Dê um Rolê
| Dê um Rolê | ||||
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| Álbum de estúdio de Zizi Possi | ||||
| Lançamento | 12 de outubro de 1984 | |||
| Gênero(s) | MPB, jazz, pop | |||
| Idioma(s) | Português | |||
| Formato(s) | LP | |||
| Gravadora(s) | PolyGram | |||
| Produção | João Augusto | |||
| Cronologia de Zizi Possi | ||||
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| Singles de Dê um Rolê | ||||
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Dê um Rolê é o sétimo álbum da cantora brasileira Zizi Possi, lançado em 12 de outubro de 1984, pela PolyGram.[1][2] O lançamento do projeto ocorreu após o nascimento de sua filha, a também cantora Luiza Possi. Durante o processo de produção, a artista conciliou a carreira com a maternidade, levando a filha para as sessões de gravação.
O álbum é composto por uma mistura de regravações de clássicos da música brasileira, como "Luisa" de Tom Jobim, e composições originais. O trabalho conta com colaborações de artistas como Djavan, Gilberto Gil, Gervan e João Bosco.. A faixa-título, "Dê um Rolê", é uma composição de Moraes Moreira e Luiz Galvão, gravada originalmente por Gal Costa na década de 1970.
Para a promoção do álbum, Zizi Possi embarcou em uma turnê por várias cidades brasileiras e fez aparições em programas de televisão. Apesar das dificuldades de promoção nas rádios, devido a exigências técnicas, a cantora relatou estar feliz com a boa recepção do público. O álbum foi relançado no formato CD em 2002, como parte de uma série de relançamentos de sua discografia pela Universal Music Brasil.
Produção e gravação
A produção e gravação do álbum ocorreu tanto no período da gravidez da cantora e após o nascimento de sua única filha, Luiza Possi.[3] Um dos momentos marcantes desse período foi sua decisão de tomar uma injeção de hormônio para secar o leite, permitindo que ela pudesse cumprir sua agenda de compromissos profissionais.[4] Contudo, essa medida teve consequências inesperadas em sua voz, dificultando sua capacidade de alcançar e manter determinadas notas durante suas performances.[4] Tal aspecto, segundo Possi, é imperceptível ao ouvir o álbum.[4] A regravação de "Luisa" de Tom Jobim tem a inclusão do choro do neném no disco.[4]
Em entrevista, a cantora ressaltou a importância de ter tido liberdade na produção do disco, sem interferências externas relacionadas à cena musical dominada pelo rock brasileiro na época.[4] O título do álbum vem da canção homônima que é uma composição de Moraes Moreira e Luiz Galvão que foi gravada pela primeira vez por Gal Costa, nos anos de 1970.[3] A cantora disse que achava a canção bonita e de suma importância para a música nacional e que ela "pertence a categoria das músicas que são eternas, que não possuem época" e por esse motivo a regravou.[5] Disse também não estar querendo reviver uma coisa que já existiu e sim "trazendo de novo, uma expressão, uma canção que propõe uma virada".[6] Além dessa canção, há composições de artistas renomados, tais como: Djavan, Gilberto Gil, João Bosco, José Carlos Capinam e da própria autoria da cantora.[7]
Em relação a parte gráfica do trabalho, devido a gravidez, a cantora enfrentou falta de disponibilidade para realizar uma sessão de fotos exclusiva para a capa e encartes do álbum.[4] Como solução, optou-se por utilizar uma imagem de um ensaio anterior da artista, capturada por Lucia Helena Zeremba, e complementada por ilustrações de Mário Bag, com coordenação gráfica e artística de Jorge Vianna.[4] O álbum foi relançado no formato compact disc (CD) em 2002, na série Tudo, da Universal Music, junto com outros treze álbuns de Possi, incluindo as capas e encartes originais.[8]
Divulgação
Para promover o álbum, Possi embarcou em uma turnê que passou por várias cidades brasileiras.[9] A série de apresentações teve início em 6 de junho de 1984, no Teatro Tereza Raquel, no Rio de Janeiro.[10] A direção foi encabeçada por Stepan Nercessian. A banda era formada por: Luiz Eduardo Farah (teclados e piano), João Bosco Nóbrega (teclados), Liber Gadelha (guitarra), Feijão (baixo), Wilson Meireles (bateria).[10]
O repertório do show foi concebido como uma síntese afetiva e estética da trajetória de Zizi Possi, reunindo releituras de sua própria discografia e interpretações de compositores centrais da música popular brasileira.[11] A montagem incluiu faixas de Dê um Rolê, como "Dê um Rolê", "Lábios", Papel Machê" e "Brilho Louco", além de números já consagrados em sua carreira, entre eles "Asa Morena" e "Pedaço de Mim".[11] O espetáculo também incorporou homenagens a outros artistas e covers, com interpretações de "Terra" e "Podres Poderes" (de Caetano Veloso), "Tempos Modernos" (de Lulu Santos), "Alô, Alô Marciano" (de Elis Regina), assim como "Mamãe Natureza" (de Rita Lee), "Nova Era" (de Gilberto Gil) e "Sal da Terra" (de Milton Nascimento e Fernando Brant).[11]
Além do show, Possi apareceu em vários programas de televisão para divulgação do trabalho. Entre suas aparições estão o Cassino do Chacrinha, e o programa dominical Fantástico, da Rede Globo, para o qual a cantora gravou o videoclipe de "Dê um Rolê".[12] Duas músicas de trabalho foram lançadas em disco mix para as rádios: "Dê um Rolê"[13] e "Lábios".[14]
Recepção crítica
Na crítica assinada por Tárik de Souza, do Jornal do Brasil, o álbum é analisado como uma obra que, embora inevitavelmente remeta à Gal Costa — devido à escolha do repertório e à regravação da faixa-título —, consegue afirmar a individualidade artística de Zizi.[15] O crítico destaca que a cantora não pretende ser uma cópia de Gal, mas sim apresentar uma nova proposta, contemporânea e coerente com sua trajetória.[15] Souza elogia a produção de Lincoln Olivetti, que, com seu toque pragmático e tecnológico, confere ao disco uma sonoridade moderna e eletrônica, como no caso de "Papel Marchê".[15] Apesar disso, o crítico nota certa perda de ousadia e experimentação em comparação com trabalhos anteriores da artista.[15] Ainda assim, conclui que Zizi se distancia da mera imitação, reafirmando seu próprio estilo e maturidade musical.[15]
Desempenho comercial
Segundo Possi, foi difícil fazer com que as músicas fossem tocadas nas rádios, uma vez que elas faziam um número substancial de exigências que variavam entre a forma como alguns instrumentos estavam sendo executados na música, ao seu ritmo.[16] Em entrevista, ela acrescentou sobre as rádios: "As vezes existe uma exigência de "qualidade" que nem sempre estamos a fim de fazer. "Dê um Rolê", por exemplo, é uma música gravada nos padrões contemporâneos, dentro até das exigências das rádios e não toca, como explicar?".[16] Apesar dos empecilhos, segundo o jornal Correio Braziliense, de 8 de dezembro de 1984, a cantora estava feliz quanto a recepção do público ao trabalho.[7]
Lista de faixas
Lado A
| N.º | Título | Compositor(es) | Duração | |
|---|---|---|---|---|
| 1. | "Dê um Rolê" | Galvão, Moraes Moreira | 3:23 | |
| 2. | "Lábios" | Djavan | 3:54 | |
| 3. | "Depois Me Diz" | Marina, Antônio Cícero | 4:04 | |
| 4. | "Papel Machê" | Capinan, João Bosco | 4:04 | |
| 5. | "Pássaro Sem Ninho" | Ricardo Augusto, Luiz Melodia | 2:49 |
Lado B
| N.º | Título | Compositor(es) | Duração | |
|---|---|---|---|---|
| 1. | "Cigana Nuvem" | Altay Veloso | 3:53 | |
| 2. | "Febril" | Gilberto Gil | 4:39 | |
| 3. | "Luiza" | Tom Jobim | 3:18 | |
| 4. | "Nobreza" | Djavan | 3:33 | |
| 5. | "Brilho Louco" | Zizi Possi, Líber Gadelha | 3:16 |
Ligações externas
Referências
- ↑ «DÊ UM ROLÊ». Consultado em 16 de janeiro de 2015
- ↑ «Zizi Possi Em "Dê Um Rolê"». Consultado em 16 de janeiro de 2015
- ↑ a b Arrázola, Ana Lúcia (3 de fevereiro de 1985). «Zizi Possi - Eu tenho alma de cantora». Jornal do Commercio: 10. Consultado em 16 de dezembro de 2021
- ↑ a b c d e f g Fróes, Marcelo (2002). Dê um Rolê. Brasil: Universal Music. 042282402523
- ↑ Arrázola, Ana Lúcia (3 de fevereiro de 1985). «Zizi Possi - Eu tenho alma de cantora». Jornal do Commercio: 11. Consultado em 16 de dezembro de 2021
- ↑ «De Veloso a Zizi Possi, discos em vários gêneros». A Tribuna: 13. 28 de dezembro de 1984. Consultado em 16 de dezembro de 2021
- ↑ a b Lima, Irlam Rocha (8 de dezembro de 1984). «Zizi Possi em estado de graça». Correio Braziliense: 23. Consultado em 16 de dezembro de 2021
- ↑ Souza, Tárik de (17 de maio de 2002). «Tudo de Possi e Ângela Roro» 39 ed. Rio de Janeiro. Jornal do Brasil: 4 (Caderno B). Consultado em 29 de julho de 2024
- ↑ «Zizi engordando a poupança». Jornal dos Sports: 8. 9 de agosto de 1985. Consultado em 16 de dezembro de 2021
- ↑ a b «Dê um Rolê». Diário de Pernambuco: 1. 1 de junho de 1985. Consultado em 16 de dezembro de 2021
- ↑ a b c Aragão, Diana (5 de junho de 1985). «Zizi Possi faz afinal o "show" que queria fazer». Jornal do Brasil (58): 8 (Caderno B). Consultado em 15 de novembro de 2025
- ↑ «Zizi do Cassino ao Tereza Raquel». Jornal dos Sports: 14. 29 de maio de 1985. Consultado em 16 de dezembro de 2021
- ↑ (1984) Créditos do álbum Dê um Rolê por Zizi Possi [LP]. PolyGram (2801 084localização=Brasil).
- ↑ (1985) Créditos do álbum Disco Mix Dose Dupla: O Quereres / Lábios por Caetano Veloso; Zizi Possi [LP]. Brasil: PolyGram (2801097).
- ↑ a b c d e Souza, Tárik de (12 de novembro de 1984). «O rolê que Zizi não deu». Jornal do Brasil (218): 7 (Caderno B). Consultado em 13 de novembro de 2025
- ↑ a b Carvalho, Ana (29 de março de 1985). «Zizi Possi: É preciso investir na MPB e mudar a política das rádios». Tribuna da Imprensa: 12. Consultado em 16 de dezembro de 2021
- ↑ (1984) Créditos do álbum Dê um Rolê por Zizi Possi [LP]. Brasil: PolyGram (824 025-1).
- ↑ «Zizi Possi – LP/CD Dê um Rolê». Instituto Memória Musical Brasileira. Consultado em 14 de dezembro de 2021


