Condrito carbonáceo

Os condritos carbonáceos são um tipo particular de condritos. Apresentam um teor elevado de carbono (até 3%), o qual ocorre na forma de grafite, carbonatos e compostos orgânicos/hidrocarbonetos, incluindo aminoácidos. Além destes, podem conter água e minerais alterados pela água, como filossilicatos. Os condritos carbonáceos não são expostos a altas temperaturas, já que se apresentam muito pouco alterados por processos térmicos[1].
Alguns condritos carbonáceos, como o meteorito de Allende, contêm inclusões ricas em cálcio e alumínio (IRCAs). Estas podem estar relacionadas com a condensação inicial da nebulosa solar, podendo tratar-se dos minerais mais antigos formados no Sistema Solar. Alguns condritos carbonáceos primitivos, como o condrito-CM de Murchison, contêm minerais pré-solares, entre os quais carboneto de silício, e pequenos diamantes de dimensões nanométricas, os quais não se formaram no nosso Sistema Solar. Estes minerais pré-solares foram provavelmente formados em explosões de supernovas ou na vizinhança de uma gigante vermelha e depois incorporados na nuvem molecular da qual a nebulosa solar se separou dando origem ao nosso Sistema Solar. Nestas explosões são produzidas ondas de pressão, as quais podem consolidar nuvens moleculares na sua vizinhança, o que pode levar à formação de novas estrelas e de sistemas estelares[2].
De acordo com a sua composição química, os condritos carbonáceos dividem-se nos grupos CI, CM, CV, CO, CR, CK e CH [1]:
- Condritos-CI designados após o meteorito de Ivuna (Tanzânia), têm alto teor de água (até 20%), bem como de vários compostos orgânicos incluindo aminoácidos. No decurso da sua existência nunca foram aquecidos a mais de 50 °C, e podem ter-se formado no sistema solar exterior. Possivelmente faziam parte de antigos cometas. Não contêm côndrulos visíveis, que teriam sido destruídos pela água.
- Condritos-CM (Mighei, Ucrânia) semelhantes aos condritos-CI na sua composição química, mas contêm menos água. Possuem côndrulos visíveis e frequentemente IRCAs. Podem também ter sido formados no sistema solar exterior.
- Condritos-CV (Vigarano, Itália) são similares aos condritos normais em composição química e estrutura, mas ao contrário deles, apresentam vestígios de água e compostos orgânicos. Estes condritos apresentam côndrulos bem visíveis e numerosas IRCAs.
- Condritos-CO (Ornans, França) com composição química idêntica aos condritos-CV. Contudo, são mais escuros e exibem côndrulos muito menores e muito menos IRCAs.
- Condritos-CR (Renazzo, Itália) assemelham-se aos condritos-CM, mas contêm também níquel e sulfureto de ferro. Estudos espectroscópicos mostram concordância entre a sua composição e aquela do asteroide 2 Palas. É possível que estes condritos tenham origem neste corpo celeste.
- Condritos-K (Karoonda, (Austrália) possuem alto teor de magnetita que lhes confere uma aparência exterior preta e lisa. Contêm grandes côndrulos e ocasionalmente IRCAs.c
- Condritos-H - possuem um teor elevado de NiFe, frequentemente superior a 50%.
- Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em alemão cujo título é «Kohliger Chondrit», especificamente desta versão.
Hidrocarbonetos extraterrestres
A primeira vez que foi identificado a presença de hidrocarboneto extraterrestre foi no meteorito Alais, um carbonáceo do tipo CII que caiu em 1806 próximo a cidade de Alès, França[3]. No entanto, foi apenas em 1834 que o químico Sueco Jöns Jacob Berzelius (1779 – 1848) identificou a presença de moléculas orgânicas[4].
Os meteoritos carbonáceos podem possuir aminoácidos de origem abiótica. Os primeiros aminoácidos encontrados em um meteorito vêm do meteorito Murchison, um carbonáceo tipo CM2, recuperado após queda observada perto da cidade Murchison, oeste da Austrália, em 28 de setembro de 1969. Inicialmente neste espécime foram encontrados 5 aminoácidos comuns (glicina, alanina, valina, prolina e ácido glutâmico), além de 12 aminoácidos não-protogínicos, alguns raros na Terra. Atualmente 96 aminoácidos são descritos no meteorito Murchison. A presença de aminoácidos quirais (moléculas espelhadas) em proporção racêmica (moléculas espelhadas em proporções equivalentes) indica que, desconsiderando contaminação biológica terrestre, esses aminoácidos possuem origem abiótica, já que a biosfera em grande maioria rejeita aminoácidos levógiros. Além de aminoácidos, também ocorre a presença de ácidos dicarboxílicos e bases nucleicas, como por exemplo uracila, parte fundamental da cadeia do RNA[5].
As primeiras e mais simples cadeias orgânicas abióticas que foram base para formação de cadeias mais complexas possivelmente possuem origem na nebulosa solar ou são até anteriores a isso. Há modelos que sugerem que foram formadas sobre grãos de minerais nos primórdios do sistema solar que nunca passaram por fusão, nesses grãos podem ter precipitado diretamente da nebulosa solar compostos base para formação dessas cadeias hidrocarbônicas e sua formação pode ter sido catalisada por radiação UV e choques entre partículas que forneceram energia de ativação para reação de formação[4].
As reações abióticas para formação de hidrocarbônicos mais complexos são bastante estudadas na área da astrobiologia. O que inclui rotas de síntese química e degradação molecular de compostos diferentes ou mais complexos, como decaimento de citosina para uracila e guanina para xantina.[6]
Referências
- ↑ a b Grady, Monica; Pratesi, Giovanni; Moggi Cecchi, Vanni (novembro de 2014). «Atlas of Meteorites». Atlas of Meteorites (em inglês). Consultado em 7 de novembro de 2025
- ↑ Krot, A. N.; Keil, K.; Scott, E. R. D.; Goodrich, C. A.; Weisberg, M. K. (2014). «Classification of Meteorites and Their Genetic Relationships». Meteorites and Cosmochemical Processes (em inglês): 1–63. Consultado em 7 de novembro de 2025
- ↑ «Meteoritical Bulletin: Entry for Alais». Meteoritical Bulletin (em inglês). Consultado em 21 de outubro de 2025
- ↑ a b Mullie, Françoise; Reisse, Jacques. «Organic matter in carbonaceous chondrites». Berlin/Heidelberg: Springer-Verlag: 83–117. ISBN 3-540-17010-3. Consultado em 21 de outubro de 2025
- ↑ Glavin, Daniel P.; Elsila, Jamie E.; McLain, Hannah L.; Aponte, José C.; Parker, Eric T.; Dworkin, Jason P.; Hill, Dolores H.; Connolly, Harold C.; Lauretta, Dante S. (janeiro de 2021). «Extraterrestrial amino acids and L enantiomeric excesses in the CM2 carbonaceous chondrites Aguas Zarcas and Murchison». Meteoritics and Planetary Science (em inglês) (1): 148–173. ISSN 1086-9379. doi:10.1111/maps.13451. Consultado em 21 de outubro de 2025
- ↑ Martins, Zita; Botta, Oliver; Fogel, Marilyn L.; Sephton, Mark A.; Glavin, Daniel P.; Watson, Jonathan S.; Dworkin, Jason P.; Schwartz, Alan W.; Ehrenfreund, Pascale (15 de junho de 2008). «Extraterrestrial nucleobases in the Murchison meteorite». Earth and Planetary Science Letters (1): 130–136. ISSN 0012-821X. doi:10.1016/j.epsl.2008.03.026. Consultado em 21 de outubro de 2025