultado em 20 de janeiro de 2026
- ↑ a b «Conception of a Question: Who's Your Daddy? (washingtonpost.com)». www.washingtonpost.com. Consultado em 20 de janeiro de 2026
- ↑ a b Karen. «The Deal with Daddy». Consultado em 20 de janeiro de 2026
- ↑ «I Wonder Where My Sweet Sweet Daddy's Gone (Stark, Ray H.) - IMSLP». imslp.org. Consultado em 21 de janeiro de 2026
- ↑ «NEW!! PRE-WAR BLUES LYRICS CONCORDANCE». www.konkordans.se. Consultado em 21 de janeiro de 2026
- ↑ Trixie Smith – My Man Rocks Me (With One Steady Roll), consultado em 21 de janeiro de 2026
- ↑ Weinberg, Thomas S., ed. (1995). S & M: studies in dominance & submission Rev. ed. ed. Amherst, N.Y: Prometheus Book. ISBN 978-0-87975-978-0
- ↑ a b Albo, Mike (14 de junho de 2013). «Rise of the 'Daddies': A New (and Sexy) Gay Niche». The Cut (em inglês). Consultado em 21 de janeiro de 2026
- ↑ a b Schaufert, Braidon (dezembro de 2018). «Daddy's Play: Subversion and Normativity in Dream Daddy's Queer World». Game Studies (3). ISSN 1604-7982. Consultado em 21 de janeiro de 2026
- ↑ «Happy Father's Day to Alexander Skarsgård, specifically: A look back at the daddy-coded press tour fits». Vogue Scandinavia (em inglês). 7 de novembro de 2025. Consultado em 22 de janeiro de 2026
- ↑ Schopp, A. (2000). (De)Constructing Daddy: The absent father, revisionist masculinity and/in queer cultural representations. disClosure: A Journal of Social Theory, 9(3), 15-39.
- ↑ Adair, Cassius; Aizura, Aren (1 de fevereiro de 2022). «"The Transgender Craze Seducing Our [Sons]"; or, All the Trans Guys Are Just Dating Each Other». TSQ: Transgender Studies Quarterly (em inglês) (1): 44–64. ISSN 2328-9252. doi:10.1215/23289252-9475509. Consultado em 21 de janeiro de 2026
- ↑ Awkward-Rich, Cameron; Malatino, Hil (1 de fevereiro de 2022). «Meanwhile, t4t». TSQ: Transgender Studies Quarterly (em inglês) (1): 1–8. ISSN 2328-9252. doi:10.1215/23289252-9475467. Consultado em 21 de janeiro de 2026