Conde de Caria


Conde de Caria
Conde de Caria
Pariato Reino de Portugal Portugal
Criação D. Luís I
14 de Agosto de 1879
Tipo Vitalício – 1 vida
1 renovação
1.º titular José Homem Machado de Figueiredo Leitão
Linhagem Homem Machado
Mendes de Almeida
Títulos associados Visconde de Caria
Barão de Caria
Actual titular Patrícia Ana Baldinger Mendes de Almeida

Conde de Caria foi um título nobiliárquico criado por D. Luís I de Portugal, por Decreto de 14 de Agosto e Carta de 9 de Outubro de 1879, em favor de José Homem Machado de Figueiredo Leitão, antes 1.º Barão de Caria e 1.º Visconde de Caria.[1][2][3][4]

História

Título criado por el-Rei D. Luís I, por Decreto de 14 de agosto de 1879 e Carta de 9 de Outubro de 1879, em favor de José Homem Machado de Figueiredo Leitão, anteriormente 1.º Visconde de Caria e 1.º Barão de Caria, fidalgo cavaleiro da Casa Real, bacharel em Direito, filho de José Homem de Figueiredo Leitão, fidalgo cavaleiro da Casa Real, desembargador da relação e casa do Porto (1791 — 1844), e de sua mulher D. Josefa-Emília Pinto Boto de Sá Machado (falecida em 1863). Nasceu em Gouveia a 22 de março de 1832[5] e morreu a 5 de abril de 1905. Era proprietário agrícola na Beira Alta, dedicou-se também à indústria e foi o fundador de uma fábrica de lanifícios em Gouveia.[2][3][4][6]

O 1.º Conde de Caria era 4.º neto, por varonia, de Manuel Homem de Távora, natural da vila de Oliveira do Conde, cujo bisneto, José Homem de Figueiredo, bacharel formado em leis (irmão do bispo do Algarve D. Bernardo-António de Figueiredo), foi fidalgo cavaleiro de Casa Real (alvará de 2 de janeiro de 1826), e, com sua mulher D. Guiomar-Antónia-Maria Ferreira Leitão, instituiu para seu filho primogénito (o acima citado pai do 1.º Conde) um vínculo composto dos bens dotais de D. Guiomar-Antónia.[2][3][4]

Foi único Barão e Visconde de Caria, tendo lhe sido concedido estes em: o de Barão por Carta de 10 de junho de 1864 e o de Visconde por Decreto e Carta de 21 de junho de 1869 (e concessão de uma segunda vida por Decreto de 26 de dezembro de 1870).[2][3][4]

O 2.º Conde de Caria, Bernardo Homem Machado de Figueiredo de Abreu Castelo Branco, era filho do 1.º Conde e da sua primeira mulher, D. Maria-Matilde do Amaral Abreu Castelo-Branco. Era fidalgo da Casa Real, bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra (1878), vice-governador do Banco Nacional Ultramarino e 1.º presidente da União Velocipédica Portuguesa.[2][3]

Teve a verificação do título de 2.ª vida por Decreto de 27 de setembro de 1899, por D. Carlos I.[2][3]

Propriedades

O Palácio dos Condes de Caria, localizado na Quinta das Laranjeiras, em Lisboa, é um edifício oitocentista integrado numa antiga propriedade senhorial. O imóvel foi adquirido por Fernando Victor Augusto Mendes de Almeida e inseria-se num vasto conjunto ajardinado, característico das residências nobres do século XIX. A propriedade permaneceu na família e foi alvo de diversas obras de restauro, das quais subsistem alguns elementos históricos, como os azulejos das antigas cavalariças e cocheiras. A quinta passou depois para o engenheiro Boaventura Mendes de Almeida, neto materno do 2.º Conde de Caria, e, posteriormente, parte do edifício foi transferida para o seu sobrinho Eduardo Correia de Sá.[7][8][9]

Condes de Caria (1879)

# Titular Datas Títulos Notas
1 José Homem Machado de Figueiredo Leitão 1832 — 1905 1.º Conde de Caria Casou duas vezes: a 1.ª vez, em 1851, com D. Maria-Matilde do Amaral Abreu Castelo-Branco (falecida em 1856), filha de Bernardino do Amaral de Sousa e Menezes, fidalgo cavaleiro da Casa Real, capitão-mor das ordenanças de Linhares, e de sua mulher D. Maria-do-Carmo de Abreu Castelo-Branco de quem teve o 2.º Conde de Caria; e a 2.ª com sua cunhada D. Emília de Menezes de Abreu Castelo-Branco;[2][3][4]
2 Bernardo Homem Machado de Figueiredo de Abreu Castelo Branco[3] 1856 — 1929 2.º Conde de Caria Casou com D. Eugénia da Silveira, de quem teve duas filhas;[2][3]

Representantes do título na República (1910)

# Titular Datas Títulos pretendidos Notas
3 Maria Emília Viana Homem Machado 1889 — 1973 3.ª Condessa de Caria[6][10][8] Filha do anterior; Casou com Boaventura Mendes de Almeida; Teve descendência deste casamento;[2]
4 Bernardo Viana Machado Mendes de Almeida[4] 1912[11] — 1999 4.º Conde de Caria[4] Filho varão da filha primogénita do 2.º Conde; Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa (1936), desenvolveu a sua carreira no sector comercial e industrial, sobretudo na área automóvel, exercendo funções de administração em diversas empresas e entidades, entre as quais a Sociedade Vidago, Melgaço & Pedras Salgadas e o Banco Pinto & Sotto Mayor. Ocupou cargos de direção associativa, nomeadamente como presidente da Associação Comercial de Lisboa e do Grémio dos Importadores, Agentes e Vendedores de Automóveis. Desempenhou ainda funções públicas e institucionais, incluindo a de vereador substituto da Câmara Municipal de Lisboa e a participação nos corpos gerentes de várias organizações empresariais e profissionais. No movimento rotário, foi presidente do Rotary Clube de Lisboa e governador do Distrito Rotário 176. Foi cinco vezes campeão nacional e venceu provas internacionais, tendo ocupado cargos de direção em clubes e federações desportivas. Foi condecorado com a Ordem do Império Britânico e foi cavaleiro da Ordem do Infante D. Henrique; Casou, em 31 de agosto de 1936, com Maria Carlota de Sousa e Faro de Lancastre;[4][11]
5 Bernardo de Lancastre Mendes de Almeida[11] 1937[4][11] —? 5.º Conde de Caria Filho do anterior;[11] Licenciado em Ciências Económicas pela Universidade de Notre-Dame; Casou, em 10 de outubro de 1950, com Margaret-Ann Baldinger; Teve descendência deste casamento;[4]
6 Patricia Anna Baldinger Mendes de Almeida[4] n. 1962[4] 6.ª Condessa de Caria[12] Única filha do anterior;[4] Atual representante do título;[12]

Referências

  1. "Nobreza de Portugal e do Brasil", Direcção de Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 2.ª Edição, Lisboa, 1989, Volume Segundo, pp. 481-2
  2. a b c d e f g h i Zuquete, Afonso Eduardo Martins (1960). Nobreza de Portugal. 2. Lisboa: Editorial Enciclopédia, Limitada. p. 481-482 
  3. a b c d e f g h i Pinto, Albano da Silveira (1890). Resenha das familias titulares e grandes de Portugal. 1. Lisboa: Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva. p. 356-358 
  4. a b c d e f g h i j k l m Instituto Português de Heráldica (1985). Anuário da Nobreza de Portugal. 1. Lisboa: Edição do IPH. p. 305-312 
  5. «Monumentos». www.monumentos.gov.pt. Consultado em 14 de novembro de 2025 
  6. a b «Condes de Caria - PAPIR - Plataforma de Arquivos Pessoais e de Instituições Religiosas». papir.cehr.ft.ucp.pt. Consultado em 14 de novembro de 2025 
  7. Simbiotic. «FCM - Condes de Caria». FCM - Condes de Caria. Consultado em 14 de novembro de 2025 
  8. a b «Page». www.condesdecaria.pt. Consultado em 14 de novembro de 2025 
  9. «São Domingos de Benfica: História, Arte e Património» (PDF). Consultado em 14 de novembro de 2025 
  10. «Eduardo Luís de Almeida Corrêa de Sá - SCML - Arquivo Histórico». arquivohistorico.scml.pt. Consultado em 14 de novembro de 2025 
  11. a b c d e da Silva Canedo, Fernando de Castro (1945). A descendência portuguesa de El-Rei D. João II. 1. Lisboa: Editorial Enciclopédia, Limitada. p. 427-428 
  12. a b Registo de Títulos de Nobreza - Instituto da Nobreza Portuguesa