Corredor Togo-Daomé

Na África ocidental, o corredor Togo-Daomé é a parte do mosaico de selva e savana da Guiné que se estende até a costa do Benim, Togo e Gana, e divide a selva que cobre grande parte do sul da região em duas zonas separadas.[1]

A maior cidade da região é Acra, capital do Gana. Outras cidades, como Kumasi, se encontram nas fronteiras do corredor.

Causas da seca

A seca do corredor Togo-Daomé não é normal, dado que se encontra rodeado por um cinturão de monções muito úmido por todas as partes, e não há montanhas que bloqueiem a umidade. Porém, Acra, no coração do corredor, só recebe 720 mm de chuva por ano; menos da metade do que necessita a selva tropical.

A causa da seca do corredor Togo-Daomé se explica por quatro razões:

  • No inverno setentrional, as altas pressões concentradas no Saara enviam alísios secos do nordeste sobre a África Ocidental, e provocam uma estação seca generalizada na região.[1]
  • No verão setentrional, um enorme sistema de baixas pressões (a monção) se forma sobre a massa continental da Eurasia-África. Concentrado aproximadamente sobre o Rajastão, o Himalaia lhe impede de se mover para o oeste. Dessa posição, envia ventos do oeste úmidos sobre a África Ocidental, o que provoca uma estação úmida que alcança seu máximo em junho na costa e em agosto no interior.[1]
  • A costa na região de precipitações mais intensas (Guiné, Serra Leoa, Libéria) se inclina do sudeste ao noroeste, o que faz com que os ventos úmidos do oeste soltem toda sua umidade.[1]
  • No corredor Togo-Daomé, porém, a costa se inclina do nordeste ao sudoeste, assim que os ventos sopram paralelos à costa, o que faz com que não percam tanta umidade e só haja uma breve estação úmida de maio a junho.[1]

História geológica

O corredor Togo-Daomé só existiu em sua forma atual há quatro mil anos.[1] Durante quase todo o quaternário, um clima mais seco, causado por um Oceano Atlântico mais frio devido às correntes frias provocadas pelas camadas de gelo da Europa e da América do Norte, a região possuía muito poucas selvas.[1] Nos períodos interglaciais, no entanto, a chuva em toda a África Ocidental era tão intensa que o corredor se encontrava, frequentemente, coberto por florestas.[2]

Referências

  1. a b c d e f g Ulrich Salzmann; Philipp Hoelzmann (Fevereiro de 2005). «The Dahomey Gap: An abrupt climatically induced rain forest fragmentation in West Africa during the late Holocene». The Holocene. 15 (2) 
  2. Paul Westmacott Richards (1996). The tropical rain forest: an ecological study. [S.l.]: Cambridge University Press. p. 15. ISBN 0521420547