DECO Cassette System
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O DECO Cassette System foi a primeira plataforma de arcade a permitir que os proprietários de gabinetes trocassem os jogos através de fitas cassete, eliminando a necessidade de substituir placas inteiras.[1] Foi lançada em 1980 pela japonesa Data East, especializada no desenvolvimento de jogos eletrônicos.[1][2]
História
A plataforma DECO Cassette System foi desenvolvida como solução de baixo custo para o problema da vida útil limitada dos jogos de arcade. Para manter a lucratividade, os operadores de arcades precisavam atualizar regularmente a lista de jogos disponíveis em seus estabelecimentos, retirando jogos com popularidade em declínio em favor de novas ofertas. O processo era caro e inconveniente, envolvendo, na melhor das hipóteses, a substituição do circuito impresso principal ou, na pior, de toda a unidade. Em contraste, o DECO permitia que os operadores trocassem os jogos no gabinete por meio de software, em vez de hardware. A plataforma é reconhecida como o primeiro sistema padronizado desse tipo, precedendo em seis anos o PlayChoice-10 da Nintendo, e em dez anos o Neo Geo MVS da SNK.[1]
Antecedentes
Antes do lançamento da plataforma DECO Cassette System, a Data East já havia conquistado certa aceitação na indústria graças a um de seus jogos eletrônicos, chamado Astro Fighter: apresentado na primeira edição da Amusement Operators Expo em Nova Orleans, acabou se tornando um dos grandes sucessos que dominaram os jogos de pinball e todos os outros modos de jogo concorrentes em 1980. O Astro Fighter, licenciado inicialmente para a Gremlin, terminou aquele ano em quarto lugar nas vendas, atrás apenas de Asteroids, Galaxian e Space Invaders — uma concorrência acirrada.[3]
O sucesso de tal lançamento fez com que a Data East logo precisasse começar a fabricar os jogos para atender à demanda. De acordo com declarações do presidente da empresa à época, Satish Bhutani, sua rede de distribuição cresceu para 89 pontos de venda, penetração bastante louvável para uma empresa de videogames que, pouco tempo antes, era praticamente inexistente no mercado americano.[3]
A partir da segunda edição da Amusement Operators Expo, realizada apenas um ano depois, a Data East começou a aceitar encomendas do DECO Cassette System, enfrentando como consequência uma reação gélida dos distribuidores, que passaram a se sentir ameaçados frente a um sistema que muitos acreditavam que eliminaria completamente a necessidade de distribuidores e possivelmente até mesmo de operadores. Os distribuidores acabaram por abandonar o produto, fazendo com que a rede de distribuição da Data East encolhesse para apenas 17 pontos de venda.[3]
Disponibilização
O DECO Cassette System estava disponível em gabinetes de mesa ou verticais que abrigavam três placas de circuito impresso (CPU e sistema de exibição, memória e sistema de áudio e controlador de entrada), além de um gravador de fita, usado para carregar os jogos. Os próprios jogos eram distribuídos em fitas cassete proprietárias. Um pacote completo de determinado jogo consistia em uma fita com o programa do jogo, uma chave de segurança de hardware — medida de proteção contra cópia —, o manual do operador, uma folha de instruções, o painel luminoso e materiais promocionais, como cartões de exibição ou mini pôsteres. Após inserir a fita cassete do jogo no gravador e conectar o módulo de chave correspondente, o sistema era ligado e, após a verificação bem-sucedida da chave de segurança, carregava o programa na memória, processo que levava entre dois e três minutos, aproximadamente.[1]
Controvérsia e descontinuação
Teoricamente, o sistema inovador era uma alternativa conveniente e barata aos gabinetes de arcade dedicados. Na prática, no entanto, era assolado por problemas de confiabilidade, pois a fita magnética se desgastava após apenas alguns meses de uso. Além disso, embora a Data East tenha cumprido grande parte de sua promessa de lançar dez novos jogos por ano, muitos deles eram medíocres e derivados. Aproximadamente cinquenta jogos foram lançados para o sistema de cassetes DECO antes que ele fosse descontinuado, em 1985.[1]
Referências
- ↑ a b c d e Wolf, Mark J. P. (24 de maio de 2021). Encyclopedia of Video Games: The Culture, Technology, and Art of Gaming [3 volumes] (em inglês). [S.l.]: Bloomsbury Publishing USA. p. 246. ISBN 978-1-4408-7020-0. Consultado em 21 de janeiro de 2026
- ↑ Kurtz, Bill (2004). The Encyclopedia of Arcade Video Games. Col: A Schiffer book for collectors. Atglen, PA: Schiffer Pub. p. 79. ISBN 978-0-7643-1925-9. Consultado em 26 de janeiro de 2026
- ↑ a b c Pierson, David (15 de março de 1982). «The Changeable Game Revolution: Talking with the Revolutionaries». Play Meter. volume 8 (número 6): pp. 46-50. Consultado em 21 de janeiro de 2026