Conde de Azarujinha
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| Pariato | |
| Criação | D. Carlos I 23 de setembro de 1890 |
| Tipo | Em vidas |
| 1.º titular | António Augusto Dias de Freitas, 1.º Conde de Azarujinha |
| Linhagem | Dias de Freitas (de Freitas) |
| Títulos associados | Visconde de Azarujinha |
| Actual titular | Lourenço Bandeira Manuel de Vilhena de Freitas |
Conde de Azarujinha foi um título nobiliárquico criado por D. Carlos I de Portugal, por Decreto de 23 de Setembro de 1890, em favor de António Augusto Dias de Freitas, antes 1.º Visconde de Azarujinha.[1][2][3][4]
História
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O título de Conde de Azarujinha corresponde à elevação do título de Visconde de Azarujinha, criado por D. Luís I de Portugal por Decreto de 11 de agosto de 1870, a favor de António Augusto Dias de Freitas, 1.º Visconde e 1.º Conde de Azarujinha.[2][3][4]
O 1.º Conde de Azarujinha foi Par do Reino (hereditário) e Fidalgo da Casa Real, Deputado e Vereador da Câmara de Lisboa. Era filho de António Dias de Freitas, Cavaleiro da Torre e Espada, Capitão, Grande negociante da Praça de Lisboa.[4] Freitas casou com D. Joana de Sequeira Pinto, filha do Juiz Conselheiro de Sequeira Pinto, Enfermeiro-Mor, Par do Reino (por sucessão), senhor do Palácio da Costa do Castelo (hoje Vila Flor), onde casou na capela o 1.º Conde de Azarujinha.[2][4] Foi industrial (na área Vidreira), Concessionário da Real Fábrica da Marinha Grande, com 700 trabalhadores, fundador da Fábrica Nova (futura Ivima), que chegou a ter cerca de 1200 trabalhadores, Director do Mercado da Praça da Figueira, Fundador e Director da Companhia dos Carros Ripert em Lisboa, e ainda sócio do Banco de Portugal (estando entre os principais accionistas), de quem foi Director Substituto, da Fidelidade, da Companhia das Lezírias e dos Caminhos de Ferro. Foi ainda sócio e tendo pertencido aos corpos sociais da Companhia das Águas de Lisboa, da Real Fábrica de Fiação de Tomar e da Companhia da Moagem em Viana do Castelo, da Companhia de Ferro e Carvão (Portugal Iron & Coal Company), da Companhia Exploradora das Jazidas de Alencarce.
O seu filho único, Libânio Augusto Dias de Freitas, 2.º Conde, chegou a ser o terceiro contribuinte de Portugal, com uma fortuna quase de 3000 contos à época. Em percentagem do PIB cerca de 1920 e que era de 550 mil contos a sua fortuna equivaleria a aprox. 1.000.000.000 de euros. O título foi renovado no 2.º Conde por decreto de 27 de maio de 1904.[4]
Propriedades
1.º Conde foi proprietário agrícola na Azaruja (Sobra, Carvalho, etc.), São Miguel de Machede (Herdade da Azarujinha, actualmente courelas da Azaruja e courelas da Toura), Palácio do Conde de Azarujinha, Campo Maior, Alandroal, Montemor, Benavente, Vila Franca, Cartaxo e Sintra. Detinha ainda as herdades de Coelheiros[5][6] e anexas, Branca de Almeida, perto da Igrejinha.[7][8][9]
Em Alcochete era proprietário de salinas Gema, Camela, Tecelôas de Fora, Os Trinta, Inferno Grande, Inferno Pequeno, Peixinho, Pata, Tabuleiro pequeno, Moças, Capela, DoPipeiro, Raposeira do Norte. Foi ainda proprietário das salinas de Restinga e Pinheirinhos perto da Aldeia Galega.[10]
O Conde de Azarujinha morou ao Campo de Santana, em casa que depois arrendou ao Instituto Oftalmológico (n.º 93 actual), e comprou ainda à Duquesa de Saldanha o Palácio Pombeiro, hoje Embaixada de Itália, para além de um Chalet no Estoril (que deu o nome à Praia da Azarujinha) e outro em Paço de Arcos, de um Palácio na Azaruja, da Quinta do Porto em Massamá,[11] de uma quinta em Loures (São João da Coidiceira).[12][13]
Viscondes de Azarujinha (1870)
| # | Titular | Datas | Títulos | Notas |
|---|---|---|---|---|
| 1 | António Augusto Dias de Freitas | 1830 — 1904[2] | 1.° Conde de Azarujinha e 1.° Visconde de Azarujinha | Elevado a Conde em 23 de setembro de 1890;[2] Casou, em 1885, com D. Joana Amália Correia de Sequeira Pinto, de quem teve descendência;[2][4] |
Condes de Azarujinha (1890)
| # | Titular | Datas | Títulos | Notas |
|---|---|---|---|---|
| 1 | António Augusto Dias de Freitas | 1830 — 1904[2] | 1.° Conde de Azarujinha e 1.° Visconde de Azarujinha | Elevado a Conde em 23 de setembro de 1890[2][4] |
| 2 | Libânio Augusto Severo Dias de Freitas | 1871 — 1930[2] | 2.º Conde de Azarujinha | Filho do 1.° Conde; Fidalgo-cavaleiro da Casa Real e comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa; Casou, em 1893, com D. Antónia Paiva de Albuquerque, de quem teve descendência; Foi-lhe concedido o título de Conde de Azarujinha, em vida, por Decreto de 27 de maio de 1904, de D. Carlos I;[2][4] |
Representantes do título na República (1910)
| # | Titular | Datas | Títulos pretendidos | Notas |
|---|---|---|---|---|
| 3 | Jaime Augusto de Albuquerque de Lemos Dias de Freitas | 1894 — 1974[2] | 3.º Conde de Azarujinha | Filho primogénito do 2.º Conde;[4] Casou em Sevilha, em 1920, com D. Maria Aurora Lasso de La Vega y Jimenez, filha de D. Javier de La Vega y Corteso e D. Maria Jimenez y Placer Alvarez Cabral (filha do Marquês de Bejarano); Teve descendência deste casamento;[2][4] |
| 4 | Jaime Augusto Lasso de la Vega Dias de Freitas | 1922 — 1978[2][4] | 4.º Conde de Azarujinha | Único filho do anterior;[4] Casou em Lisboa, em 1946, com D. Maria Luísa da Conceição de Almeida Manuel de Vilhena (1926 — 1998),[4] filha do primeiro casamento do 9.º Conde de Vila Flor e Alpedrinha e herdeira presuntiva desses títulos; Teve descendência deste casamento;[2][4] |
| 5 | Francisco Xavier Manoel de Vilhena Dias de Freitas | 1947[4] — 2007 | 5.º Conde de Azarujinha | Filho do anterior;[4] Representante do Título de Duque da Terceira, 11.º Conde de Vila Flor e 4.º Conde de Alpedrinha; Casou em 1951, com Cristina Freire da Bandeira Barata; Teve descendência deste casamento;[4] |
| 6 | Lourenço Manoel de Vilhena de Freitas | n. 1973[4] | 6.º Conde de Azarujinha | Filho do anterior;[4] Representante atual dos títulos;[14][15] |
Referências
- ↑ "Nobreza de Portugal e do Brasil", Direcção de Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 2.ª Edição, Lisboa, 1989, Volume Segundo, p. 359
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n Zuquete, Afonso Eduardo Martins (1960). Nobreza de Portugal. 2. Lisboa: Editorial Enciclopédia, Limitada. p. 359-360
- ↑ a b Pinto, Albano da Silveira (1890). Resenha das famílias titulares e grandes de Portugal. 1. Lisboa: Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva. p. 180-181
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p q r s Instituto Português de Heráldica (1985). Anuário da Nobreza de Portugal. 1. Lisboa: Edição do IPH. p. 258-259
- ↑ «Origem». Tapada de Coelheiros. Consultado em 23 de novembro de 2025
- ↑ «Tapada de Coelheiros, a excelência na arte de fazer vinhos nobres – Travellers Review». Consultado em 23 de novembro de 2025
- ↑ «Conde da Azarujinha». Junta de Freguesia de São Bento do Mato - Azaruja. Consultado em 23 de novembro de 2025
- ↑ «Palácio do Conde da Azarujinha - Alandroal | Guia para visitar em 2025 - oGuia». www.guiadacidade.pt. Consultado em 23 de novembro de 2025
- ↑ «Vinhos ao ritmo da natureza num Alentejo verdadeiro». Revista Must. Consultado em 23 de novembro de 2025
- ↑ Cruz, Ana Isabel Pereira, Mário (16 de março de 2024). «O que podem as margens vivas de uma ribeira fazer pelo montado e pela vinha?». PÚBLICO. Consultado em 23 de novembro de 2025
- ↑ «Património». UF Massamá e Monte Abraão. Consultado em 23 de novembro de 2025
- ↑ Ferreira, Leonídio Paulo (24 de fevereiro de 2025). «"Palácio do Conde de Pombeiro diz-nos muito a nós italianos, que, como os portugueses, gostamos de História"». Diário de Notícias. Consultado em 23 de novembro de 2025
- ↑ «PESQUISA GERAL». imovel.patrimoniocultural.gov.pt. Consultado em 23 de novembro de 2025
- ↑ «Tratamento de Dom – Instituto da Nobreza Portuguesa». Consultado em 8 de novembro de 2025
- ↑ «O que guardam os palácios onde ainda vivem nobres em Portugal». CNN Portugal. 17 de setembro de 2022. Consultado em 8 de novembro de 2025

