Crinum americanum
![]() Flores de Crinum americanum | |||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||
| Crinum americanum[1] L., Sp. Pl.: 262. 1753 | |||||||||||||||
Crinum americanum L., é uma planta perene pertencente à família Amaryllidaceae. A espécie cresce preferencialmente em ambientes alagados como margens de rios, pântanos e zonas de inundação periódica.[2]
Distribuição Geográfica
C. americanum é nativa das áreas úmidas, alagadas, banhados e margens de corpos d'água das regiões tropicais e subtropicais do sudeste dos Estados Unidos, do Caribe e de partes da América Central e da América do Sul, principalmente na região costeira do oceano Atlântico.[2][3]
Morfologia
Crinum americanum é uma planta perene, de bulbo subterrâneo, alongado, continuado em um colo, folhas verde-claro nas duas faces, longas e lineares, de (44-70 x 2-4 cm), com margem foliar serrilhada de dentes minúsculos, dispostas em roseta basal. Inflorescência umbeliforme com flores bissexuais (2-5), eretas, sésseis, actinomorfas, em forma de cálice (hipocrateriformes), brancas a levemente rosadas, perfumadas, com tépalas iguais (6) entre si (7-10 x 0,5-0,7 cm) e 4 estames (6-7 cm) com filetes avermelhados. O fruto é uma cápsula contendo sementes relativamente grandes.[3][4]
Ecologia
Crinum americanum L. (Amaryllidaceae) está amplamente distribuída pelas regiões alagadas, pântanos e rios do litoral atlântico americano e é frequentemente associada a áreas ecologicamente estressantes.[5] Trata-se de uma espécie rústica, de rápido crescimento, resistente à salinidade e à inundação, com sementes flutuantes grandes e resistentes à salinidade e forte potencial alelopático. [6][7] A reprodução de Crinum pode ser sexuada, pela polinização, feita principalmente por mariposas e outros insetos noturnos, produzindo uma grande quantidade de sementes, e não sexuada, através de rizomas, formando enormes touceiras. As interações ecológicas de C. americanus não são muito conhecidas, mas a espécie parece desempenhar um papel importante ao fornecer abrigo e alimento para alguns animais.[8][9]Sua presença parece também contribuir para a estabilidade do solo em áreas úmidas como auxiliar no controle da erosão.[10]
Propriedades Medicinais
Em algumas culturas, espécies de Crinum são utilizadas na medicina tradicional para tratar inflamações, feridas e dores. Estudos fitoquímicos revelaram que espécies do gênero Crinum contém alcaloides do tipo crinamina, licorina e outros compostos com potencial bioativo. Embora hajam poucos estudos sobre C. americanum especificamente, as espécies do gênero são conhecidas por apresentar propriedades analgésicas, anti-inflamatórias e antitumorais. A licorina, por exemplo, tem sido estudada por suas atividades antivirais e antiproliferativas. No entanto, é importante ressaltar que esses compostos também são tóxicos em doses elevadas para os seres humanos, o que exige cautela em seu uso medicinal.[11]
Referências
- ↑ Linné, Carl von, & Salvius, Lars. (1753). Species plantarum (em latim). 1. [S.l.]: Impensis Laurentii Salvii. p. 292. Cópia arquivada em 13 de julho de 2025
- ↑ a b Registry-Migration.Gbif.Org (2023). «Crinum americanum L.». GBIF Backbone Taxonomy. GBIF Secretariat (em inglês). doi:10.15468/39omei. Consultado em 13 de julho de 2025. Cópia arquivada em 8 de julho de 2025 – via GBIF.org
- ↑ a b Dutilh, J.H.A. (2005). «Amaryllidaceae». In: Wanderley, M.G.L.; Shepherd, G.J.; Melhem, T.S.; Martins, S.E.; Kirizawa, M. & Giulietti, A.M. Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo (PDF). 4. São Paulo: FAPESP/Rima. pp. 244–256. ISBN 8576560518. Cópia arquivada (PDF) em 24 de maio de 2025
- ↑ Brasil. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (2009). Glossário Ilustrado de Morfologia (PDF). Brasília: MAPA/ACS. 406 páginas. ISBN 978-85-99851-74-6. Cópia arquivada (PDF) em 23 de maio de 2025
- ↑ Meerow, A.W., Lehmiller, D.J. & Clayton, J.R. (2003). «Phylogeny and biogeography of Crinum L. (Amaryllidaceae) inferred from nuclear and limited plastid non-coding DNA sequences» (PDF). Botanical Journal of the Linnean Society (em inglês). 141 (3): 349-363. Cópia arquivada em 23 de maio de 2025
- ↑ Nunes, Laís Samira Correia; et al. (2019). «Inventory of aquatic macrophyte species in coastal rivers of the São Paulo state, Brazil». Oecologia Australis. 23 (4): 829-845. doi:10.4257/oeco.2019.2304.09
- ↑ Ribeiro, J.P.N., Matsumoto, R.S., Takao, L.K., Voltarelli, V.M., Lima, M.I.S. (2009). «Efeitos alelopáticos de extratos aquosos de Crinum americanum L.». Rev. Bras. Bot. 32: 183-188. doi:10.1590/S0100-84042009000100018. Cópia arquivada em 18 de janeiro de 2025
- ↑ Cálix-García, J., Oyuela-Andino, O., Argueta, I. J., & Ferrufino-Acosta, L. (2023). «Anotaciones sobre interacciones ecológicas en el refugio de vida silvestre barras de cuero y salado, Honduras». Portal De La Ciencia. 1 (18): 70-82. doi:10.5377/pc.v1i18.16094. Cópia arquivada em 13 de julho de 2025
- ↑ Labisky, R., Hurd, C., Oli, M. & Barwick, R. (2009). «Foods of white-tailed deer in the Florida Everglades: The significance of Crinum» (PDF). Southeastern Naturalist (em inglês). 2: 261-270. doi:10.1656/1528-7092(2003)002[0261:FOWDIT]2.0.CO;2
- ↑ Ribeiro, J.P.N., Matsumoto, R.S., Takao, L.K., Peret, A.C., Lima, M.I.S. (2011). «Spatial distribution of Crinum americanum L. in tropical blind estuary: Hydrologic, edaphic and biotic drivers» (PDF). Environmental and Experimental Botany. 71 (2): 287-291. ISSN 0098-8472. doi:10.1016/j.envexpbot.2010.12.01
- ↑ Paiva, M. J. M., Nascimento, G. N. L., Damasceno, I. A. M., Santos T. T. and Silveira, D. (2023). «Pharmacological and toxicological effects of Amaryllidaceae / Efeitos farmacológicos e toxicológicos das Amaryllidaceae». Brazil. J. Biol. (em inglês). 83 (e277092). ISSN 1519-6984. doi:10.1590/1519-6984.277092. Cópia arquivada em 21 de janeiro de 2025
