Correio de Notícias
| Tipo | Jornal diário regional |
|---|---|
| Formato | Tabloide |
| Sede | Curitiba, Paraná, Brasil |
| Fundação | 25 de maio de 1977 |
| Idioma | Português |
Correio de Notícias foi um jornal de circulação estadual editado em Curitiba, Paraná (Brasil), fundado em 25 de maio de 1977 e que circulou até 1992. Inserido em um contexto de abertura política e modernização da imprensa paranaense, o periódico combinava uma linguagem urbana e moderna com valores morais tradicionais.[1]
Histórico
O jornal surgiu em um cenário de reorganização da mídia paranaense, competindo com títulos como Gazeta do Povo, O Estado do Paraná e Tribuna do Paraná. De perfil gráfico tabloide e linguagem mais acessível, buscou conquistar o público urbano de classe média que se expandia em Curitiba durante a década de 1970.[2]
Seu projeto editorial privilegiava notícias curtas, fotografias em preto-e-branco e títulos de forte apelo informativo. As seções fixas incluíam Política, Polícia, Esportes, Cidade, Sociedade e Mulher. Essas últimas refletiam uma preocupação moral e pedagógica voltada à família e à conduta social.
Perfil editorial
Segundo Lucas Alves da Silva, o jornal “inseria-se na tradição dos periódicos de oposição moderada, ligados ao MDB, mas mantinha um estilo de crítica política controlada, comprometido com o discurso da conciliação e da harmonia social”.[1] Essa linha editorial conciliadora manifestava-se também nas matérias sobre comportamento e religião, que enfatizavam temas como perdão, fé e união nacional.
Gustavo J. S. Paes (2021) destaca que o Correio de Notícias tratava o ensino religioso como expressão de “valores cristãos universais, voltados à preservação da família e à formação moral da juventude”.[2]
Representações do feminino e do corpo
Estudos sobre o jornal indicam que, mesmo nos anos 1970, o Correio de Notícias projetava um ideal de mulher moderna e recatada — “elegante, instruída e devota” — que conciliava trabalho, estética e responsabilidade doméstica.[3]
Leandro e Barszcz (2021) mostram que, em suas páginas dedicadas à saúde, o jornal “personificou a AIDS como castigo moral e associou o corpo doente a ideias de pecado, desvio e desordem”.[4] Essas análises revelam a coerência discursiva do periódico: a defesa de uma modernização sem ruptura, ancorada na moral tradicional.
Acervo e preservação
As edições do jornal estão disponíveis para consulta na Hemeroteca Digital Brasileira da Biblioteca Nacional do Brasil.
O periódico também consta no catálogo da Biblioteca Pública do Paraná e em coleções do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas.
Ver também
- Imprensa do Paraná
- História da mulher no Brasil
- Hemeroteca Digital Brasileira
Referências
- ↑ a b SILVA, Lucas Alves da. Pela paz e o perdão, contra a radicalização: a imprensa paranaense e o discurso conciliatório na transição democrática (1979–1985). Cadernos do Tempo Presente, v. 15, n. 3, p. 43–62, 2023.
- ↑ a b PAES, Gustavo Josué Simoni. Religião, Constituição e impresso: a representação do ensino religioso no jornal Correio de Notícias durante os anos de 1985-1988. Revista de História Regional, v. 26, n. 2, p. 73–88, 2021.
- ↑ ZALUSKI, Ana Paula. A mulher moderna na imprensa do pós-guerra: discursos de comportamento e moral na imprensa do Paraná (1945–1960). Curitiba: UFPR, 2017.
- ↑ LEANDRO, José Augusto; BARSZCZ, Marcos Vinícius. A AIDS personificada no jornal Correio de Notícias (PR), 1987–1992. Reciis – Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde, v. 15, n. 1, p. 121–137, 2021.
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