Conde das Antas
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| Pariato | |
| Criação | D. Maria II 16 de Maio de 1838 |
| Tipo | Vitalício – 1 vida 2 renovações |
| 1.º titular | Francisco Xavier da Silva Pereira |
| Linhagem | da Silva Pereira de Melo e Castro |
| Títulos associados | Visconde das Antas Barão das Antas |
| Actual titular | António Maria de Lancastre de Melo e Castro |
Conde das Antas foi um título nobiliárquico criado por D. Maria II de Portugal, por Decreto de 16 de Maio de 1838, em favor de Francisco Xavier da Silva Pereira, antes 1.º Barão das Antas e 1.º Visconde das Antas.[1][2][3]
História
Foi o único Barão, Visconde e 1.º Conde das Antas Francisco Xavier da Silva Pereira, nascido em Valença a 14 de março de 1793 e falecido em Lisboa a 20 de maio de 1852, filho do coronel Francisco Xavier da Silva Pereira, governador militar de Campo Maior, e de D. Antónia Josefa de Abreu. Destacou-se como militar nas lutas entre absolutistas e liberais, sendo um dos mais firmes defensores da causa constitucional de D. Pedro, Duque de Bragança.[2][3][4]
Em 1808 alistou-se, ainda estudante, no batalhão formado por seu pai, integrando depois a Legião Lusitana. Serviu no regimento de Caçadores n.º 7, combatendo nas principais batalhas da Guerra Peninsular, entre elas Buçaco, Albuera, Salamanca e Vitória, o que lhe valeu a promoção a capitão sob proposta de Beresford e a Medalha n.º 6 da Guerra Peninsular. Aderiu ao movimento vintista em 1820 e combateu o Conde de Amarante em 1823, o que resultou no seu afastamento do serviço, sendo reintegrado em 1826.[2][3][4]
Passou a sua carreira militar no Batalhão de Caçadores n.º 1, passando depois, como major, para o Batalhão de Caçadores n.º 12, com o qual aderiu à revolução liberal do Porto (1828). Participou nos combates da Cruz de Morouços e da Ponte do Marnel e, após várias missões no estrangeiro, regressou a Portugal integrando a expedição liberal à ilha Terceira (1830).[2][3]
Acompanhou o Conde de Vila Flor na conquista dos Açores e, posteriormente, na entrada do exército liberal no Porto (1832). A sua atuação nas batalhas dessa campanha valeu-lhe rápidas promoções até coronel e condecorações como a Ordem da Torre e Espada e a Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. Destacou-se na ação do Monte das Antas (24 de março de 1832), episódio que deu origem ao seu futuro título nobiliárquico. Seguiu o Duque da Terceira na expedição ao Algarve e nas lutas de Lisboa, sendo promovido a brigadeiro em 1834. Após a Convenção de Évora-Monte, exerceu diversos comandos militares, incluindo os de Elvas e do Exército do Alentejo, e foi nomeado governador de armas do Porto.[2][3][4][5][6][7]
Entre 1835 e 1837 comandou tropas portuguesas em Espanha, no contexto da guerra contra o Infante D. Carlos, recebendo do governo espanhol as ordens de São Fernando e de Isabel, a Católica. Durante essa campanha foi vice-rei de Navarra e comandante-geral das Vascongadas, e foi agraciado com as grã-cruzes da Torre e Espada e de São Fernando. Regressado a Portugal em 1837, derrotou forças cartistas em Ruivães e foi promovido a marechal-de-campo, assumindo o comando do Exército do Norte. Nos anos seguintes acumulou diversas funções: foi senador em 1839, inspetor de infantaria em 1840 e governador-geral da Índia em 1842, regressando depois para ocupar o seu lugar na Câmara dos Pares. Em 1846, durante o governo de Palmela, comandou a 1.ª Divisão Militar e mais tarde presidiu à Junta Provisória do Governo Supremo do Reino, durante a Patuleia, conflito em que apoiou o governo e acabou por ser vencido em Santarém.[2][3]
Recebeu os títulos de Barão (1836), Visconde (1837) e Conde das Antas (1838), todos concedidos por D. Maria II, em sua vida.[2][3][5]
O 2.º Conde, Francisco Xavier da Silva Pereira, nasceu a 27 de setembro de 1849 e morreu solteiro e sem descendência. Era moço-fidalgo com exercício na Casa Real, tendo o título sido renovado em sua vida, em 1852, em reconhecimento dos serviços prestados por seu pai.[8] O 3.º Conde, Fernando Xavier da Silva Pereira, nasceu a 30 de novembro de 1851[9] e morreu a 24 de janeiro de 1895.[10] Foi 2.º oficial da secretaria do Supremo Tribunal Administrativo e destacou-se como cavaleiro tauromáquico amador, participando nas touradas de fidalgos promovidas pelo Clube Tauromáquico.[2][3]
Barão das Antas (1836)
| # | Titular | Datas | Títulos | Notas |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Francisco Xavier da Silva Pereira[3] | 1793 — 1852 | 1.º Barão das Antas[5] | Criado Barão, por Decreto de 17 de setembro de 1835 e Carta de 22 de abril de 1837, por D. Maria II;[2][3][5] |
Visconde das Antas (1837)
| # | Titular | Datas | Títulos | Notas |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Francisco Xavier da Silva Pereira[3] | 1793 — 1852 | 1.º Visconde das Antas[5] | Criado Visconde, por Decreto de 13 de outubro de 1836 e Carta de 6 de julho de 1837, por D. Maria II;[2][3][5] |
Conde das Antas (1838)
| # | Titular | Datas | Títulos | Notas |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Francisco Xavier da Silva Pereira[3] | 1793 — 1852 | 1.º Conde das Antas[5][11] | Criado Conde, por Decreto de 16 de maio de 1838, por D. Maria II;[2] Casou, em 22 de julho de 1845, com D. Maria Teotónia da Guerra e Sousa de Rávago Santistevan, filha e herdeira de Gualdino José da Guerra e Sousa, chefe de divisão da Armada, e de D. Maria Bernarda Josefa Fagundo de Rávago Santistevan; Tiveram dois filhos, que foram o 2.º e o 3.º Condes das Antas;[2][3][5] |
| 2 | Francisco Xavier da Silva Pereira[9] | 1849 — 1887 | 2.º Conde das Antas | Primogénito do 1.º Conde; Faleceu solteiro e sem descendência;[2] |
| 3 | Fernando Xavier da Silva Pereira | 1851 — 1895 | 3.º Conde das Antas[10] | Secundogénito do 1.º Conde; Casou, em 15 de fevereiro de 1882, com D. Elisa de Araújo, filha do negociante Joaquim Lúcio de Araújo, e tiveram uma filha, D. Maria Angélica Araújo da Silva Pereira, que casou com o 2.º Visconde de Pernes;[2] |
Representantes do título na República (1910)
| # | Titular | Datas | Títulos pretendidos | Notas |
|---|---|---|---|---|
| 4 | Carlos Bon de Sousa de Melo e Castro[5] | 1905 — 1906[2] | 4.º Conde das Antas[2][5] | Neto do 3.º Conde das Antas; Casou com D. Teresa Bieck de Lancastre, filha dos 6.º Conde de Lousã; Foi autorizado por D. Manuel II, em 1926, a representar o título de Conde das Antas, autorização confirmada pelo Conselho da Nobreza em 1 de dezembro de 1956;[2] Também 3.º representante do título Visconde de Pernes;[5] |
| 5 | António Maria de Lancastre de Mello e Castro | n. 20 de outubro de 1952[5] | 5.º Conde das Antas | Filho do anterior[5] e atual representante do título Conde de Antas; Também representantes dos títulos de 9.º Conde da Lousã e de 4.º Visconde de Pernes;[5] |
Referências
- ↑ "Nobreza de Portugal e do Brasil", Direcção de Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 2.ª Edição, Lisboa, 1989, Volume Segundo, pp. 285-7
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p q Zuquete, Afonso Eduardo Martins (1960). Nobreza de Portugal. 2. Lisboa: Editorial Enciclopédia, Limitada. p. 285-287
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n Pinto, Albano da Silveira (1890). Resenha das familias titulares e grandes de Portugal. 1. Lisboa: Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva. p. 113-117
- ↑ a b c «Francisco Xavier da Silva Pereira – Conde das Antas». Etc e Tal - Jornal. 1 de março de 2020. Consultado em 11 de novembro de 2025
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n Instituto Português de Heráldica (1985). Anuário da Nobreza de Portugal. 1. Lisboa: Edição do IPH. p. 224-225
- ↑ Bollaert, William (1870). The Wars of Succession of Portugal and Spain, from 1826 to 1840: With Résumé of the Political History of Portugal and Spain to the Present Time (em inglês). Reino Unido: E. Stanford. p. 434
- ↑ Martin, Theodore (2013). The life of His Royal Highness the Prince consort, Volume 1. Col: Cambridge library collection. British and Irish history, 19th century (em inglês). Cambridge: Cambridge University Press. p. 414
- ↑ Bollaert, William (1870). The Wars of Succession of Portugal and Spain, from 1826 to 1840: With Résumé of the Political History of Portugal and Spain to the Present Time (em inglês). Reino Unido: E. Stanford. p. 323
- ↑ a b Almeida, Egydio (1896). Biographias e apontamentos sobre matadores, picadores, cavalleiros, bandarilheiros, forcados, aficionados, amadores, anacletos, etc. Portugal: Typ. Guedes. p. 69
- ↑ a b «Fernando Xavier da Silva Pereira, 3.º conde das Antas - Portugal, Dicionário Histórico». www.arqnet.pt. Consultado em 11 de novembro de 2025
- ↑ «Conde das Antas | Título | NÓS Portugueses». nosportugueses.pt. Consultado em 11 de novembro de 2025

