Cristianismo na Coreia
O cristianismo é atualmente uma das principais religiões da península coreana, correspondendo a cerca de 30% da população da Coreia do Sul, com predominância de protestantes, especialmente presbiterianos.[1] A religião chegou à Coreia por meio de livros católicos trazidos da China por estudiosos confucionistas coreanos no século XVII.[2] O catolicismo foi posteriormente introduzido por leigos coreanos batizados na China a partir do final do século XVIII, enfrentando perseguições durante a Dinastia Joseon.[3] O protestantismo chegou mais tarde, no final do século XIX, com a atuação de missionários americanos e europeus, e passou por rápido crescimento após a Segunda Guerra Mundial, estabelecendo igrejas protestantes indígenas e consolidando a Coreia como um importante centro cristão no Leste Asiático.[4]

História
Os primeiros contatos do cristianismo com a Coreia ocorreram no final do século XVII, quando estudiosos coreanos tiveram acesso a obras católicas produzidas por missionários jesuítas na China.[5] Diferentemente de outras regiões da Ásia, o catolicismo foi inicialmente difundido na Coreia por leigos, sem a presença direta de missionários estrangeiros, o que contribuiu para a formação de uma comunidade cristã autóctone ainda no século XVIII.[6]
Durante a Dinastia Joseon, o cristianismo foi frequentemente percebido como uma ameaça à ordem confucionista estabelecida, levando a sucessivas ondas de perseguição contra cristãos, especialmente católicos, nos séculos XVIII e XIX.[7] Apesar disso, a religião continuou a se expandir de forma gradual, sustentada por redes locais de fiéis.
A introdução do protestantismo ocorreu no final do século XIX, com a chegada de missionários principalmente dos Estados Unidos e da Europa.[8] Diferentemente do catolicismo, o protestantismo recebeu maior tolerância por parte do Estado coreano, especialmente durante o período de abertura do país ao Ocidente, o que facilitou sua rápida expansão por meio de instituições educacionais, médicas e editoriais.
No século XX, o cristianismo experimentou crescimento significativo, particularmente após a Segunda Guerra Mundial e a divisão da península coreana.[9] Na Coreia do Sul, igrejas cristãs desempenharam papel relevante na educação e em movimentos sociais e políticos, enquanto na Coreia do Norte a prática religiosa passou a ser severamente restringida após o estabelecimento do regime socialista.
Cristianismo na Coreia do Sul
Protestantismo
O protestantismo desempenha um papel significativo na Coreia do Sul, sendo uma das tradições cristãs mais influentes do país. Estimativas indicam que o número de protestantes sul-coreanos ultrapassa 8 milhões de fiéis, com presença marcante na vida social, cultural e política nacional.[10]
O crescimento do protestantismo entre os séculos XIX e XX esteve relacionado, em grande parte, à adaptação da fé cristã trazida por missionários estrangeiros a costumes e crenças tradicionais coreanas, o que facilitou sua aceitação entre a população local. Durante a ocupação japonesa da Coreia, comunidades protestantes não foram amplamente associadas ao imperialismo ocidental, e diversas lideranças protestantes passaram a se destacar como símbolos do nacionalismo coreano.[11]
Após a Guerra da Coreia e a consolidação do regime de inspiração Juche na Coreia do Norte, comunidades religiosas com vínculos estrangeiros foram reprimidas, levando à migração de cristãos para o sul. Entre as décadas de 1960 e 1980, o protestantismo passou a desempenhar papel relevante na política sul-coreana, tanto participando do processo de redemocratização quanto, em determinados momentos, oferecendo apoio ou legitimidade social a regimes autoritários.[12]
Catolicismo
O catolicismo representa aproximadamente 11% da população da Coreia do Sul e apresenta crescimento moderado nas últimas décadas.[13] Introduzido no país no final do século XVIII, o catolicismo desenvolveu-se inicialmente sem a presença contínua de missionários estrangeiros e enfrentou intensas perseguições durante a Dinastia Joseon.[14]
A história do catolicismo sul-coreano é marcada por episódios de martírio, incluindo o de Santo André Taegon Kim, considerado o primeiro sacerdote católico coreano.[15] A Catedral de Myeongdong, localizada em Seul, é uma das principais sedes do catolicismo no país, enquanto a Arquidiocese de Seul é considerada a mais influente do território nacional. Atualmente, o arcebispo de Seul é Peter Soon-taick Chung.[16]
Megaigrejas
As megaigrejas coreanas são grandes congregações pentecostais conhecidas pelo grande número de fiéis e pelo significativo poder político e de influência internacional. A mais conhecida delas é a Yoido Full Gospel Church, fundada em 1958 por David Yonggi Cho e Choi Ja-shil, ambos recém-formados pelo Seminário Teológico Evangélico Pleno de Seul (atual Universidade Hansei), e que atualmente recebe entre 150 000 e 200 000 fiéis.[17]
Cristianismo na Coreia do Norte
A constituição norte-coreana garante formalmente a liberdade religiosa; no entanto, o cristianismo enfrenta forte regulação e repressão, especialmente denominações com ligações estrangeiras.[18]
Em Pyongyang, há a Catedral Changchung, gerida pela Associação Católica da Coreia do Norte, que funciona como a diocese de Pyongyang.[19][20]
Existem também as igrejas protestantes Bongsu e Chilgol, além da Catedral da Santíssima Trindade, uma igreja ortodoxa russa construída com apoio do Estado norte-coreano.[21][22]
Muitos templos e artefatos cristãos históricos na Coreia do Norte foram destruídos durante a Guerra da Coreia, e parte deles foi reconstruída posteriormente com apoio do Estado e de comunidades religiosas.[23]
Referências
- ↑ «Religion in South Korea». Pew Research Center. 2014
- ↑ Grayson, James Huntley. Korea: A Religious History. [S.l.]: Routledge
- ↑ Baker, Don. Korean Spirituality. [S.l.]: University of Hawaii Press
- ↑ Kim, Andrew Eungi. «The growth of Christianity in Korea». Journal of Korean Studies
- ↑ Grayson, James Huntley. Korea: A Religious History. [S.l.]: Routledge
- ↑ Baker, Don. Korean Spirituality. [S.l.]: University of Hawaii Press
- ↑ Kim, Sebastian C. H. Christianity in Korea. [S.l.]: Cambridge University Press
- ↑ «Christianity in Korea». Encyclopædia Britannica
- ↑ Kim, Andrew Eungi. «The growth of Christianity in Korea». Journal of Korean Studies
- ↑ Kim, Sebastian C. H. (2018). «Protestant Christianity in South Korea». Oxford Research Encyclopedia of Asian History. Oxford University Press. Consultado em 1 de janeiro de 2026
- ↑ Kim, Sebastian C. H. (2018). «Protestant Christianity in South Korea». Oxford Research Encyclopedia of Asian History. Oxford University Press
- ↑ Kim, Sebastian C. H. (2018). «Protestant Christianity in South Korea». Oxford Research Encyclopedia of Asian History. Oxford University Press
- ↑ «Religion in South Korea». Pew Research Center. 2014
- ↑ Kim, Sebastian C. H. «Catholicism in Korea». Oxford Research Encyclopedia of Religion. Oxford University Press
- ↑ Kim, Sebastian C. H. «Catholicism in Korea». Oxford Research Encyclopedia of Religion
- ↑ «Archdiocese of Seoul»
- ↑ «Yoido Full Gospel Church». Encyclopaedia Britannica. Consultado em 31 de dezembro de 2025
- ↑ "Apesar das enormes dificuldades, a religião sobrevive na Coreia do Norte". Voz da América. 29 de outubro de 2009. Arquivado do original em 16 de junho de 2020.
- ↑ "Missa na catedral norte-coreana". Agência de Notícias Yonhap. 7 de dezembro de 2015.
- ↑ "Dioceses católicas na Coreia do Norte". GCatholic.
- ↑ "Kim Jong-Il and Religion: North Korea Builds an Orthodox Church". Der Spiegel. 11 de agosto de 2006.
- ↑ "Orthodox Church in Pyongyang". Embassy of Russia to the DPRK.
- ↑ Hoare, James E. Historical Dictionary of Democratic People's Republic of Korea. Rowman & Littlefield, 2019.