Corredor do Lobito

Corredor do Lobito é um mega-projeto de infraestrutura logística que visa ligar a cidade de Lobito, na costa atlântica de Angola, ao cinturão de cobre da África Central, na República Democrática do Congo (Congo-Quinxassa) e na Zâmbia. Tem como objetivo facilitar o transporte de mercadorias entre a África Central e os mercados globais, e tornar o Porto do Lobito numa alternativa aos portos africanos do Oceano Índico.[1]

História

Corredor do Lobito, com trajeto original (linha preenchida) e nova proposta (linha tracejada)

Os eixos centrais do Corredor do Lobito são o Caminho de Ferro de Benguela e a Rodovia Beira–Lobito, que travessam os território angolano em direção ao Leste; o corredor segue depois em direção às regiões mineiras da República Democrática do Congo e da Zâmbia.[1][2]

As estruturas logísticas foram inicialmente construídas pelas potências coloniais na primeira metade do século XX para ligar o centro de África à costa,[3] mas o serviço foi interrompido em 1983 devido à destruição causada pela Guerra Civil Angolana.[2] A sua reconstrução começaria após o fim da guerra, no âmbito de um acordo entre Angola e a China, financiado por um empréstimo de 1,8 mil milhões de dólares concedidos por Pequim. A reabertura oficial do troço angolano ferroviário até à fronteira, em Luau, decorreu em 2015, numa cerimónia conjunta entre Angola, o Congo-Quinxassa e a Zâmbia.[2][4] Finalmente, em 2018, foram retomadas as transportações de minério provenientes do Congo-Quinxassa.[5]

Mesmo assim, os comboios apenas eram capazes de circular a uma velocidade máxima de 45 km/h e, nalguns troços, 30 km/h,[6] por isso o transporte pela Rodovia Beira–Lobito continuou a exercer um papel fundamental na exportação de minério.[7] Assim, em setembro de 2023, os Estados Unidos e a União Europeia, manifestaram a vontade de apoiar a revitalização e reforço do Corredor do Lobito, nomeadamente através do lançamento de estudos de viabilidade para uma nova expansão da linha ferroviária entre a Zâmbia e Angola.[8]

Perante estes desenvolvimentos, a China anunciou em 2025 um investimento de 1,4 mil milhões de dólares no Caminho de Ferro Tanzânia–Zâmbia, que poderá competir com o Corredo do Lobito como rota alternativa para exportação mineral.[9]

Para além das infraestruturas rodoviárias e ferroviárias, o Plano do Corredor do Lobito estruturou o Porto do Lobito e aeroportos entre Coluezi e Catumbela.[10]

Referências

  1. a b «O potencial económico da via-férrea do Corredor do Lobito». euronews. 1 de maio de 2019. Consultado em 6 de dezembro de 2025 
  2. a b c «Desminar o novo Caminho-de-Ferro de Benguela custou mais de 4,5 milhões de euros». Observador. 13 de fevereiro de 2015. Consultado em 6 de dezembro de 2025 
  3. «Benguela Railway». Rovos Rail (em inglês). 2 de setembro de 2020. Consultado em 6 de dezembro de 2025 
  4. «Corredor do Lobito: entre a Ilusão Geopolítica e a Realidade Angolana». Maka Angola. 24 de novembro de 2025. Consultado em 6 de dezembro de 2025 
  5. «Minério do Congo volta a circular pelo comboio angolano mais de 30 anos depois». Observador. 6 de março de 2018. Consultado em 6 de dezembro de 2025 
  6. «Cimeira UA-UE: O xadrez de Angola entre o Ocidente e a China». dw.com. 21 de novembro de 2025. Consultado em 6 de dezembro de 2025 
  7. «Corredor do Lobito espera travar influência da China». dw.com. 9 de fevereiro de 2024. Consultado em 6 de dezembro de 2025 
  8. «EUA e UE apoiam desenvolvimento do corredor do Lobito». Embaixada de Angola nos EUA. 6 de dezembro de 2025. Consultado em 6 de dezembro de 2025 
  9. «China investiu 1,4 bilhão dólares na Ferrovia Tanzânia-Zâmbia». CEDESA. 5 de novembro de 2025. Consultado em 6 de dezembro de 2025 
  10. Investimentos públicos de milhões, para nada. AngoNotícias. 3 de março de 2018.