Cronista-Mor do Reino
Cronista-mor era um cargo do Reino de Portugal, formalmente instituído em 1434 pelo rei Eduardo I. O Cronista-Mor era a autoridade oficial da historiografia portuguesa, e o cargo foi então associado ao cargo de Guardião do Arquivo Real, já centralizado de forma autónoma na década de 1370 - uma singularidade na história tardo-medieval, tanto pela sua criação como pela sua organização precoce.
O primeiro a ocupar o cargo foi Fernão Lopes, em 1434, encarregado por D. Duarte de escrever a crónica dos reis portugueses.[1] O posto foi extinguido oficialmente em 30 de novembro de 1842.[2] O último ocupante foi o escritor e político Almeida Garrett, demitido em 1841, após duras críticas a António José de Ávila (então Ministro da Fazenda), e ninguém foi nomeado para substituí-lo. No ano seguinte, o Ministro do Reino Costa Cabral emitiu um decreto extinguindo o cargo de Cronista-mor e transferindo as suas competências para o Guardião do Arquivo Real.
Lista de Cronistas-Mores do Reino
- São indicadas as datas de nomeação para o cargo de cronista-mor:[3]
- 1434 – Fernão Lopes
- 1459 – Gomes Eanes de Zurara
- 1486 – Vasco Fernandes Lucena
- 1497 – Rui de Pina
- 1525 – Fernão de Pina
- 1550 – D. António Pinheiro (nomeado, porém não exerceu o cargo)
- 1593 – Francisco de Andrade
- 1614 – Fr. Bernardo de Brito O.Cist
- 1618 – João Baptista Lavanha
- 1625 – D. Manuel de Meneses
- 1630 – Fr. António Brandão O.Cist
- 1644 – Fr. Francisco Brandão O.Cist
- 1682 – Fr. Rafael de Jesus O.S.B.
- 1695 – José de Faria
- 1709 – Fr. Bernardo de Castelo Branco O.Cist
- 1726 – Fr. Manuel dos Santos O.Cist
- 1740 – Fr. Manuel da Rocha O.Cist
- 1745 – Fr. António Botelho O.Cist
- 1747 – Fr. José da Costa O.Cist
- 1755 – Fr. António Caldeira O.Cist
- 1784 – Fr. António da Mota O.Cist
- 1807 – Fr. João Huet O.Cist
- 1822 – João Bernardo da Rocha Loureiro
- 1823 – Fr. Cláudio da Conceição
- 1835 – João Bernardo da Rocha Loureiro
- 1838 – João Baptista de Almeida Garrett
Almeida Garrett é demitido do cargo em 1841, após criticar violentamente o ministro António José de Ávila, e o cargo não é provido. Em 1842, por Decreto de 30 de Novembro,[2] de Costa Cabral, o cargo de Cronista-Mor do Reino é aglutinado ao de Guarda-Mor da Torre do Tombo.
Referências
- ↑ Humanismo II, no site www.qieducacao.com
- ↑ a b Decreto de 30 de Novembro de 1842
- ↑ Ribeiro, José Silvestre (1807–1891). «Chronistas Móres». Historia dos estabelecimentos scientificos litterarios e artisticos de Portugal nos successsivos reinados da monarchia. VI. Lisboa: Academia Real das Sciências. p. 298-307