Cova do Milodonte

Cova do Milodonte
Cueva del Milodón
Cova do Milodonte
Entrada da caverna principal com réplica do milodonte
Localização atual
Cova do Milodonte está localizado em: Chile
Cova do Milodonte
Localização da Cova do Milodonte no Chile
Coordenadas 🌍
País  Chile
Região Região de Magalhães e da Antártica Chilena
Comuna Puerto Natales
Área 1 890 000 m²
Dados históricos
Período/era Pleistoceno tardio
Notas
Escavações 1899
Arqueólogos Erland Nordenskiöld
Acesso público Sim
Site https://cuevadelmilodon.cl/
Notas Declarado Monumento Natural em 1993

A Cova do Milodonte (em castelhano: Cueva del Milodón) é um complexo de cavernas naturais localizado na Região de Magalhães e da Antártica Chilena, no sul do Chile, cerca de 24 quilômetros ao noroeste da cidade de Puerto Natales.[1] O sítio é mundialmente conhecido pela descoberta, em 1895, de restos preservados de um milodonte (Mylodon darwinii), uma preguiça-gigante extinta que viveu durante o Pleistoceno.[2]

O local foi declarado Monumento Natural em 1993 e é administrado pela Corporação Nacional Florestal (CONAF), sendo uma das principais atrações turísticas da Patagônia chilena.[1]

História

Descoberta

A caverna foi descoberta em 1895 pelo colono alemão Hermann Eberhard, que encontrou um grande pedaço de pele coberto de pelos e fragmentos ósseos de um animal desconhecido.[2] O material estava notavelmente bem preservado, com pelos grossos e tecidos orgânicos intactos, levando inicialmente à especulação de que o animal poderia ter vivido em tempos recentes ou até mesmo ainda estar vivo na região.[3][4]

A notícia da descoberta atraiu a atenção internacional e motivou várias expedições científicas à região. Em 1899, o naturalista sueco Erland Nordenskiöld realizou escavações sistemáticas no local, recuperando mais restos de milodonte, além de ossadas de outros animais extintos como o tigre-dentes-de-sabre (Smilodon), cavalos pré-históricos e o tatu-gigante (Doedicurus).[2] Uma expedição britânica organizada pelo jornal Daily Telegraph, liderada por Hesketh Prichard, chegou a tentar encontrar exemplares vivos do animal, sem sucesso.[4]

Ocupação humana

Pesquisas arqueológicas posteriores revelaram que a caverna também foi ocupada por grupos humanos há aproximadamente 10 mil anos, no final do Pleistoceno e início do Holoceno.[3] Foram encontrados artefatos líticos, restos de fogueiras e ossos de animais com marcas de corte, indicando atividades de caça e processamento de alimentos.[5]

A relação temporal entre a presença humana e a extinção da megafauna na região continua sendo objeto de debate científico, embora evidências sugiram que os humanos coexistiram com os últimos milodontes e outros grandes mamíferos.[5]

Características

Geologia

O complexo é formado por três cavernas principais esculpidas pela erosão em rochas sedimentares do Cretáceo. A maior delas, conhecida como Caverna Principal ou Cueva Grande, tem aproximadamente 30 metros de altura, 80 metros de largura e 200 metros de profundidade.[1]

As condições ambientais secas e frias da região contribuíram para a preservação excepcional dos materiais orgânicos encontrados no local, incluindo pele, pelos e até fezes fossilizadas (coprólitos) de milodonte.[2]

Fauna extinta

Além do milodonte, a caverna preservou restos de diversos outros animais da megafauna pleistocênica, incluindo:

  • Hippidion (cavalo americano extinto)
  • Panthera onca mesembrina (onça pleistocênica)
  • Lama owenii (lhama extinta)
  • Aves e pequenos mamíferos diversos[3]

Proteção e turismo

A área foi declarada Monumento Histórico em 1968 pelo Ministério da Educação do Chile e posteriormente elevada a Monumento Natural Cueva del Milodón em 1993, sendo incorporada ao Sistema Nacional de Áreas Silvestres Protegidas do Estado (SNASPE), abrangendo 189 hectares.[1][4] O local conta com infraestrutura para visitação, incluindo passarelas, centro de interpretação e uma réplica em tamanho natural do milodonte na entrada da caverna principal, construída em 1978 por Harold Krusell.[4]

O sítio recebe milhares de visitantes anualmente, sendo um dos principais pontos turísticos da rota para o Parque Nacional Torres del Paine. O ingresso ao monumento natural é pago e pode ser adquirido antecipadamente através do sistema PasesParques.[1]

Importância científica

A Cova do Milodonte representa um dos sítios paleontológicos mais importantes da América do Sul para o estudo da megafauna extinta e dos primeiros povos da Patagônia. A preservação excepcional dos materiais permitiu análises detalhadas sobre a biologia, ecologia e extinção desses animais, contribuindo significativamente para a compreensão das mudanças ambientais do final do Pleistoceno.[5]

Referências

  1. a b c d e «Monumento Natural Cueva del Milodón». Corporación Nacional Forestal (em espanhol). Consultado em 11 de janeiro de 2026 
  2. a b c d «The Mylodon Cave in Patagonia». Nature (em inglês). 59: 395-396. 1899. doi:10.1038/059395a0 
  3. a b c Prieto, Alfredo (1997). «Cazadores tempranos y tardíos en Cueva del Milodón, Patagonia chilena». Anales del Instituto de la Patagonia (em espanhol). 25: 75-99 
  4. a b c d «Historia». Cueva del Milodón (em espanhol). Consultado em 11 de janeiro de 2026 
  5. a b c Borrero, Luis Alberto (1997). «La extinción de la megafauna en la Patagonia». Anales del Instituto de la Patagonia (em espanhol). 25: 89-102 

Ligações externas