Cool World

Cool World
Cool World
Cartaz de lançamento do filme.
No Brasil O Mundo Proibido
Em Portugal Outro Mundo
 Estados Unidos
1992 •  cor •  97 min 
Género fantasia, animação com live-action, animação adulta
Direção Ralph Bakshi
Produção Frank Mancuso Jr.
Roteiro Michael Grais
Mark Victor
Larry Gross
(não creditado)
Elenco Brad Pitt
Kim Basinger
Gabriel Byrne
Música Mark Isham
Direção de fotografia John A. Alonzo
Figurino Malissa Daniel
Edição Steve Mirkovich
Annamaria Szanto
Companhia produtora Mancuso Jr. Productions
Distribuição Paramount Pictures
Lançamento Estados Unidos 10 de julho de 1992
Idioma inglês
Orçamento US$ 28 milhões[1]
Receita US$ 14.110.589[2]
(receita interna americana)

Cool World (bra: O Mundo Proibido; prt: Outro Mundo) é um filme de live-action com animação adulta americano de 1992 do gênero fantasia, dirigido por Ralph Bakshi e escrito por Michael Grais e Mark Victor. Estrelado por Brad Pitt, Kim Basinger e Gabriel Byrne, seu enredo segue um cartunista que se encontra em um universo de desenho animado que ele acredita ter criado, onde é seduzido por uma de suas personagens, uma mulher fatal que quer se tornar uma humana de carne e osso.[3]

Após o sucesso de Who Framed Roger Rabbit (1988) e seu próprio ressurgimento profissional na televisão no final da década de 1980, Bakshi concebeu a ideia de Cool World como um filme de terror. Ele levou a ideia para a Paramount Pictures e se comprometeu a dirigir o projeto; foi seu primeiro longa-metragem em quase uma década, o que marcaria o seu retorno nos cinemas. No entanto, a interferência do produtor Frank Mancuso Jr. levou a uma extensa reescrita por Michael Grais e Mark Victor, com uma colaboração não-creditada de Larry Gross. Como resultado, as relações entre Bakshi, Mancuso e o estúdio se deterioraram, enquanto o filme teve uma produção altamente tumultuada.

Foi lançado nos cinemas dos Estados Unidos em 10 de julho de 1992 sendo bastante criticado pelos críticos, que contestaram duramente o roteiro e os seus efeitos combinando animação com live-action; no entanto, a trilha sonora e os visuais receberam elogios. Também foi um fracasso de bilheteria, arrecadando US$ 14,1 milhões na América do Norte contra um orçamento de US$ 28 milhões.

Enredo

Em 1945, em Las Vegas, o veterano da Segunda Guerra Mundial Frank Harris retorna para casa e convida sua mãe para um passeio em sua motocicleta. Eles se envolvem em um acidente de trânsito, na qual a mãe de Frank morre. Depois disso, Frank é inadvertidamente transportado para um universo alternativo semelhante a um desenho animado chamado "Cool World", onde recomeça sua vida como detetive na polícia local.

Quarenta e sete anos depois, o cartunista underground Jack Deebs é libertado após cumprir uma pena de dez anos por assassinar o amante de sua esposa. Durante seu tempo na prisão, ele criou uma série em quadrinhos chamada Cool World, baseada em visões recorrentes que tinha enquanto preso; os quadrinhos são estrelados pela voluptuosa mulher fatal Holli Would. O desejo de Holli é escapar do Cool World e se tornar um ser humano real, o que é possível quando os "rabiscos" (gíria para os habitantes do Cool World) têm relações sexuais com "humanóides" (gíria para os humanos). No entanto, Frank e seu parceiro rabisco, um aranha macho chamado Nails, mantêm vigilância constante sobre Holli para garantir que os dois mundos não se misturem.

Pouco depois de ser libertado, Jack é transportado para o Cool World e contrabandeado para um clube noturno local por Holli e seus capangas. Frank confronta Jack de forma agressiva, explicando que o Cool World existia muito antes de ele criar sua série. Ele também o alerta de que objetos de escrita, como a caneta-tinteiro de Jack, são perigosos para os desenhos e que deve evitar fazer sexo com Holli, pois sua transformação em humanóide pode ser perigosa para ambos os mundos. Apesar desses avisos, o próprio Frank está apaixonado por outra rabisco chamada Lonette, mas não pode consumar seu amor com ela pelo mesmo motivo que Jack e Holli.

Eventualmente, Jack cede aos encantos de Holli e ela o seduz, finalmente transando com ele e transformando-se em uma mulher humana real. Em seguida, Holli rouba a caneta de Jack para prender Nails dentro dela e parte com Jack para o mundo real.

No mundo real, Holli fica empolgada e maravilhada ao experimentar sensações reais. No entanto, devido à sua presença ali, ela e Jack começam a alternar espontaneamente entre formas de humanóide e rabisco. Enquanto refletem sobre a situação, Holli conta a Jack sobre o "Aparelho do Poder", um artefato que foi a causa do transporte de Frank para o Cool World e que foi colocado no topo do Union Plaza Hotel por um desenho que cruzou para o mundo real. Ela confessa que quer usá-lo para permanecer permanentemente em sua forma de humanóide. Quando Jack demonstra ceticismo quanto a essa ideia, Holli o abandona para procurar o artefato por conta própria.

Frank descobre o que aconteceu e retorna ao mundo real, onde relutantemente se une a Jack para deter Holli. Eles chegam ao hotel quando Holli começa a escalar a torre. Durante a perseguição, em uma das crises de alternância entre rabisco e humanoide de Holli, Frank é empurrado por ela do alto do prédio, caindo para a morte. Quando Holli alcança o Aparelho do Poder, o mundo real começa a ser atacado por vários desenhos e se torna um mundo animado, ao mesmo tempo em que Jack é transformado em um rabisco com aparência de super-herói. Apesar de ser tentado a começar uma nova vida com Holli em meio a junção dos dois universos, ele devolve o Aparelho ao seu devido lugar, enviando ele e Holli de volta ao Cool World e restaurando o equilíbrio entre os dois mundos.

Tendo sido libertado da caneta durante o caos, Nails leva o corpo de Frank de volta ao Cool World, onde ele e Lonette choram sua morte. No entanto, ao saber por Nails que Holli havia voltado brevemente à sua forma de rabisco no momento em que ela empurrou Frank do prédio, Lonette explica que um humanóide morto por um desenho no mundo real pode ser ressuscitado como rabisco no Cool World. Com isso, Frank é revivido dessa forma, o que permite que ele finalmente possa ter relações amorosas com Lonette. Enquanto isso, Jack começa a planejar sua nova vida com Holli — para o desgosto dela.

Elenco

  • Brad Pitt como Frank Harris, um veterano da Segunda Guerra Mundial que acabou indo parar em Cool World após a morte de sua mãe e que agora virou detetive do departamento de polícia de lá, sendo incubido de deter Holli. Pitt também dá voz a Frank em sua forma de desenho animado.
  • Gabriel Byrne como Jack Deebs, um cartunista ex-presidiário que aparentemente é responsável pela criação de Cool World. Ele é libertado após cumprir dez anos de prisão pelo assassinato do amante de sua esposa.
  • Kim Basinger como Holli Would, uma carismática mulher fatal desenhada que deseja se tornar uma humana de verdade e viver no mundo real. Basinger também dubla Holli em sua forma de desenho.
  • Deirdre O'Connell como Isabelle Malley, uma vizinha de Jack.
  • Michele Abrams como Jennifer Malley, filha de Isabelle.
  • Janni Brenn-Lowen como Agatha Rose Harris, a mãe de Frank morta após o acidente de moto.
  • Frank Sinatra Jr. como ele mesmo

Dubladores dos personagens animados

  • Charlie Adler como Nails, um desenho de aranha e colega de Frank durante seu trabalho como detetive em Cool World.
  • Candi Milo como:
    • Lonette, uma mulher morena desenhada de Cool World e interesse amoroso de Frank.
    • Bob, um travesti rabugento que é um dos "capangas" de Holli.
  • Maurice LaMarche como:
    • Doutor Vincent "Vegas Vinnie" Whiskers, um cientista gentil, sábio e excêntrico que inadvertidamente transportou Frank para Cool World através do uso do Aparelho do Poder.
    • Mash, um garoto enorme e bestial que é um dos "capangas" de Holli.
    • Jack em sua forma de rabisco como super-herói, auto-intitulado como "Super Jack"
    • Um cliente bêbado da boate Slash Club (referido como "cliente bêbado do bar")
    • Um dos dois interrogadores que Frank conhece quando é transportado para Cool World (creditado como "Interrogador nº 2")
  • Joey Camen como:
    • Slash, um rabisco de baixa estatura e parecido com um primata, vestido com uma roupa íntima parecida com uma fralda e armado com garras retráteis semelhantes a unhas nos dedos, que é um dos "capangas" de Holli.
    • A Porta de Holli, a porta antropomórfica do prédio onde fica o apartamento de Holli
    • Um dos dois interrogadores que Frank conhece quando é transportado para Cool World (creditado como "Interrogador nº 1")
  • Michael Lally como Sparks, um gangster armado com moedas de madeira sencientes e carnívoras que é um informante do departamento de polícia de Cool World.
  • Gregory Snegoff como Bash, um garoto magro e hiperativo que é um dos "capangas" de Holli.
  • Patrick Pinney como Chico, um garoto sem pernas que trabalha como segurança do Slash Club e pula para se movimentar.
  • Jenine Jennings como uma coelhinha que joga dados com os Goons (creditada como "Craps Bunny")

Produção

Desenvolvimento

Storyboard de Louise Zingarelli baseado no roteiro original de Bakshi.

Após um ressurgimento de carreira ao produzir a série de animação Mighty Mouse: The New Adventures no final da década de 1980, Ralph Bakshi idealizou em 1990 um novo projeto de filme envolvendo um cartunista que criou uma história em quadrinhos enquanto estava na prisão que o torna uma "estrela" underground. Esse cartunista teria relações sexuais com uma mulher fatal doodle chamada Debbie Dallas (que seria um trocadilho com o título do filme pornográfico de 1978 Debbie Does Dallas) e seria pai de uma criança híbrida, meio desenho animado e meio humano, com ela. A criança, por sua vez, cresceria ressentida com o pai por abandoná-la e faria uma peregrinação ao mundo real para tentar caçar seu pai a fim de matá-lo. Ralph concebeu a ideia como um filme de terror animado com live-action e a apresentou para a Paramount Pictures, onde atuou como o chefe final da divisão de animação do estúdio alguns anos antes.[1][4]

Bakshi afirmou que a Paramount "comprou a ideia em dez segundos".[5] Além do próprio Bakshi escrever seu próprio roteiro partindo de seu conceito, Michael Grais e Mark Victor, juntamente com a colaboração de Larry Gross, que não foi creditado no filme final, escreveram vários rascunhos do roteiro baseados no conceito original de Bakshi. No entanto, Grais acusou Bakshi de mentir sobre sua contribuição, observando que ele e Victor venceram repetidas discussões em relação aos seus créditos.[6] O produtor Frank Mancuso Jr. — filho do presidente da Paramount, Frank Mancuso Sr. — tornou-se o produtor, levando a Paramount a dar sinal verde para o filme em novembro de 1990.[7]

Um rumor de longa data ligado ao filme é que quando Bakshi descobriu que seu conceito original havia sido reescrito pelas costas sem seu conhecimento ou permissão, ele entrou em vias de fato com Frank Mancuso Jr., o que teria envolvido agressões de Bakshi contra Mancuso com socos na boca. No entanto, em uma entrevista por telefone em 2022 com Kevin E. G. Perry do portal The Independent, Bakshi negou essa história, dizendo: "Eu nunca dei um soco em Frank Mancuso Jr. [...] Isso foi apenas um boato. Eu gritei com ele algumas vezes, mas não foi culpa dele. Eu gosto de Frank. Eu nunca dei um soco nele. Você pode esclarecer isso?"[8]

Seleção de elenco e produção

Bakshi tinha a intenção original de escalar Pitt e Drew Barrymore para os papéis principais do filme. Em vez disso, o estúdio insistiu em escalar atores conhecidos em filmes de maior bilheteria, o que originou a escalação de Basinger e Byrne no final de janeiro de 1991.[7][9] Pitt acabou ficando com o papel de Frank. As filmagens duraram de 15 de março a 19 de abril de 1991, com as cenas sendo rodadas em Las Vegas e nos estúdios da Paramount em Los Angeles.[7]

A relação entre Bakshi e a Paramount deteriorou-se rapidamente durante a produção.[10] Mancuso convenceu a Paramount de que a potencial "classificação R" do filme pela MPAA nos Estados Unidos, que restringiria a presença de qualquer pessoa com menos de 17 anos sem um dos pais ou responsável nos cinemas, seria muito arriscada para o sucesso comercial do longa.[4] Esse foi o motivo que fez Mancuso contratar Larry Gross para revisar o roteiro para atingir uma "classificação PG-13" mais branda da MPAA, apresentando a versão revisada logo no primeiro dia de produção.[4][9] Bakshi afirmou que se sentiu "apunhalado pelas costas" por Mancuso.[9] O diretor também afirmou que Basinger chegou a abordar ele e Mancuso durante a produção para reescreverem o filme porque ela mesma "achou que seria ótimo [...] se ela pudesse mostrar este filme em hospitais para crianças doentes [...]"; Bakshi apenas teria respondido: "Kim, acho isso maravilhoso, mas você escolheu o cara errado para fazer isso".

Estilo de animação

A animação do filme foi feita nos próprios estúdios da Paramount. Os animadores do filme nunca receberam um roteiro para trabalhar, com Bakshi apenas dizendo a eles para "fazerem uma cena engraçada, seja lá o que vocês quiserem!"[4]

O design visual das filmagens em live-action foi pensado para parecer "uma pintura viva e acessível", um conceito visual que Bakshi desejava alcançar há muito tempo. Os cenários do filme foram baseados em ampliações das pinturas do designer Barry Jackson. A animação foi fortemente influenciada pelas antigas animações da Fleischer Studios (cujos desenhos animados foram lançados pela Paramount nas décadas de 1930 e 1940) e Terrytoons (onde Bakshi trabalhou, e cujo personagem Super Mouse também foi adaptado para uma série por Bakshi).[4] A arte do personagem Jack Deebs foi desenhada pelo artista de historia em quadrinhos underground Spain Rodriguez.[11]

Trilha sonora

Cool World
Trilha sonora de Mark Isham
Cronologia de Mark Isham
A Midnight Clear
(1992)

Um álbum de trilha sonora intitulado Songs from the Cool World, com gravações de artistas como Moby e grupos musicais como My Life with the Thrill Kill Kult, Ministry, The Future Sound of London e outros, foi lançado em 1992 pela Warner Bros. Records.[12] O lançamento incluiu a faixa "Real Cool World" de David Bowie, seu primeiro material solo original em aproximadamente três anos; a música foi escrita exclusivamente para o filme. A recepção da trilha sonora foi muito mais favorável do que o próprio filme, o que incluiu uma classificação de quatro estrelas pela AllMusic.[13]

A trilha sonora original de Mark Isham para Cool World incluiu faixas que incrementavam uma mistura de jazz com peças orquestrais e remixes eletrônicos, sendo executadas pela Orquestra Sinfônica de Munique. Foi lançada em CD pela gravadora Varèse Sarabande e em sua forma completa em 2015 pela Quartet. Assim como o outro álbum, este também recebeu críticas positivas.[14][15]

Marketing e promoção

A Paramount concentrou a promoção do filme tanto no retorno de Bakshi quanto no imaginário hipersexual de Holli Would. Essas estratégias foram consideradas por alguns especialistas como equivocadas, principalemnte a última. O presidente de marketing da Paramount Pictures, Barry London, observou que o filme "infelizmente não pareceu satisfazer o público mais jovem ao qual se destinava".[16] O designer Milton Knight lembrou que o público da estreia "na verdade queria um Cool World mais selvagem e atrevido".[4]

Vários videogames licenciados diferentes baseados no filme foram criados pela Ocean Software. O primeiro jogo homônimo foi desenvolvido pela Twilight e lançado em 1992 para as plataformas Amiga, Atari ST, Commodore 64 e DOS. Dois jogos diferentes, embora também homônimos, foram lançados no ano seguinte para as plataformas Nintendo Entertainment System e Super NES, juntamente com uma versão para Game Boy do primeiro.[carece de fontes?] Uma prequela de história em quadrinhos de quatro edições do filme foi publicada como uma minissérie pela DC Comics.[17] Esta apresentava um roteiro de Michael Eury e desenhos de Stephen DeStefano, Chuck Fiala e Bill Wray.[18]

Controvérsia

Em julho de 1992, a campanha de marketing da Paramount para o filme criou polêmica ao alterar o letreiro de Hollywood para incluir um recorte de 23 metros de altura para incluir a figura da personagem Holli Would sentada na letra D do letreiro.[19] O pedido do estúdio foi inicialmente negado pela prefeitura de Los Angeles; isso foi revertido quando a Paramount concordou em pagar uma taxa US$ 27.000 para a cidade e outros US$ 27.000 para limpeza após os distúrbios de Los Angeles em 1992.[7] Os moradores locais ficaram irritados com a alteração do letreiro, em grande parte devido à imagem sexualizada de Holli; eles iniciaram um processo fracassado contra a prefeitura para impedir a alteração.[20][21][22]

Numa carta ao Conselho de Recreação e Parques da cidade, os responsáveis ​​da comissão escreveram que estavam "consternados" com a aprovação da alteração pelo conselho: "[...] a ação que o vosso conselho tomou é ofensiva para as mulheres de Los Angeles e não se enquadra no vosso papel como guardiões do letreiro de Hollywood. O fato de a Paramount Pictures ter doado apenas 27.000 dólares para a Reconstrução de Los Angeles [após os distúrbios] não deveria servir de passaporte para explorar as mulheres em Los Angeles". Os manifestantes chegaram a fazer um piquete na inauguração do letreiro alterado.[22]

Recepção

Desempenho comercial

Cool World estreou em sexto lugar nas bilheterias norte-americanas, arrecadando US$ 5,5 milhões. Embora programado para se expandir para mais cinemas em seu segundo fim de semana, a Paramount surpreendeu os exibidores ao interromper imediatamente a publicidade do filme.[7]

Sua arrecadação total nas bilheterias dos Estados Unidos foi de US$ 14,1 milhões, pouco mais da metade de seu orçamento relatado de US$ 28 milhões.[1][23]

Resposta da crítica

Holli seduzindo Jack em uma cena do filme. Cool World teve sua composição de animação com atores reais duramente contestada pela crítica especializada

No Rotten Tomatoes, o longa tem uma taxa de aprovação de apenas 4% com base em 51 avaliações, com uma classificação média de 3,4/10. Seu consenso crítico diz: "Cool World lança um pequeno punhado de faíscas visuais, mas elas não são suficientes para distrair os personagens fracos e o enredo disperso do roteiro".[24] No Metacritic, o filme obtém a pontuação de 28/100 com base nas avaliações de 16 críticos, indicando avaliações "geralmente desfavoráveis".[25] O público dos cinemas entrevistado pelo instituto CinemaScore deu ao filme uma nota média "C" em uma escala de "A+" a "F".[26]

O crítico de cinema da revista Variety Brian Lowry comparou o filme a um videoclipe estendido, elogiando a trilha sonora e os visuais, mas criticando a história.[27] O enredo foi fortemente ridicularizado por outros críticos, com uma resenha do Los Angeles Times dizendo que "[O] enredo quase não faz sentido".[28]

Roger Ebert, comentando sobre o filme para o jornal Chicago Sun-Times, escreveu que Cool World "perde uma oportunidade após a outra... [é] um filme surpreendentemente incompetente".[29] O crítico Leonard Maltin disse que o filme era "muito sério para ser divertido [e] muito bobo para ser levado a sério; [Cool World tem] personagens principais desagradáveis. Parece uma versão de Roger Rabbit feita por Roger Corman".[30] Chris Hicks do Deseret News descreveu-o como "um filme de poucas piadas - e piadas sujas. [...] E muito do que está acontecendo aqui parece mais raivoso e desagradável do que inspirador ou engraçado".[31] A atuação do elenco e os efeitos especiais do filme foram contestados pelo crítico do The Washington Post Hal Hinson, que se viu num dilema para saber "se Kim Basinger é mais desagradável como um desenho animado ou como uma pessoa real", além de ter declarado que sentiu que a combinação de animação e ação ao vivo não era convincente.[32]

Em 1997, John Grant escreveu no livro The Encyclopedia of Fantasy que Cool World "se destaca como uma das conquistas mais significativas do cinema fantástico, uma 'fantasia de instauração' que revela maiores profundidades a cada exibição".[33] Em 2005, o historiador de animação Jerry Beck descreveu o filme como sendo "apenas para adultos e completistas de Bakshi"; ele escreveu que o filme "tem uma ótima premissa, um ótimo elenco e a melhor animação com a qual já se envolveu", mas o criticou como uma "repetição sem sentido de muitos dos temas favoritos de Ralph e a história literalmente não leva a lugar nenhum".[34]

Em algumas entrevistas após o lançamento do filme, Bakshi denunciou o filme, dizendo: "Eu pensei que se eu fizesse a animação bem, valeria a pena, mas sabe de uma coisa? Não valeu a pena".[35] Bakshi também afirmou que "tinha muitos animadores lá que eu trouxe e pensei que talvez pudesse me divertir animando essas coisas [...]".[9] Em 2022, o diretor afirmou: "Eu costumava menosprezar [o filme], mas não mais" e que "Cool World tem algumas das melhores animações que já fiz".[8]

O filme rendeu uma indicação ao prêmio Framboesa de Ouro para Kim Basinger na categoria de Pior atriz.[36]

Mídia doméstica

O filme só foi lançado em formato home video trinta anos depois numa edição de colecionador em Blu-ray 4K pela Shout! Studios em 13 de setembro de 2022 nos Estados Unidos e Canadá.[37]

Referências

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  2. «Cool World». Box Office Mojo. Consultado em 4 de novembro de 2019. Cópia arquivada em 26 de agosto de 2019 
  3. Lenburg, Jeff (1999). The Encyclopedia of Animated Cartoons. [S.l.]: Checkmark Books. p. 174. ISBN 0-8160-3831-7. Consultado em 6 de junho de 2020 
  4. a b c d e f Gibson, Jon M.; McDonnell, Chris (2008). «Ups & Downs». Unfiltered: The Complete Ralph Bakshi. [S.l.]: Universe Publishing. pp. 219; 227. ISBN 978-0-7893-1684-4 
  5. «Interview with Ralph Bakshi». IGN. Consultado em 10 de janeiro de 2007. Arquivado do original em 18 de fevereiro de 2006 
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