Cuíca-mexicana
Cuíca-mexicana
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| Estado de conservação | |||||||||||||||||||
![]() Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1] | |||||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||||
| Marmosa mexicana Merriam, 1897 | |||||||||||||||||||
| Distribuição geográfica | |||||||||||||||||||
![]() Distribuição da cuíca-mexicana
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| Subespécies | |||||||||||||||||||
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A cuíca-mexicana ou cuíca-do-méxico (Marmosa mexicana) é uma espécie de marsupial didelfimorfo da família Didelphidae encontrado no leste e sul do México, assim como em Belize, Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicarágua, Costa Rica, Panamá e Colômbia.
Apesar de sua relevância biológica, as cuícas no México ainda são pouco estudadas. Estes animais desempenham funções ambientais importantes, como a dispersão de sementes e o controle de populações de pequenos vertebrados.
Sistemática
A cuíca-mexicana foi inicialmente descrita em 1897 pelo zoólogo americano Clinton Hart Merriam, que a classificou como Marmosa murina mexicana, considerando-a uma subespécie da cuíca mais comum (Marmosa murina). Posteriormente, seu status foi elevado para o de espécie distinta. Com o passar do tempo, foi subdividida em quatro subespécies, sendo que uma delas, Marmosa zeledoni, foi reclassificada como uma espécie independente em 2010.[2] No volume de marsupiais publicado em 2015 no Manual dos Mamíferos do Mundo (Handbook of the Mammals of the World), nenhuma subespécie da cuíca-mexicana aparece listada. No entanto, destaca-se que dois clados foram identificados dentro da espécie, e sua classificação taxonômica ainda aguarda definição futura.[3]
Descrição
Estes pequenos mamíferos apresentam dimorfismo sexual em relação ao tamanho, sendo os machos maiores, com um comprimento total variando de 11 a 16,8 cm, enquanto as fêmeas medem entre 9,4 e 13,3 cm. A cauda também difere entre os sexos: nos machos, vai de 15,2 a 22,8 cm, e nas fêmeas, de 13 a 22,3 cm. Em média, a cauda é cerca de 37% mais longa do que o comprimento da cabeça e do corpo combinados. O peso dos machos varia de 24 a 99 gramas, enquanto as fêmeas pesam cerca de 56,7 gramas.
A pelagem dorsal e no topo da cabeça é predominantemente marrom-avermelhada, sendo que os indivíduos mais velhos apresentam pelos marrom-acinzentados misturados aos marrom-avermelhados. O centro do focinho é ligeiramente mais claro do que o topo da cabeça, mas sem um contraste significativo. Ao redor dos olhos negros há anéis oculares de coloração marrom-escura a preta que se conectam à base das orelhas. Na parte inferior do corpo, incluindo desde o queixo até o ânus e na região interna das patas dianteiras e traseiras, a pelagem é amarelada ou cinza-alaranjada. Também apresentam uma faixa amarelada ou alaranjada que atravessa toda a região abdominal. As patas podem ser esbranquiçadas, alaranjadas ou acastanhadas. A cauda possui pelos apenas nos 10% mais próximos ao corpo, enquanto o restante é nua e de coloração marrom-escura.
As fêmeas não possuem marsúpio e apresentam entre 11 e 15 mamas: cinco a sete dispostas em cada lado e uma localizada centralmente. O cariótipo é composto por um conjunto genético de 2n = 14 cromossomos e FN = 24.[3]
Distribuição
É encontrada em regiões que abrangem Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, leste do México até o norte de Tamaulipas, Nicarágua e oeste do Panamá. Pode ser encontrada desde o nível do mar até altitudes de 3.000 metros, como no vulcão Tacaná, embora seja mais frequente em áreas abaixo de 1.800 metros.[1]
Habitat
Esta cuíca habita florestas primárias e secundárias, incluindo desde florestas tropicais de várzea e florestas decíduas secas até florestas nubladas, plantações e áreas de pastagem.[1] Um exemplo de seu ambiente natural é a ecorregião dos manguezais de Petenes, localizada em Yucatán.[4]
Biologia
Alimentação

A cuíca-mexicana tem hábitos noturnos e prefere viver em árvores baixas, raramente utilizando o solo. Sua dieta consiste principalmente de insetos e frutas, mas ocasionalmente inclui pequenos roedores, lagartos, aves, ovos e fungos micorrízicos. Estes animais também foram vistos consumindo as inflorescências da palmeira Calyptrogyne ghiesbreghtiana, o que pode indicar que desempenham um papel na polinização dessa planta durante o processo de alimentação.[3]
Reprodução
Como ocorre com todos os marsupiais, sua gestação é provavelmente breve, com as fêmeas dando à luz filhotes ainda pouco desenvolvidos, cuja maior parte do crescimento acontece durante o período de lactação.[5] É possível que seu ciclo reprodutivo seja similar ao da cuíca-de-robinson (Marmosa robinsoni), que gera entre 6 e 14 filhotes após uma gestação de apenas 14 dias. Os filhotes, extremamente pequenos e medindo cerca de 12 milímetros, permanecem fixados às mamas da mãe por aproximadamente 30 dias.[6]
Diferentemente de muitos marsupiais, as fêmeas deste grupo não possuem um marsúpio ou bolsa para acomodar e proteger os filhotes enquanto se desenvolvem. Os recém-nascidos apresentam um estágio de desenvolvimento tão inicial que só conseguem abrir os olhos entre os dias 39 e 40 após seu nascimento. É provável que estejam completamente desmamados por volta dos 65 dias e que tenham uma vida relativamente curta, com expectativa de até um ano. As espécies pertencentes ao gênero Marmosa são conhecidas por construir abrigos a partir de ninhos próprios ou reutilizar estruturas já existentes como ninhos abandonados de pássaros, buracos em árvores ou talos de bananeira. Esses locais de nidificação, porém, tendem a ser temporários, sendo escolhidos conforme sua conveniência quando o dia está prestes a amanhecer.[6]
Um dos aspectos mais interessantes da cuíca-mexicana está em suas patas dianteiras, que possuem notáveis capacidades manipulativas, permitindo que escave o solo com habilidade. Sua toca é geralmente estreita, com cerca de 30 mm de diâmetro e até 40 cm de comprimento, sendo preenchida com folhas para a construção de um ninho acolhedor. Ao se sentir ameaçado, o animal pode demonstrar comportamentos agressivos, abrindo a boca e emitindo silvos ou mesmo sons similares a cliques.[7]
Conservação
Atualmente, não há ameaças diretas à espécie, mas o desmatamento em andamento e o aumento na exploração de recursos podem representar riscos ao seu habitat no futuro.[1]
Referências
- ↑ a b c d Martin, G.M. (2016). «Marmosa mexicana». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas (em inglês). 2016. doi:10.2305/IUCN.UK.2016-2.RLTS.T40504A22173751.en
. Consultado em 12 de novembro de 2021
- ↑ Rogério V. Rossi, Robert S. Voss, Darrin P. Lunde: A Revision of the Didelphid Marsupial Genus Marmosa Part 1. The Species in Tate's ‘Mexicana’ and ‘Mitis’ Sections and Other Closely Related Forms. Bulletin of the American Museum of Natural History, 82(11):1-83 (2010). doi: 10.1206/334.1
- ↑ a b c Diego Astúa: Family Didelphidae (Opossums). in Don E. Wilson, Russell A. Mittermeier: Handbook of the Mammals of the World – Volume 5. Monotremes and Marsupials. Lynx Editions, 2015, ISBN 978-84-96553-99-6. Seite 138.
- ↑ World Wildlife Fund for Nature. 2010. Petenes mangroves Arquivado em 2011-10-15 no Wayback Machine. eds. Mark McGinley, C.Michael Hogan & C.Cleveland. Encyclopedia of Earth. National Council for Science and the Environment. Washington DC
- ↑ «Marmosa andersoni: Anderson's mouse possum». Encyclopedia of Life (eol.org). 290123. Consultado em 14 de dezembro de 2012
- ↑ a b O'Connell, M.A. (1983). «Marmosa robinsoni». Mammalian Species (em inglês) (203). pp. 1–6. JSTOR 3504031. doi:10.2307/3504031
- ↑ Alonso-Mejía, Alfonso; Medellín, Rodrigo A. (1992). «Marmosa mexicana». Mammalian Species (em inglês) (421). pp. 1–4. JSTOR 3504312. doi:10.2307/3504312


