Unificação de títulos de futebol no Brasil

A unificação de títulos de futebol no Brasil refere-se a um movimento de reparação histórica esportiva. Sob a defesa da preservação da memória futebolística, busca-se o reconhecimento oficial de que campeonatos extintos integram a história de campeonatos atuais, tendo como consequência prática a incorporação da lista de campeões. Com base em estudo do historiador Odir Cunha, a CBF aprovou a Resolução da Presidência nº 03, de 2010, que unificou a Taça Brasil, o Torneio Roberto Gomes Pedrosa e a Taça de Prata ao Campeonato Brasileiro.[1] Estes torneios nacionais organizados pela antecessora CBD, entre 1959 e 1970, passaram a ser considerados edições do Brasileirão, em igualdade com os títulos a partir de 1971.[1]
Logo após o entendimento de 2010, diferentes clubes passaram a reivindicar o mesmo para outros títulos, afirmando que a decisão abriu um precedente para seus pedidos.[2][3] Em 2023, o Atlético Mineiro, campeão de 1971, foi declarado campeão brasileiro de 1937, em razão do Torneio dos Campeões da FBF, voltando a ter o posto de primeiro campeão.[4]
História
Contexto
Os primeiros campeonatos de futebol no Brasil foram realizados a nível local, o que impulsionou a existência de torneios estaduais e rivalidades locais.[5] O primeiro torneio oficial a nível interestadual foi o Torneio Rio-São Paulo, em 1933. Antes da nacionalização do futebol de clubes, um campeonato nacional de futebol era disputado entre selecionados estaduais, o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais, inaugurado em 1922. Foi disputado 29 vezes até 1966, e teve uma edição isolada em 1987.[6]
Unificações do Campeonato Brasileiro

O reconhecimento foi baseado em um dossiê do historiador Odir Cunha.[7] A principal alegação para a unificação dos títulos seria de que os campeões dos torneios realizados entre o período de 1959 e 1971 eram considerados pela imprensa brasileira da época como campeões nacionais naquele período.

Em 20 de dezembro de 2010, o presidente da CBF Ricardo Teixeira assinou a Resolução da Presidência nº 03 de 2010 (RDP nº 03/2010), na qual oficializa a unificação dos torneios entre 1959 e 2010, e reconhece os títulos da Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa/Taça de Prata como Campeonato Brasileiro.[1]
Em março de 2022, o Atlético Mineiro entregou um dossiê de 60 páginas para que o Torneio dos Campeões de 1937, organizado pela Federação Brasileira de Football, fosse reconhecido como a primeira edição do Campeonato Brasileiro.[8] Em agosto de 2023, a CBF acatou o pedido de unificação com base no dossiê apresentado pelo clube, e o presidente Ednaldo Rodrigues assinou a homologação do pedido.[4][9]
Unificações de Campeonatos Estaduais
Em 23 de setembro de 2021, a atual Federação Paulista de Futebol (FPF) reconheceu o Albion e o Juventus, os vencedores dos torneios organizados pela extinta Federação Paulista de Football em 1933 e 1934, respectivamente, como campeões paulistas, ao lado do vencedor dos campeonatos da Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA) de 1933 e 1934, o Palmeiras.[10][11]
Em 21 de dezembro de 2023, o título do Campeonato de 1937 da Federação Metropolitana de Desportos, vencido pelo São Cristóvão de Futebol e Regatas, foi reconhecido pela FERJ oficialmente como uma edição do Campeonato Carioca.[12]
Movimentos atuais
Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão
Campeonato Brasileiro de Clubes Campeões de 1920

Em pleno amadorismo, surgiu uma das primeiras experiências de se organizar um campeonato a nível Interestadual, pela CBD (atual CBF), em 1920. Ela precisava montar uma Seleção Brasileira para o Campeonato Sul-Americano no Chile. Segundo reportagem da Placar (1976), a competição se chamava "Campeonato Brasileiro de Clubes Campeões".[nota 1][13][14] Atualmente, referenciado pela imprensa como Copa dos Campeões ou Torneio dos Campeões.[15][16]
O jornal O Paiz, de 1° de abril de 1920, publicou uma nota da CBD sobre "o campeão do Brasil": "Os jogos interestaduaes que estão se realizando por iniciativa da Confederação Brazileira não constituem de forma alguma o Campeonato do Brazil".[17] Foram chamados os campeões estaduais de 1919 de São Paulo, Rio de Janeiro, então Distrito Federal, e Rio Grande do Sul: Fluminense, Paulistano e Brasil de Pelotas
Em 2022, o portal Superesportes entrou em contato com o Club Athletico Paulistano, que negou que o clube social almeje o reconhecimento do Campeonato Brasileiro de Clubes Campeões de 1920 como Campeonato Brasileiro.[18] Em 2023, disse em nota que "o tema está em avaliação pelo clube".[19]
Torneio Rio-São Paulo (1933-1934 / 1940 / 1950-1966)
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Em 2010, após a unificação dos títulos pré-1971, a Portuguesa anunciou que reivindicaria a equiparação do Torneio Rio–São Paulo ao Campeonato Brasileiro, sob o argumento de que a competição deu origem ao Torneio Roberto Gomes Pedrosa, anteriormente unificado como título nacional.[20] A possibilidade foi descartada por Odir Cunha, autor do dossiê unificador da Taça Brasil e Roberto Gomes Pedrosa: “a reivindicação da Portuguesa, assim como a de qualquer vencedor do Rio–São Paulo, não tem qualquer chance de ser aprovada pela CBF”.[21] O jornal espanhol El Mundo Deportivo de 14 de junho de 1951 chama o Torneio Rio-São Paulo de “campeonato brasileiro oficioso”, afirmando que os dois estados possuíam os melhores times do Brasil.[22]
Torneio Quadrangular de Belo Horizonte de 1948
No dia 7 de janeiro de 2026, o presidente do Conselho Administrativo do América Mineiro, Márcio Vidal, anunciou que iria pedir o reconhecimento do Torneio Quadrangular de Belo Horizonte de 1948 como Campeonato Brasileiro.[23] O torneio, jogado entre maio e junho, incluiu o Vasco da Gama, campeão carioca de 1947 e do Campeonato Sul-Americano de Campeões de 1948 (findado em 17 de março), o Atlético-MG, campeão mineiro de 1947, e o São Paulo, campeão paulista de 1946; o América foi o anfitrião e patrocinador.[24] Em 2026, durante coletiva, o presidente Márcio Vidal afirmou: "Temos um título da Série A não reconhecido, ainda. É uma luta que eu ainda vou ter pela frente, que é o título de 1948".[24]
Torneio dos Campeões do Norte–Nordeste (1951-1952) e Copa dos Campeões do Norte de 1966

Em 2025, o Náutico anunciou que solicitaria à CBF o reconhecimento do Torneio dos Campeões do Norte–Nordeste de 1952 e da Copa dos Campeões do Norte de 1966 como títulos equivalentes ao Campeonato Brasileiro da Série A, segundo afirmou Marcelo Vinícius, diretor jurídico do clube.[25][26] Em seu site oficial, o clube passou a listar ambas as conquistas como equivalentes ao campeonato nacional, denominando o título de 1966 como Pequena Taça Brasil.[26][27][28]
Copa Minas de 1967
Em 2023, após a unificação do Torneio dos Campeões de 1937, o Bangu afirmou, em nota à imprensa, que “está em contato com seu departamento jurídico para analisar o pedido de reconhecimento do título brasileiro de 1967”, referente à Copa Minas.[19] O torneio, organizado pela Federação Mineira, contou com a presença de Atlético-MG, Bangu, Cruzeiro e Palmeiras; com exceção do Galo, os demais eram campeões estaduais de 1966, e o Cruzeiro vencera a Taça Brasil. Em seu site oficial, o clube carioca lista a conquista como um título nacional, sob a denominação Copa dos Campeões.[29]
Torneio Hexagonal Norte-Nordeste de 1967 e Torneio Norte-Nordeste (1968-1970)

Em 2025, Ceará, Fortaleza e Sport, com o apoio da FPF e FCF,[30] entraram com o pedido de reconhecimento dos Torneios Norte/Nordeste de 1968, 1969 e 1970 como Campeonatos Brasileiros.[31] A competição, disputada por equipes das regiões Norte e Nordeste do Brasil, ocorreu paralelamente ao Torneio Roberto Gomes Pedrosa, torneio entre clubes das regiões Sul e Sudeste posteriormente unificado ao Campeonato Brasileiro.[31] Em menos de um mês após o pedido, o Santa Cruz, junto com a FPF, anunciou buscar tal reconhecimento ao Torneio Hexagonal Norte-Nordeste de 1967.[32]
Torneio Centro-Sul de 1968 e Torneio dos Campeões de 1969
Desde 2010, o Grêmio Esportivo Maringá tenta reconhecer o Torneio dos Campeões da CBD de 1969 como Campeonato Brasileiro.[33] Em 2025, o presidente da Federação Paranaense de Futebol, Hélio Cury Filho, reforçou o pedido ao presidente da CBF, Samir Xaud, para que o Grêmio seja reconhecido como campeão brasileiro.[34] Além do título de 1969, Hélio também incluiu, no pedido, o Torneio Centro-Sul de 1968, competição disputada paralelamente ao Torneio Roberto Gomes Pedrosa e ao Torneio Norte-Nordeste, que igualmente concedia vaga ao Torneio dos Campeões.[34]
Torneio do Povo (1971-1973)

O Coritiba pretendeu a unificação do Torneio do Povo, competição jogada de 1971 a 1973 e vencida pelo Coxa na última edição, que contou com 6 times de 6 estados e 3 regiões diferentes, todos campeões ou futuros campeões brasileiros. A organização se deu pelos próprios clubes. Conforme o então vice-presidente Vilson Ribeiro de Andrade, em 2010: "Isso é um processo que temos na CBF de muito tempo. A Confederação ainda não reconheceu e veio de outras administrações do clube".[35]
Torneio dos Campeões de 1982
No dia 10 de maio de 2021, o America, representado por Edu Coimbra, Sidney Santana, Léo Almada e Marco Antônio Teixeira, entregou a CBF uma solicitação para que o Torneio dos Campeões da CBF de 1982 seja reconhecido como Campeonato Brasileiro.[36][37] Em 2023, Romário reforçou durante a sua posse como presidente do America que iria lutar pelo reconhecimento do título.[38] A competição visava reunir os campeões e vice-campeões das principais competições nacionais da CBD ou CBF, desde a Taça Brasil, além do Torneio Rio-São Paulo. O America participou pelo número de participações nestes torneios, sendo campeão invicto após dez jogos.
Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão
Torneio de Integração Nacional
Em 1971, o Atlético-GO ganhou o Torneio de Integração Nacional. Organizado pela Federação Goiana com o apoio da CBD, foi uma alternativa aos estados não representados na primeira edição do Campeonato Nacional de Clubes. Em 2021, cinquentenário da conquista, o portal GE afirmou que o Dragão iria pedir "junto à CBF o reconhecimento do título como o equivalente a uma Série B do Brasileirão".[39] Segundo publicação do site do clube (2021), "Enquanto o Atlético Mineiro ganhava o título nº 1, o Atlético Goianiense ganhava o título nº 2. O Dragão ganhava um título equivalente ao que reconhecemos como a Série B do Campeonato Brasileiro de hoje em dia".[40] Cite-se que no ano também foi realizada a primeira edição da Série B.
Primeira fase da Copa Brasil de 1979
No dia 12 de novembro de 2025, o Maranhão formalizou o pedido à CBF para ser reconhecido como campeão de 1979.[41] A alegação é que o clube teve a maior pontuação da primeira fase do torneio, juntamente com o Internacional e o Grêmio Maringá.
Segunda fase do Campeonato Brasileiro de 1981 - Taça de Prata
O Náutico declara-se campeão da Série B de 1981. A segunda fase da Taça de Prata consistia em quatro grupos de três times, e o primeiro colocado de cada ganhava acesso à primeira divisão do mesmo ano. O time pernambucano foi um dos quatro primeiros. Os segundos colocados disputaram o título e acesso à elite do ano seguinte.[27] Esse formato também foi adotado nas edições de 1980, 1982 e 1983.[42][43][44]
Torneio Paralelo de 1986
O Torneio Paralelo foi disputado em 1986, com a intenção de determinar quem disputaria a segunda fase do Campeonato Brasileiro de 1986. Oficialmente, o torneio fazia parte do primeira divisão daquele ano, porém, as estatísticas não são contabilizadas pela CBF.[45] Treze, Criciúma, Inter de Limeira e Central de Caruaru ficaram em primeiro lugar dos seus respectivos grupos, porém, não era previsto no regulamento uma decisão entre eles para definir o campeão.[45]
Em 2019, a presidente da Federação Paraibana, Michelle Ramalho, e o presidente do Treze, Walter Júnior, reiteraram a vontade de apresentar o caso ao então presidente da CBF, Rogério Caboclo.[45] Durante a gestão de Samir Xaud, o presidente da Federação Catarinense, Rubens Angelotti, sugeriu que a disputa fosse decidida no campo, em sistema de semifinal e final.[46] Em setembro de 2025, o setor jurídico da CBF deu parecer favorável para reconhecer o título como equivalente a Segunda Divisão, e considerar os quatro clubes como campeões da segunda divisão daquele ano.[47][48]
Copa do Nordeste
Torneio José Américo de Almeida Filho
O Vitória, junto com a Liga do Nordeste, apresentou alguns pedidos para que o Torneio José Américo de Almeida Filho fosse reconhecido como edição da Copa do Nordeste.[49] A competição entre times do Nordeste (com exceção do Volta Redonda, na segunda edição), organizada pela Federação Paraibana,[50] foi vencida pelo CRB em 1975 (seis participantes) e pelo time baiano em 1976 (doze participantes).[51] A mais recente tentativa se deu em 2021.[52]
Outros torneios
Em 2021, o Náutico pediu a unificação de títulos regionais do século XX como Copa do Nordeste, mesmo os que tiveram presença de times do Norte. Dois destes, o Torneio dos Campeões do Norte-Nordeste (1952) e a Copa dos Campeões do Norte (1966), seriam depois pleiteados pelo Timbu como edições do Brasileirão. A com mais edições, porém, é a Taça Norte, troféu anexo à Taça Brasil, correspondendo à zona Norte-Nordeste do certame nacional, disputada dez vezes, com três títulos do próprio Náutico. Se o Vitória pediu a unificação do Torneio José Américo de Almeida Filho de 1976, o rival Bahia frisou quatro títulos anteriores a 1994 (primeira edição da Copa do Nordeste propriamente dita), sendo três da Taça Norte e a Taça dos Campeões do Nordeste de 1948. Santa Cruz, Sport, Fortaleza, Ceará, América-RN, Ypiranga-BA e CRB também seriam beneficiados, sendo que a maioria destes igualmente levantam bandeiras de unificação.[53][54][52]
Campeonatos Estaduais
Campeonato Alagoano
Em agosto de 2020, o Clube de Regatas Brasil anunciou a intenção de solicitar à Federação Alagoana de Futebol o reconhecimento de uma competição realizada em 1920 como edição do Campeonato Alagoano.[55] A proposta, fundamentada em pesquisa do historiador Walter Luís, visa equiparar o torneio — na época organizado por uma liga local e não pela federação estadual — aos estaduais oficiais.[55]
Campeonato Carioca
Entre os dias 5 e 8 de junho de 2023, ocorreu no Tijuca Tênis Clube o primeiro fórum de debates do Exthyntos Social Clube, um projeto desenvolvido por Kleber Monteiro, com a intenção de manter viva a história de times extintos da cidade do Rio de Janeiro.[56] Durante o evento, foi reiterado o pedido dos envolvidos para que os títulos de 1925 e 1932 da Liga Metropolitana de Despostos Terrestres, vencidos por Engenho de Dentro, Modesto, SC América, Santa Cruz, Oriente e Boa Vista pudessem ser considerados como campeões do Campeonato Carioca.[57] Na ocasião, o deputado federal Tarcísio Motta afirmou que entraria com uma moção para reconhecimento oficial dos títulos.[57] Em dezembro do mesmo ano, o pedido ganhou força após o reconhecimento do título do São Cristóvão de 1937.[58]
Críticas

A unificação dos títulos trouxe diferentes críticas ao processo. Desafetos de Ricardo Teixeira acusaram ele de utilizar da unificação para desviar atenção de acusações de corrupção.[59] Já torcedores de equipes rivais cunharam o termo "campeão por fax", em uma provocação ao reconhecimento.[60] Uma das principais críticas à unificação é que a mesma teria beneficiado clubes como Palmeiras e Santos, que após a unificação passaram a ser considerados os maiores campeões do torneio.[61]
O jornalista Paulo Vinícius Coelho colocou-se como crítico da unificação, afirmando que "a luta não é pela história. É clubística", e classificou de "pífios" argumentos como 'o futebol não nasceu em 1971', citando que o futebol chegou ao Brasil em 1894, que o Paulistão de 1902 foi a primeira competição e que a Taça Brasil de 1907, entre as seleções Paulista e Carioca, também foi entendida na época como um Campeonato Brasileiro.[6] Outro opositor é Mauro Cezar Pereira, principalmente quanto a Taça Brasil, a que considera como "embrião da Copa do Brasil".[62] Sobre a unificação do título atleticano de 1937, Renato Maurício Prado foi taxativamente contra, relembrando o movimento de 2010: "Conseguiram transformar uma Liga Barbante em título brasileiro, mas isso tudo começa lá atrás com a unificação dos títulos da Taça Brasil, Roberto Gomes Pedrosa (...), que tinham seu valor, sem dúvida, mas não eram campeonatos brasileiros".[63]
Relativização do termo Campeonato Nacional

Uma das críticas ao processo de unificação é sobre o que está sendo definido como Campeonato Nacional. Parte dos torneios unificados, ou em processo de unificação, foram torneios curtos, com poucos times e regionalizados, o que abriria pressuposto para que torneios como o Torneio Rio-São Paulo e a Taça dos Campeões Estaduais Rio–São Paulo, torneios interestaduais com ênfase nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, pudessem ser considerados torneios nacionais, visto que, no período inicial do futebol brasileiro, parte das principais competições eram centradas no eixo Sul-Sudeste.[64] Odir Cunha reiterou no seu dossiê que não é necessário campeonatos longos para o reconhecimento, respeitando as condições econômicas do período, citando como exemplo os títulos italianos do Genoa Cricket and Football Club.[64]
Por se tratar de um país com proporções continentais, os custos de viagens interestaduais eram elevados no período, e por essa razão, muitos torneios foram regionalizados, e sua classificação com torneio nacional pode eventualmente precisar de uma análise individualizada. Por exemplo, em 23 de dezembro de 2010, o presidente da Portuguesa, Manuel da Lupa reiterou a vontade de solicitar o reconhecimento dos títulos do Torneio Rio-São Paulo, porém Cunha afirmou não ver possibilidade de reconhecimento do pedido.[20] Em 1967, o torneio incluiu times de outros estados, e recebeu o nome de Torneio Roberto Gomes Pedrosa, que foi posteriormente unificado como Campeonato Brasileiro.[65]
Já em relação aos times que disputaram o Torneio Norte-Nordeste de Futebol, a alegação dos clubes é de que a competição não se tratava de um torneio regional, mas sim de um projeto de nacionalização do futebol brasileiro promovido pela Confederação Brasileira de Desportos, e por essa razão, deveria ser considerado como Campeonato Brasileiro.[31]
Campeonato Brasileiro de 1987

A unificação de títulos do Campeonato Brasileiro intensificou a disputa pelo título de 1987 entre o Flamengo e o Sport. Em 21 de fevereiro de 2011, a CBF reconheceu o Flamengo como campeão brasileiro de 1987, utilizando-se como base a RDP 03/2010.[66] No dia 14 de junho de 2011, a CBF acata uma decisão da 10ª Vara da Justiça Federal, e voltou a reconhecer apenas o Sport como campeão brasileiro daquele ano.
Com a decisão, o Flamengo recorreu, e no dia 4 de março de 2016, o Supremo Tribunal Federal não aceitou a divisão do título, e reconheceu o Sport como único campeão de 1987.[67] Após recurso do Flamengo em relação ao posicionamento ocorreu em 18 de abril de 2017, que manteve a decisão anterior.[68][69]
Em 5 de dezembro de 2017, o STF ratificou a decisão anterior.[70] Em 16 de março de 2018, a decisão foi homologada em última instância, e, portanto, não há mais a possibilidade de recurso da decisão.[71][72] Atualmente, a CBF expressa o Flamengo como campeão da Copa União de 1987, diferenciando-a dos títulos brasileiros; ou seja, como um título nacional à parte.[8]
Brasileirão Assaí 50 anos
Em 2021, a CBF lançou a marca "Brasileirão Assaí 50 anos". Segundo a instituição, "O Brasileirão Assaí 50 anos marca o tempo de existência do Campeonato Brasileiro com este nome, ou seja, desde 1971".[nota 2] A entidade ressaltou, porém, que os títulos anteriores são reconhecidos como edições do Brasileiro.[73][74]
Ver também
- Campeonato Brasileiro de Futebol
- Lista de títulos de clubes brasileiros de futebol
- Sistema de ligas de futebol do Brasil
Notas e referências
Notas
- ↑ A CBD nunca rotulou oficialmente as suas competições de clubes com a nomenclatura "Campeonato Brasileiro". Com a criação da CBF, a nova entidade passou a rotular assim a principal disputa de clubes do país no final da década de 1980.
- ↑ Em 1971, o nome oficial era Campeonato Nacional de Clubes, conforme batizado pela CBD.
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