Cuba na Primeira Guerra Mundial

As atuação de Cuba durante a Primeira Guerra Mundial refere-se a todas as ações que o país realizou durante a Primeira Guerra Mundial no continente europeu. Quando a guerra começou em julho de 1914, Cuba havia se declarado neutra e manteria essa posição durante grande parte da Primeira Guerra Mundial até que a guerra submarina alemã fosse retomada em 1º de fevereiro de 1917. Em 7 de abril, um dia após os Estados Unidos entrarem na guerra, Cuba declarou guerra ao Império Alemão e começou a apoiar o esforço de guerra dos Aliados. Cuba também declarou guerra ao Império Austro-Húngaro naquele mesmo ano, em 16 de dezembro.[1]
Um projeto de lei foi aprovado e 25.000 soldados estavam prontos para serem enviados à França quando o armistício ocorreu. Uma unidade hospitalar de 100 médicos e enfermeiros cubanos foi equipada e enviada para a Frente Ocidental.[1]
Antecedentes

Mario García Menocal (17 de dezembro de 1866 - 7 de setembro de 1941) desempenhou-se como presidente de Cuba desde 1913 até 1921. Apoiado pelos EUA e num auge econômico, manteve seu cargo quando estourou a Primeira Guerra Mundial. O presidente Woodrow Wilson e os Estados Unidos entraram em guerra em 6 de abril de 1917. Com fortes laços com seus vizinhos e pressionados pelos relatórios do New York Times sobre o reabastecimiento de submarinos alemães em Cuba, mais tarde fizeram o mesmo e declararam guerra em 7 de abril.[1]
Revolta contra a reeleição presidencial
Em fevereiro de 1917, os liberais cubanos que eram contra a reeleição presidencial de García Menocal decidiram se revoltar para impedi-lo de permanecer no poder. No entanto, o governo cubano os acusou de serem pró-alemães e, usando essa desculpa, prendeu 5.000 manifestantes.[2]
Reconhecimento do governo mexicano
Em meio à crise diplomática causada pelo desaparecimento da bagagem diplomática do embaixador mexicano Isidro Fabela, o governo cubano reconheceu oficialmente o governo constitucionalista de Venustiano Carranza. Federico Jiménez O'Farril apresentou uma carta manuscrita do líder cubano ao líder mexicano na qual expressou seu reconhecimento.[1] Apesar deste ato diplomático, as relações entre os dois países esfriaram devido ao tratamento dado aos viajantes mexicanos em Havana.
Eclosão da Guerra

Devido à guerra submarina total declarada pelo Império Alemão e ao contínuo afundamento de navios de diferentes nacionalidades neutras nas costas americanas, Brasil e Cuba enviaram protestos furiosos aos alemães. O presidente Menocal, encorajado pela entrada dos Estados Unidos na guerra, pediu ao Congresso cubano que também declarasse guerra, afirmando entusiasticamente que Cuba não poderia permanecer neutra. O Senado cubano aprovou por unanimidade uma resolução declarando estado de guerra contra a Alemanha, e o Congresso cubano aprovou a declaração de guerra em 7 de abril de 1917.[1]
Assim, Cuba foi um dos poucos países latino-americanos, juntamente com Panamá, Bolívia e Uruguai, a se juntar aos Aliados da Primeira Guerra Mundial. A maioria dos países da região, incluindo o México, manteve sua posição neutra.
Guerra contra a Áustria-Hungria
Os Estados Unidos declararam guerra à Áustria-Hungria em 7 de dezembro de 1917. O Panamá fez o mesmo em 10 de dezembro de 1917, e Cuba faria o mesmo em 16 de dezembro. Desde a Primeira Guerra Mundial, Cuba recebeu algum reconhecimento por seus esforços na forma de doações dos Estados Unidos, mas, em geral, perdeu dinheiro.
Esforço de guerra de Cuba

Após a declaração de guerra, todos os navios alemães no porto de Havana foram apreendidos e os portos cubanos foram abertos aos navios de guerra aliados. Estava sendo elaborado um projeto de lei para autorizar a oferta de um contingente de 12.000 homens aos Estados Unidos.[1]
A política interna foi fortalecida pela declaração, já que os liberais, que concordavam com a medida, decidiram parar de criticar o governo. Em julho de 1917, o governo Menocal suspendeu as garantias constitucionais, alegando que a medida era direcionada contra espiões alemães.
O governo cubano também concordou com o posicionamento de fuzileiros navais dos Estados Unidos na ilha. Entretanto, os americanos, temendo que isso pudesse prejudicar a posição nacional e internacional do governo Menocal, anunciaram que o objetivo da intervenção era apoiar a colheita de açúcar como principal contribuição de guerra de Cuba, ficando assim conhecida como Intervenção do Açúcar. A Cruz Vermelha Cubana também se reorganizou, estabeleceu operações na Europa e apoiou as forças aliadas na Frente Ocidental.
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Imagem colorida de Havana no ano 1914. -
Oficiais do Exército cubano em 1903. -
Artilheiros cubanos em 1908.
Ver também
Referências
- ↑ a b c d e f Civeira, Francisca Lopez (31 de julho de 2014). «1917: cuando Cuba entró en la Guerra Mundial • Trabajadores». Trabajadores (em espanhol). Consultado em 8 de maio de 2025
- ↑ Calmettes, Xavier (29 de setembro de 2017). «La Primera Guerra Mundial en el Caribe: perspectivas de investigación». Santiago (em espanhol) (144): 696–707. ISSN 2227-6513. Consultado em 8 de maio de 2025
Bibliografia
- Calmettes, Xavier; Loredo, Sandra Rodriguez (2014). Cuba durante la primera guerra mundial: O las desilusiones del desarrollo "civilizado" (1914-1918) (em espanhol). Miami: Arista Publishing Company. 116 páginas. ISBN 978-0692321188. OCLC 959350271
- Primelles, León (1955). Crónica cubana, 1915-1918 - Volume 1 (em espanhol). Havana: Editorial Lex. 629 páginas. OCLC 1862331. Resumo divulgativo
- Ortiz Ginoria, Claudia (2014). «Repercusión de la Primera Guerra Mundial en Cuba. Una mirada desde la prensa». Universidade Nacional da Colômbia (em espanhol). Consultado em 8 de maio de 2025
- Calmettes, Xavier (2020). «La Primera Guerra Mundial en las Antillas hispanas (Cuba, Puerto Rico y República Dominicana): una historia intelectual». Anuario Colombiano de Historia Social y de la Cultura (em espanhol). 47 (1): 327-351. ISSN 0120-2456. doi:10.15446/achsc.v47n1.83157. Consultado em 8 de maio de 2025
Ligações externas
- «1917: Quando Cuba entrou na Guerra Mundial» (em espanhol). No site Trabajadores.