Continuacionismo
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Continuacionismo, conhecido também por Continuísmo, é uma cosmovisão teológica cristã acerca da continuidade dos chamados dons do Espírito Santo, sendo mais comum entre cristãos pentecostais, carismáticos e neopentecostais[1]. Continuacionistas (ou continuístas) creem que todos os dons do Espírito Santo que foram manifestos no período da Igreja Primitiva continuam existindo e são necessários, também na atualidade, à Igreja[2][3][4].
A visão continuísta se opõe, assim, ao cessacionismo, que é a visão de cessação de alguns destes dons a partir do século III, ou do fechamento do Cânon bíblico[5][6].
A interpretação sobre os dons do Espírito Santo também diverge entre denominações, como a interpretação de certos versículos da bíblia em relação ao dom de línguas, que pode ser atribuído a línguas humanas/estrangeiras, ou à línguas estranhas, incompreensíveis ao ser humano, tendo caráter angelical e/ou transcendente.[7]
Defensores e Opositores
Entre os expoentes do continuísmo estão: John Piper,Wayne Grudem, J. I. Packer, Mark Driscoll, D. A. Carson, C. J. Mahaney, Kevin DeYoung[8], a visão continuísta também tem expoentes em território Brasileiro, como os Pastores de influência Batista Luiz Sayão e Yago Martins.
Alguns autores, entretanto, se opõem fortemente à visão continuísta, tais como John Fullerton MacArthur[9] , Augustus Nicodemus Lopes, Hernandes Dias Lopes, Héber Carlos de Campos, Héber Campos Junior.
Observa-se que a maioria dos opositores da visão continuísta faz parte de denominações seguidoras do Cristianismo Reformado.
Os defensores dessa cosmovisão são encontrados em denominações pentecostais e/ou batistas, como a Assembleia de Deus e a Igreja Pentecostal Deus É Amor.[10]
Denominações não pentecostais
Apesar de amplamente adotada pelas denominações dos movimentos pentecostais/carismáticas e neopentecostais e suas subdivisões, a visão continuísta também tem sido adotada por denominações mais tradicionais, entre elas:
- Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (IPIB), que é continuísta desde 1993[11].
- Em contraposição, a posição cessacionista é majoritária na Igreja Presbiteriana do Brasil[12][nota 1][13], a maior denominação presbiteriana do Brasil, e na Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil, que separou-se na IPIB na década de 1930.[14]
- A Igreja Metodista do Brasil, é majoritariamente continuísta.
- A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil também se posiciona favorável à continuidade dos dons[15].
- A Convenção Batista Brasileira, conhecida por possuir uma grande ala carismática que, na década de 1980, representava 5% das congregações, o que evidencia grande crescimento da visão continuísta nas igrejas que fazem parte dessa convenção[16][17].
Além dessas, muitas outras denominações tradicionais menores do protestantismo têm se aberto à visão continuísta, nas décadas finais do século XX e início do século XXI, seja nos Estados Unidos, seja no Brasil[18].
Referências
- ↑ «Teologia Pentecostal: Cessacionsimo e Continuísmo». Consultado em 21 de Jun. de 2016
- ↑ «Cessacionsimo e Continuísmo». Consultado em 21 de Jun. de 2016
- ↑ «Monergismo:Cessacionsimo, Continuísmo e Carismáticos». Consultado em 21 de Jun. de 2016
- ↑ «Ano Domini: Cessacionsimo e Continuísmo». Consultado em 21 de Jun. de 2016
- ↑ Augustus Nicodemus Lopes; O culto espiritual: Um Estudo em 1 Coríntios Sobre Questões Atuais e Diretrizes Bíblicas para o Culto Cristão. São Paulo: Cultura Cristã, 1999, pág 174 e 177
- ↑ Misael Batista do Nascimento, Cristão Frutífero, 3ª Edição, Outubro de 2004, pág 49
- ↑ Reis, José (13 de outubro de 2014). «Os fenômenos de mediunidade de carismáticos católicos e pentecostais». Revista "O Tempo". Consultado em 5 de setembro de 2025
- ↑ «Reformers:Expositores do Continuísmo». Consultado em 21 de Jun. de 2016. Arquivado do original em 1 de julho de 2016
- ↑ «CPAD: John Fuller MacArthur». Consultado em 21 de Jun. de 2016
- ↑ Renovato, Elinaldo (2021). «Lições Bíblicas - Segundo Trimestre de 2021 - Lição 5» (PDF). CPAD. Lições Bíblicas: 32. Consultado em 5 de setembro de 2025
- ↑ «História da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil: "Em 1993 o Supremo Concílio reconheceu a continuidade dos dons"». Consultado em 21 de Jun. de 2016
- ↑ «Cessacionismo da Confissão de Fé de Westminster: Primeira Igreja Presbiteriana de Porto Velho». Consultado em 21 de Jun. de 2016
- ↑ «Carta Pastoral da Igreja Presbiteriana do Brasil» (PDF). 1995. Consultado em 21 de maio de 2021. Arquivado do original (PDF) em 21 de maio de 2021
- ↑ «História da Igreja Presbiteriana Conservadora». Consultado em 21 de Jun. de 2016. Arquivado do original em 9 de setembro de 2015
- ↑ «Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil: Continuidade dos dons do Espírito Santo». Consultado em 21 de Jun. de 2016
- ↑ «Convenção Batista Brasileira». Consultado em 21 de Jun. de 2016. Arquivado do original em 24 de setembro de 2011
- ↑ «Ala Carismática na Convenção Batista Brasileira». Consultado em 21 de Jun. de 2016. Arquivado do original em 15 de março de 2016
- ↑ «Cresce o número de tradicionais que creem nos dons espirituais». Consultado em 21 de Jun. de 2016
Notas
- ↑ Em carta pastoral, enviada em 1995 a todos os ministros, a IPB orientou seus pastores no sentido de que o dom de línguas da Bíblia refere-se a idiomas humanos. Todavia, disse que não há evidências bíblicas de que o dom teria de cessar ou continuar após o período apostólico. Sendo assim, não afirmou a posição Cessacionista ou Continuísta. A carta, contudo, afirma que o dom descrito na Bíblia é para edificação da Igreja, juízo dos ímpios e comunicação da universalidade da Igreja. A carta reconheceu que a prática contemporânea das línguas geralmente não se adequa a descrição bíblica. A Igreja afirmou que, sob uma ótica teológica, Deus pode conceder o dom em qualquer momento da história, mas informou que toda experiência deve ser testada à luz da Bíblia e não há evidências do exercício do dom na comtemporaniedade que se adeque a descrição bíblica