Conde de Aurora

Conde de Aurora
Pariato Reino de Portugal Portugal
Criação D. Luís I
1 de Setembro de 1887
Tipo Vitalício – 1 vida
1 renovação
1.º titular João de Sá Coutinho da Costa de Sousa de Macedo Sotomaior Barreto
Linhagem de Sá Coutinho Barreto Sotomaior (de Sá Coutinho Sotomaior)
Títulos associados Visconde de Aurora
Actual titular José de Sousa de Macedo de Sá Coutinho

Conde de Aurora foi um título nobiliárquico criado por D. Luís I de Portugal, por Decreto de 1 de Setembro de 1887, em favor de João de Sá Coutinho da Costa de Sousa de Macedo Sotomaior Barreto, antes 1.º Visconde de Aurora.[1][2][3][4]

História

O 3.º Conde de Aurora (1939)

O título de Conde de Aurora foi criado por D. Luís I, por Decreto de 1 de Setembro de 1887, em favor de João de Sá Coutinho da Costa Sousa de Macedo Soto-Maior Barreto, que fora anteriormente feito Visconde de Aurora por Decreto de 27 de Setembro de 1878.[2] Nasceu a 7 de Fevereiro de 1838 e morreu em 1888. Filho do brigadeiro José de Sá Coutinho Barreto e de D. Maria José de Aurora Coutinho da Costa Sousa de Macedo, foi fidalgo-cavaleiro da Casa Real, comendador de várias ordens e administrador de diversos vínculos antigos, incluindo os de Fornelo, Refojos, Paçinhas, Santa Amaro, Bouça, Arcos de Valdevez, Sendufe, Feitosa e Nossa Senhora da Aurora.[2][3][4]

Sucedeu-lhe o irmão, José de Sá Coutinho da Costa Sousa de Macedo Soto-Maior Barreto, 2.º Conde de Aurora, nascido em 1840 e falecido em 1896.[2] Fidalgo-cavaleiro da Casa Real, era bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, tendo seguido carreira na magistratura, onde atingiu o cargo de desembargador da Relação do Porto. Herdou os senhorios e vínculos de seu irmão primogénito.[2][3]

José António Maria Francisco Xavier de Sá Pereira Coutinho, nascido em Ponte de Lima em 1896[5] e filho do 2.º Conde, foi o 3.º Conde de Aurora.[2] Licenciado em Direito,[5] dedicou-se à gestão agrícola da sua casa, à vida cívica e cultural e emigrou em 1919 para Espanha, Brasil e Argentina. Participou em vários congressos e organismos nacionais, exerceu funções associativas e judiciais, e foi escritor, autor de obras como D. Aleixo (1921)[6] e António Feijó (1922).[2][3] Em 1935 foi distinguido com o prémio Eça de Queirós pelo romance O Pinto e, no ano seguinte, foi nomeado primeiro juiz do Tribunal do Trabalho do Porto, funções que exerceu durante mais de três décadas.[6][7][8][9]

Propriedades

A Casa de Nossa Senhora da Aurora tomou a sua forma no início do século XVIII, embora a família já aí residisse desde o século anterior. A fachada palaciana deve-se a João de Sá Soutomaior Rebelo, que em 1723 também instituiu a capela. Ao morgadio fundado em 1741 juntaram-se diversos vínculos administrados pela família, que no final do século XVIII já controlava mais de uma dezena. No século XIX, João Sá Coutinho Costa Sousa Macedo Sotomaior Barreto recebeu o título de conde de Aurora, sendo sucedido pelo irmão José, antigo magistrado em Goa. O 3.º conde, José António de Sá Pereira Coutinho, destacou-se como escritor e figura local. A casa conserva salões alinhados, capela com talha dourada, jardim oitocentista e o quarto onde faleceu, em 1756, o arcebispo D. José de Bragança.[10][11]

Armas

  • As armas dos Condes de Aurora são: escudo esquartelado, com Sá no 1.º quartel, Sotomaior no 2.º, Rebelo no 3.º e Abreu no 4.º; coroa de conde e timbre de Sá.[2]

Viscondes de Aurora (1878)

# Titular Datas Títulos Notas
1 João de Sá Coutinho da Costa Sousa de Macedo Soto-Maior Barreto[4] 1838 — 1888 1.º Visconde de Aurora[4] Criado Visconde, por Decreto de 27 de Setembro de 1878, por D. Luís I;[2][3][4]

Condes de Aurora (1887)

# Titular Datas Títulos Notas
1 João de Sá Coutinho da Costa Sousa de Macedo Soto-Maior Barreto[4] 1838 — 1888[4] 1.º Conde de Aurora[4] Elevado a Conde, por Decreto de 1 de Setembro de 1887, por D. Luís I;[2] Casou, a 16 de julho de 1857, com a sua prima D. Ana Carolina de Araújo Azevedo de Vasconcelos Feio (1826 — 1916), filha do capitão-mor José de Araújo Azevedo de Vasconcelos e Melo e de D. Maria Guilhermina Feio de Magalhães Coutinho; Não teve descendência;[2][3][4]
2 José de Sá Coutinho da Costa Sousa de Macedo Soto-Maior Barreto[4] 1840 — 1896[4] 2.º Conde de Aurora[4] Irmão do 1.º Conde de Aurora;[4] Casou, a 16 de abril de 1890, com D. Maria Angelina da Natividade Pereira da Silva de Sousa e Meneses (1858 — 1908), filha do 2.º Conde de Bertiandos,[6] de quem teve o único filho que lhe sucederia; O título foi-lhe confirmado em duas vidas, por Decreto de 12 de setembro de 1889;[2][3][4]
3 José António Maria Francisco Xavier de Sá Pereira Coutinho[4][6][7][8] 1896 — 1969[5] 3.º Conde de Aurora Filho do 2.º Conde de Aurora;[5] Casou em Coimbra, a 29 de novembro de 1916, com D. Maria da Graça de Abreu Castelo Branco (1897 — 1984), filha do 3.º Conde de de Fornos de Algodres; Teve descendência deste casamento;[2][3][4][5][6][7][8]

Representantes do título na República (1910)

# Titular Datas Títulos pretendidos Notas
4 João de Sá Coutinho Rebelo Sotomaior[4][12] 1929 — 2012[12][13] 4.º Conde de Aurora[12] Filho do 3.º Conde de Aurora;[4] Foi licenciado em Direito, diplomata, cavaleiro de Honra e Devoção da Ordem Soberana de Malta, antigo cônsul de Portugal em Belo Horizonte, Brasil, 1.º secretário de embaixada no Canadá e no Quirinal (Roma), conselheiro de embaixada em Londres, embaixador de Portugal na Guiné, Senegal, Angola e Espanha; Casou em Coimbra, a 10 de fevereiro de 1957, com D. Maria-Teresa da Costa de Sousa de Macedo Moreira; Teve descendência deste casamento;[2][3][12][13]
5 José de Sousa de Macedo de Sá Coutinho[3] n. 1958[3] 5.º Conde de Aurora Filho do anterior e atual representante do título;[3]

Referências

  1. "Nobreza de Portugal e do Brasil", Direcção de Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 2.ª Edição, Lisboa, 1989, Volume Segundo, pp. 339-40
  2. a b c d e f g h i j k l m n Zuquete, Afonso Eduardo Martins (1960). Nobreza de Portugal. 2. Lisboa: Editorial Enciclopédia, Limitada. p. 339-340 
  3. a b c d e f g h i j k l Instituto Português de Heráldica (1985). Anuário da Nobreza de Portugal. 1. Lisboa: Edição do IPH. p. 247-248 
  4. a b c d e f g h i j k l m n o p q r da Silva Canedo, Fernando de Castro (1946). A descendência portuguesa de El-Rei D. João II. 3. Lisboa: Edições Gama, Limitada. p. 307-310 
  5. a b c d e Biblioteca Municipal Ponte de Lima. «Memórias literárias: Conde de Aurora Tradiçã e vanguarda nos 125 anos de nascimento» (PDF). Consultado em 16 de novembro de 2025 
  6. a b c d e «Conde de Aurora». Conde d'Aurora. Consultado em 18 de novembro de 2025 
  7. a b c «Exposição evocativa dos 50 anos de falecimento. Conde de Aurora, o homem, a obra e a sua terra.» (PDF). Consultado em 16 de novembro de 2025 
  8. a b c «Conde D'Aurora». Páginas Paisagens Luso-Brasileiras em Movimento. Consultado em 18 de novembro de 2025 
  9. «Conferência "Quatro Dias no Ártico" do Conde d'Aurora». Consultado em 18 de novembro de 2025 
  10. «Casa de Aurora – VÍNCULOS COM (A) HISTÓRIA». Consultado em 18 de novembro de 2025 
  11. «Monumentos». www.monumentos.gov.pt. Consultado em 18 de novembro de 2025 
  12. a b c d «João de Sá Coutinho». João de Sá Coutinho. Consultado em 18 de novembro de 2025 
  13. a b Portugal, Rádio e Televisão de (26 de maio de 2012). «Morreu Sá Coutinho, primeiro embaixador português nas ex-colónias». Morreu Sá Coutinho, primeiro embaixador português nas ex-colónias. Consultado em 18 de novembro de 2025