Convento de Nossa Senhora da Graça de Abrantes

O Convento de Nossa Senhora da Graça de Abrantes (1529-1891) também conhecido como Mosteiro de Nossa Senhora da Graça, era feminino, e pertencia à Ordem dos Pregadores (Dominicanos)[2].
No século XIV este mosteiro já existia, fundado em 1384 por iniciativa de D. Frei Vasco de Lamego, bispo da Guarda, como casa de freiras de Cónegos Regulares de Santo Agostinho, sob a invocação de Nossa Senhora da Consolação e na dependência do ordinário do lugar. Fortemente atingido pela peste durante o reinado de D. Duarte, o mosteiro ficou despovoado e foi entregue, pelo bispo, a algumas mulheres nobres, que deveriam exercer funções como comendatárias. Cerca de 1522, terminado o governo das senhoras seculares, D. Beatriz de São Paulo restaurou a vida religiosa no convento, manteve a comunidade nos Cónegos Regulares de Santo Agostinho e obteve a isenção da jurisdição do bispo da Guarda, passando à obediência do arcebispo de Lisboa D. Fernando de Menezes, em 1529.
No priorado seguinte, Isabel de São Francisco, admiradora do modo de vida das casas observantes das outras ordens, obteve licença do Rei D. João III e do Papa Paulo III para professar a Regra de São Domingos [3]. Em 1541, em Novembro, obteve a aceitação da sua comunidade, junto do provincial Frei Jerónimo de Padilha, como casa da Ordem dos Pregadores. Com a união do convento aos dominicanos e para evitar a homonímia com o convento de frades pregadores de Nossa Senhora da Consolação, na mesma vila, a invocação da casa feminina passou a Nossa Senhora da Graça.
Em 1548, a comunidade mudou-se para novas instalações, mais próximas do centro da vila.
Em 1834, no âmbito da "Reforma Geral Eclesiástica" empreendida pelo Ministro e Secretário de Estado, Joaquim António de Aguiar, executada pela Comissão da Reforma Geral do Clero (1833-1837), pelo decreto de D. Pedro IV de Portugal de 28 de Maio determinou a extinção de todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e casas de religiosos de todas as ordens religiosas, ficando as casas de religiosas sujeitas aos respectivos bispos até à morte da última freira.
Todos os seus bens foram incorporados na Fazenda Nacional, à excepção dos vasos sagrados e paramentos que seriam entregues aos Ordinários das dioceses.
Por Decreto e Instruções de 31 de Maio de 1862, do Ministério e Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda, regulou-se a execução da Lei de 4 de Abril de 1861, na qual os conventos femininos de Portugal foram extintos - por óbito da última religiosa professa -, sendo incorporados os seus bens nos Próprios da Fazenda Nacional. Em 1891, o mosteiro foi encerrado por falecimento da última irmã prioresa D. Maria Angélica Godinho.
Igreja do Convento
A igreja do Convento era pequena, de uma só nave. Tinha sete altares, dedicados a Nossa Senhora da Graça, Nossa Senhora do Rosário, Cristo Crucificado, São João Evangelista, São Bento, São João Baptista e São José [3].
Inventário de extinção do Convento de Nossa Senhora da Graça de Abrantes de Santarém
O Convento foi extinto em 4 de Novembro de 1891, por morte da última religiosa a prioresa D. Maria Angélica Godinho [4]. A religiosa tinha os seus aposentos especiais, nos quais guardava bens individuais e de seu uso exclusivo, alguns dos quais trouxera de casa de seus pais - móveis, louças, roupas, garrafas de vinho do Porto, licores e aguardente, moedas em ouro e prata, entre outros (1892).
Contém os inventários das alfaias, vasos sagrados e mais objectos de culto, dos bens móveis, objectos de uso profano, do suprimido Convento, estiveram presentes Francisco Manuel da Silva Bastos, da Repartição da Fazenda do distrito de Santarém, e Alfredo César da Costa Barbosa, da mesma repartição em comissão de escrivão da Fazenda, a fim de elaborarem os inventários, o Dr. Manuel Martins, arcipreste e representante do arcebispo, bispo de Portalegre, e o presbítero José Joaquim da Mota Ferreira, ex-capelão do Convento, em 16 de Fevereiro de 1892. Inclui o inventário dos títulos e mais livros, e documentos (provisões, títulos dos lugares da rainha, e de legados perpétuos, livros de dote e partilhas, do Foral Novo, de arrematações, entre outros), bem como do Convento da Ordem de São Domingos, da vila de Abrantes, elaborado pelo escrivão da Fazenda e Joaquim Nunes de Carvalho (1857), participaram a prioresa soror D. Maria Auta do Coração de Jesus da Fonseca Veloso, e o arcipreste João Freire de Oliveira e Matos. Reúne autos para avaliação de foros impostos no Casal de Alcoral no Campo do Tramagal, descrição dos enfiteutas - visconde de Abrançalha, do Tramagal, entre outros, e confrontações dos prédios rústicos (1891), relação da receita e despesa do Convento (1856), listas de foros impostos em propriedades para arrematação (impressas), autos de avaliação de domínios directos. Compreende o auto de posse do edifício do extinto Convento, incluindo os terrenos e mais pertenças, concedidos à Câmara Municipal de Abrantes, por Lei de 19 de Abril de 1892. Integra relações do inventário dos livros da biblioteca (em português, latim, espanhol), de crónicas de ordens, orações, missais, e manuscritos: carta da Rainha D. Catarina, de 16 de Novembro de 1541, dirigida à abadessa, e uma relação com recibo autêntico pela entrega da prata do Convento, por ordem do general Junot, bem como capitais mutuados, termo de entrega de bens móveis do extinto Convento à Santa Casa da Misericórdia da vila de Abrantes, em 24 de Outubro de 1892. Reúne documentos relativos às jóias e outros objectos escolhidos pela Academia Real de Belas Artes de Lisboa, 1892. A documentação menciona bens nos concelhos de Abrantes, Avis, Alpiarça, Fronteira, Sousel, entre outros.
A descrição do Inventário de extinção do Convento [5] encontra-se no Arquivo Nacional Torre do Tombo. A respetiva digitalização pode ser descarregada aqui.
Referências
- ↑ «MEMÓRIAS DO CONVENTO ABRANTINO DE Nª SRª DA GRAÇA». wikitejo.mediotejo.pt. Consultado em 19 de novembro de 2025
- ↑ «Torre do Tombo, Arquivo Nacional, "ORDEM DOS PREGADORES, MOSTEIRO DE NOSSA SENHORA DA GRAÇA DE ABRANTES, Instrumento de descrição arquivística L 759", Wayback Machine» (PDF). antt.dglab.gov.pt. Consultado em 19 de novembro de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 30 de março de 2023
- ↑ a b «Diccionario geografico, ou noticia historica de todas as cidades, villas, lugares, e aldeas, rios, ribeiras, e serras dos Reynos de Portugal, e Algarve, com todas as cousas raras, que nelles se encontraõ, assim antigas, como modernas». purl.pt. Consultado em 19 de novembro de 2025
- ↑ «Digitarq, Torre do Tombo, Arquivo Nacional, descrição do "Inventário de extinção do Convento de Nossa Senhora da Graça de Abrantes de Santarém"». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 19 de novembro de 2025
- ↑ Torre do Tombo, Arquivo Nacional. «Inventário de extinção do Convento de Nossa Senhora da Graça de Abrantes de Santarém, Código de referência PT/TT/MF-DGFP/E/002/00099»