Cristiano, Príncipe Eleito da Dinamarca

Cristiano
Príncipe-Eleito da Dinamarca
Cristiano
Consorte deMadalena Sibila da Saxónia
Dados pessoais
Nascimento10 de abril de 1603
Castelo de Copenhaga, Dinamarca
Morte2 de junho de 1647 (44 anos)
Copenhaga, Dinamarca
PaiCristiano IV da Dinamarca
MãeAna Catarina de Brandemburgo

Cristiano (10 de Abril de 1603 - 2 de Junho de 1647), foi príncipe-eleito da Dinamarca de 1610 até à sua morte.

Família

Cristiano era o filho mais velho do rei Cristiano IV da Dinamarca e da marquesa Ana Catarina de Brandemburgo. Entre os seus irmãos estava o rei Frederico III da Dinamarca. Os seus avós paternos eram o rei Frederico II da Dinamarca e a duquesa Sofia de Mecklemburgo-Güstrow. Os seus avós maternos eram o príncipe-eleitor Joaquim III Frederico de Brandemburgo e a marquesa Catarina de Brandemburgo-Küstrin.[1]

Primeiros Anos

Cristiano nasceu no Castelo de Copenhaga. Foi o terceiro filho a nascer do rei e da sua consorte, mas um deles, Frederico, morreu com menos de um mês de idade e o outro nasceu morto. Como tal, o seu pai sempre acreditou que seria ele a herdar o trono.[2] A Dinamarca era uma monarquia eleitoral, onde o conselho privado tinha o poder de eleger o rei. Contudo, enquanto o rei fosse vivo, podia escolher um herdeiro e promover a sua causa dentro do conselho que normalmente seguia sempre a escolha do monarca.[3] Em 1608, o conselho privado e os representantes dos estados apoiaram a decisão do rei em escolher Cristiano para príncipe-eleito, uma decisão que foi oficializada em 1610 na Dinamarca e na Noruega.[2]

O tutor responsável pela educação do príncipe foi Niels Jørgensen Æryleus que ficou com o príncipe de 1610 a 1617, sendo depois substituído por Jesper Brochmand que o educou entre 1617 e 1620.

Carreira e Casamento

Cristiano.

Em 1625, a Dinamarca entrou na Guerra dos Trinta Anos. A intervenção dinamarquesa iniciou-se na segunda maior fase da guerra, depois do fim da Revolta da Boémia.[4] Com o rei a comandar as tropas no campo de batalha, o príncipe Cristiano passou a comandar o governo, uma posição que manteve até 1627 algo que não o impediu de participar em algumas batalhas. Chegou mesmo a ser atingido por dois tiros em Novembro de 1626. Em 1627 foi enviado para Holstein, perto da fronteira, e instalou-se em Segeberg. Depois retirou-se quando as tropas inimigas conquistaram o sul da Dinamarca e a Jutlândia e a intervenção dinamarquesa falhou. Durante a retirada partiu uma perna depois de cair de uma carruagem. Em 1626, a sua relação com a nobre Anne Lykke fez com que entrasse em conflito com o pai e o conselho de estado quando o rei a mandou prender devido à influência que tinha sobre o príncipe e a tentou acusar de bruxaria.

Em 1628, Cristiano recebeu o feudo de Malmöhus. Em Janeiro de 1632 foi nomeado governador-geral de Schleswig-Holstein e recebeu Laaland e Falster. Em 1633 ficou noivo da duquesa Madalena Sibila da Saxónia, filha do príncipe-eleitor João Jorge I da Saxónia e da duquesa Madalena Sibila da Prússia. O casamento já estava a ser negociado desde 1630 e a cerimónia aconteceu a 5 de Outubro de 1634 em Copenhaga com grandes celebrações. O casal nunca teve filhos e vivia no Castelo de Nykøbing em Falster. Cristiano não se envolveu muito na política durante esta fase da sua vida, algo que não o deixava feliz. Voltaria a ter algum poder quando foi chefe do governo em 1644, quando o seu pai se ausentou devido à Guerra de Torstenson. No outono de 1644, o príncipe Cristiano passou uma temporada na cidade fortificada de Malmø, mas quando as tropas suecas se estavam a aproximar, teve de se retirar primeiro para a Copenhaga devido aos primeiros sinais de doença e depois para Falster.

Últimos Anos e Legado

Cristiano era conhecido por ser preguiçoso e beber demasiado. Perto do final da sua vida estava profundamente endividado e, apesar do seu pai tentar pagar algumas das suas vidas, o príncipe ainda devia mais de 215 000 rigsdaleres em 1617. Em 1646 pediu empréstimos a várias pessoas, entre elas o duque de Gottorp, para uma estadia num spa na Boémia. Trocou Nykøbing pela Boémia a 8 de Maio de 1647. Chegou a Dresden a 28 de Maio e continuou o caminho até 1 de Junho. Pouco depois de começar a viagem ficou gravemente doente. Foi levado para um castelo em Gorbitz, perto de Dresden, onde viria a morrer no dia seguinte.

Foi enterrado a 8 de Novembro de 1647 na Catedral de Nossa Senhora de Copenhaga. Em 1655, os seus restos mortais foram transladados para a Catedral de Roskilde.

Referências

  1. The Peerage
  2. a b Fridericia, J. A. (1889). "Christian, udvalgt prins". In Bricka, Carl Frederik (in Danish). Dansk biografisk lexikon. 3. Copenhagen: Gyldendalske Boghandels Forlag. pp. 526–529.
  3. Dyrvik, Ståle (1999) (in Norwegian). Norsk historie 1625–1814. Volume three of Norsk historie. Oslo: Samlaget. p. 29. ISBN 978-82-521-5546-4.
  4. Palmer, R. R.; Colton, Joel; Kramer, Lloyd (2007). A History of the Modern World (10th ed.). Boston: McGraw-Hill. pp. 137–138. ISBN 9780073107486.