Dê um Rolê

 Nota: Para a canção da banda de rock brasileira Novos Baianos, veja Dê um Rolê (canção).
Dê um Rolê
Álbum de estúdio de Zizi Possi
Lançamento12 de outubro de 1984
Gênero(s)MPB, jazz, pop
Idioma(s)Português
Formato(s)LP
Gravadora(s)PolyGram
ProduçãoJoão Augusto
Cronologia de Zizi Possi
Zizi
(1986)
Singles de Dê um Rolê
  1. "Dê um Rolê"
    Lançamento: 1984
  2. "Lábios"
    Lançamento: 1985

Dê um Rolê é o sétimo álbum da cantora brasileira Zizi Possi, lançado em 12 de outubro de 1984, pela PolyGram.[1][2] O lançamento do projeto ocorreu após o nascimento de sua filha, a também cantora Luiza Possi. Durante o processo de produção, a artista conciliou a carreira com a maternidade, levando a filha para as sessões de gravação.

O álbum é composto por uma mistura de regravações de clássicos da música brasileira, como "Luisa" de Tom Jobim, e composições originais. O trabalho conta com colaborações de artistas como Djavan, Gilberto Gil, Gervan e João Bosco.. A faixa-título, "Dê um Rolê", é uma composição de Moraes Moreira e Luiz Galvão, gravada originalmente por Gal Costa na década de 1970.

Para a promoção do álbum, Zizi Possi embarcou em uma turnê por várias cidades brasileiras e fez aparições em programas de televisão. Apesar das dificuldades de promoção nas rádios, devido a exigências técnicas, a cantora relatou estar feliz com a boa recepção do público. O álbum foi relançado no formato CD em 2002, como parte de uma série de relançamentos de sua discografia pela Universal Music Brasil.

Produção e gravação

A produção e gravação do álbum ocorreu tanto no período da gravidez da cantora e após o nascimento de sua única filha, Luiza Possi.[3] Um dos momentos marcantes desse período foi sua decisão de tomar uma injeção de hormônio para secar o leite, permitindo que ela pudesse cumprir sua agenda de compromissos profissionais.[4] Contudo, essa medida teve consequências inesperadas em sua voz, dificultando sua capacidade de alcançar e manter determinadas notas durante suas performances.[4] Tal aspecto, segundo Possi, é imperceptível ao ouvir o álbum.[4] A regravação de "Luisa" de Tom Jobim tem a inclusão do choro do neném no disco.[4]

Em entrevista, a cantora ressaltou a importância de ter tido liberdade na produção do disco, sem interferências externas relacionadas à cena musical dominada pelo rock brasileiro na época.[4] O título do álbum vem da canção homônima que é uma composição de Moraes Moreira e Luiz Galvão que foi gravada pela primeira vez por Gal Costa, nos anos de 1970.[3] A cantora disse que achava a canção bonita e de suma importância para a música nacional e que ela "pertence a categoria das músicas que são eternas, que não possuem época" e por esse motivo a regravou.[5] Disse também não estar querendo reviver uma coisa que já existiu e sim "trazendo de novo, uma expressão, uma canção que propõe uma virada".[6] Além dessa canção, há composições de artistas renomados, tais como: Djavan, Gilberto Gil, João Bosco, José Carlos Capinam e da própria autoria da cantora.[7]

Em relação a parte gráfica do trabalho, devido a gravidez, a cantora enfrentou falta de disponibilidade para realizar uma sessão de fotos exclusiva para a capa e encartes do álbum.[4] Como solução, optou-se por utilizar uma imagem de um ensaio anterior da artista, capturada por Lucia Helena Zeremba, e complementada por ilustrações de Mário Bag, com coordenação gráfica e artística de Jorge Vianna.[4] O álbum foi relançado no formato compact disc (CD) em 2002, na série Tudo, da Universal Music, junto com outros treze álbuns de Possi, incluindo as capas e encartes originais.[8]

Divulgação

Para promover o álbum, Possi embarcou em uma turnê que passou por várias cidades brasileiras.[9] A série de apresentações teve início em 6 de junho de 1984, no Teatro Tereza Raquel, no Rio de Janeiro.[10] A direção foi encabeçada por Stepan Nercessian. A banda era formada por: Luiz Eduardo Farah (teclados e piano), João Bosco Nóbrega (teclados), Liber Gadelha (guitarra), Feijão (baixo), Wilson Meireles (bateria).[10]

O repertório do show foi concebido como uma síntese afetiva e estética da trajetória de Zizi Possi, reunindo releituras de sua própria discografia e interpretações de compositores centrais da música popular brasileira.[11] A montagem incluiu faixas de Dê um Rolê, como "Dê um Rolê", "Lábios", Papel Machê" e "Brilho Louco", além de números já consagrados em sua carreira, entre eles "Asa Morena" e "Pedaço de Mim".[11] O espetáculo também incorporou homenagens a outros artistas e covers, com interpretações de "Terra" e "Podres Poderes" (de Caetano Veloso), "Tempos Modernos" (de Lulu Santos), "Alô, Alô Marciano" (de Elis Regina), assim como "Mamãe Natureza" (de Rita Lee), "Nova Era" (de Gilberto Gil) e "Sal da Terra" (de Milton Nascimento e Fernando Brant).[11]

Além do show, Possi apareceu em vários programas de televisão para divulgação do trabalho. Entre suas aparições estão o Cassino do Chacrinha, e o programa dominical Fantástico, da Rede Globo, para o qual a cantora gravou o videoclipe de "Dê um Rolê".[12] Duas músicas de trabalho foram lançadas em disco mix para as rádios: "Dê um Rolê"[13] e "Lábios".[14]

Recepção crítica

Na crítica assinada por Tárik de Souza, do Jornal do Brasil, o álbum é analisado como uma obra que, embora inevitavelmente remeta à Gal Costa — devido à escolha do repertório e à regravação da faixa-título —, consegue afirmar a individualidade artística de Zizi.[15] O crítico destaca que a cantora não pretende ser uma cópia de Gal, mas sim apresentar uma nova proposta, contemporânea e coerente com sua trajetória.[15] Souza elogia a produção de Lincoln Olivetti, que, com seu toque pragmático e tecnológico, confere ao disco uma sonoridade moderna e eletrônica, como no caso de "Papel Marchê".[15] Apesar disso, o crítico nota certa perda de ousadia e experimentação em comparação com trabalhos anteriores da artista.[15] Ainda assim, conclui que Zizi se distancia da mera imitação, reafirmando seu próprio estilo e maturidade musical.[15]

Desempenho comercial

Segundo Possi, foi difícil fazer com que as músicas fossem tocadas nas rádios, uma vez que elas faziam um número substancial de exigências que variavam entre a forma como alguns instrumentos estavam sendo executados na música, ao seu ritmo.[16] Em entrevista, ela acrescentou sobre as rádios: "As vezes existe uma exigência de "qualidade" que nem sempre estamos a fim de fazer. "Dê um Rolê", por exemplo, é uma música gravada nos padrões contemporâneos, dentro até das exigências das rádios e não toca, como explicar?".[16] Apesar dos empecilhos, segundo o jornal Correio Braziliense, de 8 de dezembro de 1984, a cantora estava feliz quanto a recepção do público ao trabalho.[7]

Lista de faixas

  • Créditos adaptados do LP Dê um Rolê, de 1984.[17][18]

Lado A

N.º TítuloCompositor(es) Duração
1. "Dê um Rolê"  Galvão, Moraes Moreira 3:23
2. "Lábios"  Djavan 3:54
3. "Depois Me Diz"  Marina, Antônio Cícero 4:04
4. "Papel Machê"  Capinan, João Bosco 4:04
5. "Pássaro Sem Ninho"  Ricardo Augusto, Luiz Melodia 2:49

Lado B

N.º TítuloCompositor(es) Duração
1. "Cigana Nuvem"  Altay Veloso 3:53
2. "Febril"  Gilberto Gil 4:39
3. "Luiza"  Tom Jobim 3:18
4. "Nobreza"  Djavan 3:33
5. "Brilho Louco"  Zizi Possi, Líber Gadelha 3:16

Ligações externas

Referências

  1. «DÊ UM ROLÊ». Consultado em 16 de janeiro de 2015 
  2. «Zizi Possi Em "Dê Um Rolê"». Consultado em 16 de janeiro de 2015 
  3. a b Arrázola, Ana Lúcia (3 de fevereiro de 1985). «Zizi Possi - Eu tenho alma de cantora». Jornal do Commercio: 10. Consultado em 16 de dezembro de 2021 
  4. a b c d e f g Fróes, Marcelo (2002). Dê um Rolê. Brasil: Universal Music. 042282402523 
  5. Arrázola, Ana Lúcia (3 de fevereiro de 1985). «Zizi Possi - Eu tenho alma de cantora». Jornal do Commercio: 11. Consultado em 16 de dezembro de 2021 
  6. «De Veloso a Zizi Possi, discos em vários gêneros». A Tribuna: 13. 28 de dezembro de 1984. Consultado em 16 de dezembro de 2021 
  7. a b Lima, Irlam Rocha (8 de dezembro de 1984). «Zizi Possi em estado de graça». Correio Braziliense: 23. Consultado em 16 de dezembro de 2021 
  8. Souza, Tárik de (17 de maio de 2002). «Tudo de Possi e Ângela Roro» 39 ed. Rio de Janeiro. Jornal do Brasil: 4 (Caderno B). Consultado em 29 de julho de 2024 
  9. «Zizi engordando a poupança». Jornal dos Sports: 8. 9 de agosto de 1985. Consultado em 16 de dezembro de 2021 
  10. a b «Dê um Rolê». Diário de Pernambuco: 1. 1 de junho de 1985. Consultado em 16 de dezembro de 2021 
  11. a b c Aragão, Diana (5 de junho de 1985). «Zizi Possi faz afinal o "show" que queria fazer». Jornal do Brasil (58): 8 (Caderno B). Consultado em 15 de novembro de 2025 
  12. «Zizi do Cassino ao Tereza Raquel». Jornal dos Sports: 14. 29 de maio de 1985. Consultado em 16 de dezembro de 2021 
  13. (1984) Créditos do álbum Dê um Rolê por Zizi Possi [LP]. PolyGram (2801 084localização=Brasil).
  14. (1985) Créditos do álbum Disco Mix Dose Dupla: O Quereres / Lábios por Caetano Veloso; Zizi Possi [LP]. Brasil: PolyGram (2801097).
  15. a b c d e Souza, Tárik de (12 de novembro de 1984). «O rolê que Zizi não deu». Jornal do Brasil (218): 7 (Caderno B). Consultado em 13 de novembro de 2025 
  16. a b Carvalho, Ana (29 de março de 1985). «Zizi Possi: É preciso investir na MPB e mudar a política das rádios». Tribuna da Imprensa: 12. Consultado em 16 de dezembro de 2021 
  17. (1984) Créditos do álbum Dê um Rolê por Zizi Possi [LP]. Brasil: PolyGram (824 025-1).
  18. «Zizi Possi – LP/CD Dê um Rolê». Instituto Memória Musical Brasileira. Consultado em 14 de dezembro de 2021