Consórcio da Paz

Consórcio da Paz
Tipoconsórcio público
Fundaçãooutubro de 2025 (4 meses)
SedeRio de Janeiro, Rio de Janeiro
Membros
Línguas oficiaisPortuguês brasileiro
PresidenteCláudio Castro (desde 2025)

Consórcio da Paz é um projeto interestadual criado em 30 de outubro de 2025, durante uma reunião de governadores realizada no Rio de Janeiro, capital do estado homônimo, com o objetivo de articular ações conjuntas de segurança pública e combate ao crime organizado.[1][2] É formado por 7 unidades da federação: Minas Gerais,[3] Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, São Paulo e o próprio Rio de Janeiro.[4][5]

O anúncio de criação do consórcio ocorreu após a Operação Contenção realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, que resultou em mais de 120 pessoas mortas e reacendeu o debate sobre letalidade policial e a atuação interestadual de facções criminosas.[4]

A criação do consórcio foi apresentada como resposta à expansão das organizações criminosas que atuam em vários estados e à falta de integração entre forças policiais estaduais e, especificamente, diante de acusações de Castro ao Governo Federal por suposta inação e desassistência após o número de mortos na Operação Contenção.[6]

Em resposta, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) divulgou nota em que detalha ter atendido a todos os pedidos feitos do governo do Rio entre outubro de 2023 e dezembro de 2025, incluindo 11 solicitações de renovação da atuação da Força Nacional, e que recursos federais substanciais foram liberados para o estado, destacando que parte significativa desses fundos ainda não foi utilizada pelo governo fluminense.[7][8]

Estrutura e objetivos

O consórcio designou como sede inicial o Rio de Janeiro e é composto por mais 6 unidades da federação, além do Rio de Janeiro, cujos governadores aderiram ao consórcio: Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais; Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina; Eduardo Riedel (Progressistas), do Mato Grosso do Sul; Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás; e a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (Progressistas). O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), participou remotamente, por chamada de vídeo.[4]

O governador Cláudio Castro foi escolhido como presidente do consórcio em seu lançamento.[5] Os estados participantes podem criar grupos técnicos e compartilhar recursos humanos e materiais em operações conjuntas, função já exercida pelo Governo Federal através de ministérios, bem como por autarquias independentes, a exemplo da Polícia Federal (PF).[9]

Repercussão

Organizações de direitos humanos e parlamentares

Diversas organizações de direitos humanos, como o Instituto Sou da Paz, expressaram preocupação em relação ao contexto de criação do Consórcio da Paz, apontando que ele foi estabelecido após uma operação de alta letalidade e que poderia intensificar estratégias de enfrentamento baseadas na repressão armada, bem como proteger Castro das críticas.[10][11]

O deputado federal pelo Rio de Janeiro, Otoni de Paula (MDB) citou que ao menos 4 civis mortos não possuem ligação com o Comando Vermelho (CV), e que do ponto de vista da operação "preto com chinelos Havaianas sem camisa pode ser trabalhador, mas, se correu, é bandido".[12]

A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann acusou os governadores de utilizarem a segurança pública para fins eleitorais e de aproximarem o país de uma lógica de intervenção militar estrangeira.[13] Além disso, críticas destacam a falta de transparência sobre quais medidas de proteção aos direitos humanos e de promoção da paz serão adotadas, uma vez que foi o consórcio criado após as denúncias de execuções sumárias durante a Operação Contenção.[14]

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos classificou o consórcio como antipatriótico e intervencionista:

O consórcio que os governadores anunciaram não é um consórcio da paz. É o consórcio do Trump. Querem atiçar intervenção estrangeira.
 
Boulos, 2025, [15].

Ver também

Referências

  1. Niklas, Jan. «Governadores de direita criam 'Consórcio da Paz' e atacam Lula após operação letal no RJ». Jornal de Brasília. Consultado em 2 de novembro de 2025 
  2. Noblat, Ricardo (2 de novembro de 2025). «A aprovação letal, o consórcio da paz e o terrorismo». www.metropoles.com. Metrópoles. Consultado em 2 de novembro de 2025 
  3. «No Rio de Janeiro, governadores anunciam a criação do Consórcio da Paz». www.agenciaminas.mg.gov.br. 31 de outubro de 2025. Consultado em 25 de novembro de 2025 
  4. a b c «Sete governadores anunciam Consórcio da Paz após operação no Rio». Agência Brasil. 30 de outubro de 2025. Consultado em 1 de novembro de 2025 
  5. a b «O que está por trás do Consórcio da Paz de estados aliados». IstoÉ Dinheiro. 31 de outubro de 2025. Consultado em 1 de novembro de 2025 
  6. «Governadores anunciam Consórcio da Paz contra o crime organizado». Investing.com Brasil. 30 de outubro de 2025. Consultado em 1 de novembro de 2025 
  7. «Governo rebate Castro e diz que não negou pedidos de reforço na segurança do RJ». www.gazetadopovo.com.br. 28 de outubro de 2025. Consultado em 1 de novembro de 2025 
  8. «Castro liga para Gleisi e diz que não teve intenção de criticar o governo». CNN Brasil. 28 de outubro de 2025. Consultado em 1 de novembro de 2025 
  9. «Consórcio da paz? Letalidade policial aumenta com 5 dos 6 governadores que apoiam Castro». Agência Pública. Consultado em 25 de novembro de 2025 
  10. «ONGs buscam Cortes internacionais após megaoperação no Rio de Janeiro». CNN Brasil. 29 de outubro de 2025. Consultado em 1 de novembro de 2025 
  11. «Megaoperação: "Consórcio da Paz" desviou críticas a Castro, dizem aliados | Blogs». CNN Brasil. 31 de outubro de 2025. Consultado em 1 de novembro de 2025 
  12. «Deputado Otoni afirma na Câmara que polícia do Rio trata como bandidos 'preto correndo na favela em dia de operação'». O Globo. 30 de outubro de 2025. Consultado em 2 de novembro de 2025. "Ah, só morreram bandidos!" Não, quem está falando aqui é pastor, e não é pastor progressista, não. Só de filho de gente da igreja, eu sei, morreram quatro ontem (terça-feira), meninos que nunca portaram fuzis, mas estão sendo contados no pacote como se fossem bandidos. Sabem quando vão saber se são bandidos ou se não são? Nunca. Ninguém vai atrás. E vocês sabem por que não? Preto correndo em dia de operação na favela é bandido. Preto com chinelos Havaianas sem camisa pode ser trabalhador, mas, se correu, é bandido — afirmou Otoni. 
  13. «Guerra no Rio: após derrotas, direita volta a engajar nas redes com união de governadores e apoio a Castro». O Globo. 30 de outubro de 2025. Consultado em 1 de novembro de 2025 
  14. «Governadores lançam consórcio para combate ao crime no Rio de Janeiro». www.gazetadopovo.com.br. 31 de outubro de 2025. Consultado em 1 de novembro de 2025 
  15. Sadi, Andréia (31 de outubro de 2025). «Ministro de Lula, Boulos diz que consórcio de governadores aliados a Castro é para atiçar intervenção estrangeira: 'É consórcio do Trump'». G1. Consultado em 6 de novembro de 2025